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O que aprendemos em 2015?

Publicado em 01 dezembro 2015

Foi neste ano de 2015 que Kim Jong-un, o líder supremo da Coreia do Norte, afirmou ter descoberto a cura do HIV, ebola, diabetes, alguns tipos de câncer e uma série de outras condições médicas, com um único novo medicamento revolucionário que ele quer vender para o mundo todo.

As instruções de dosagem são incrivelmente confusas e discorrem em mais de 2.500 palavras, mas, com muito esforço, é possível deduzir que, teoricamente, para prevenir o HIV seria preciso algo entre 40 a 56 injeções — ao custo de 50 dólares por injeção.

Ainda bem que a comunidade científica não se convenceu e continuou a pesquisar! E, neste ano, aprendemos muita coisa sobre o HIV.

Aprendemos que, em geral, mulheres portadoras do HIV combatem naturalmente o vírus melhor do que os homens. Aprendemos que anticorpos amplamente neutralizantes podem vir a ser a solução para a prevenção do HIV no futuro.

Outros estudos com vacinas preventivas também tiveram resultados promissores, incluindo uma vacina brasileira. E a Fiocruz deve em breve começar a testar seu próprio medicamento para prevenir o HIV.

Na pesquisa pela cura do HIV, começamos a desenvolver uma técnica que pode vir a revelar exatamente onde o vírus se esconde dos potentes medicamentos atuais, que vem driblando os cientistas há anos.

Aprendemos que um medicamento para tratar alcoolismo pode ser uma das chaves para a tão sonhada cura do HIV no futuro.

Outros cientistas criaram uma proteína que, em laboratório, se mostrou capaz de despertar as células imunes dormentes infectadas pelo HIV e, por isso, também pode potencialmente vir a fazer parte da cura. Pesquisadores descobriram que um outro composto, chamado de PEP005 e que já está aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) americana, também é capaz de ativar este HIV latente.

Mas duas cientistas acham que, com base nos dados disponíveis hoje, é pouco provável que as terapias individuais representem uma promessa em alcançar a remissão de longo prazo do HIV.

A Dra. Françoise Barre-Sinoussi, do Instituto Pasteur, em Paris, uma das descobridoras do HIV, e a Dra. Jintanat Ananworanich, do U.S. Military HIV Research Program (MHRP), acreditam que, nos próximos cinco anos, a pesquisa da cura do HIV precisa mudar seu modelo clássico de desenvolvimento e sugerem que a pesquisa deve partir de uma estratégia de combinação.

Os National Institutes of Health prometeram mais esforços em concentrar as pesquisas para acabar com a epidemia e a empresa farmacêutica britânicaGlaxoSmithKline disse que vai colaborar com cientistas norte-americanos no desenvolvimento da cura da aids.

Afinal, hoje sabemos que a cura é possível. Talvez só demore um pouco, mas é possível. E, enquanto isso — por que não? —, continuemos na contagem regressiva, junto com a amfAR.

Foi neste ano de 2015 que Kim Jong-un, o líder supremo da Coreia do Norte, afirmou ter descoberto a cura do HIV, ebola, diabetes, alguns tipos de câncer e uma série de outras condições médicas, com um único novo medicamento revolucionário que ele quer vender para o mundo todo.

As instruções de dosagem são incrivelmente confusas e discorrem em mais de 2.500 palavras, mas, com muito esforço, é possível deduzir que, teoricamente, para prevenir o HIV seria preciso algo entre 40 a 56 injeções — ao custo de 50 dólares por injeção.

Ainda bem que a comunidade científica não se convenceu e continuou a pesquisar! E, neste ano, aprendemos muita coisa sobre o HIV.

Aprendemos que, em geral, mulheres portadoras do HIV combatem naturalmente o vírus melhor do que os homens. Aprendemos que anticorpos amplamente neutralizantes podem vir a ser a solução para a prevenção do HIV no futuro.

Outros estudos com vacinas preventivas também tiveram resultados promissores, incluindo uma vacina brasileira. E a Fiocruz deve em breve começar a testar seu próprio medicamento para prevenir o HIV.

Na pesquisa pela cura do HIV, começamos a desenvolver uma técnica que pode vir a revelar exatamente onde o vírus se esconde dos potentes medicamentos atuais, que vem driblando os cientistas há anos.

Aprendemos que um medicamento para tratar alcoolismo pode ser uma das chaves para a tão sonhada cura do HIV no futuro.

Outros cientistas criaram uma proteína que, em laboratório, se mostrou capaz de despertar as células imunes dormentes infectadas pelo HIV e, por isso, também pode potencialmente vir a fazer parte da cura. Pesquisadores descobriram que um outro composto, chamado de PEP005 e que já está aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) americana, também é capaz de ativar este HIV latente.

Mas duas cientistas acham que, com base nos dados disponíveis hoje, é pouco provável que as terapias individuais representem uma promessa em alcançar a remissão de longo prazo do HIV.

A Dra. Françoise Barre-Sinoussi, do Instituto Pasteur, em Paris, uma das descobridoras do HIV, e a Dra. Jintanat Ananworanich, do U.S. Military HIV Research Program (MHRP), acreditam que, nos próximos cinco anos, a pesquisa da cura do HIV precisa mudar seu modelo clássico de desenvolvimento e sugerem que a pesquisa deve partir de uma estratégia de combinação.

Os National Institutes of Health prometeram mais esforços em concentrar as pesquisas para acabar com a epidemia e a empresa farmacêutica britânicaGlaxoSmithKline disse que vai colaborar com cientistas norte-americanos no desenvolvimento da cura da aids.

Afinal, hoje sabemos que a cura é possível. Talvez só demore um pouco, mas é possível. E, enquanto isso — por que não? —, continuemos na contagem regressiva, junto com a amfAR.

A amfAR, aliás, fez uma doação de 96 mil dólares ao Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), para continuar sua participação no estudo Opposites Attract, uma pesquisa internacional que explora mais a eficácia já demonstrada anteriormente do "tratamento como prevenção" em casais sorodiscordantes, quando só um dos parceiros é positivo para o HIV.

Assim como em outros estudos que visam medir exatamente a redução do risco de transmissão do HIV pelo tratamento antirretroviral, são recrutados casais sorodiscordantes que, deliberada e consensualmente, optam por não fazer uso consistente do preservativo — e, talvez por isso, o Vaticano tenha abençoado o tratamento como prevenção!

A ideia de que soropositivos em tratamento e com a carga viral (a quantidade de vírus no sangue) tão baixa que é indetectável são parceiros sexuais que não apresentam risco consistente de transmissão do HIV pode ser difícil de engolir, mas começa a fazer mais sentido quando levamos em conta que esse mesmo coquetel de medicamentos é capaz de prevenir a transmissão dentro do próprio corpo, da mãe portadora do vírus para o próprio bebê.

"Nós descobrimos isso em 1996: chegamos à conclusão que, se a gente desse um medicamento para um ser, a gente protegia outro ser", explicou Fábio Mesquita, diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, durante o X Curso Avançado de Patogênse do HIV, que aconteceu em abril deste ano, na Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo.

"Só que, naquela época, a gente achava que isso só acontecia dentro do próprio corpo. Então, a gente dava o medicamento para a mãe, para proteger o bebê", disse Fábio.

"A lógica era exatamente esta: a gente derrubava a carga viral da mãe e o bebê não nascia contaminado. A gente nunca pensou que, se esse ser estivesse do lado de fora do corpo, a gente também estaria protegendo este outro ser. Anos depois — entre 1996 e 2011 — a ciência concluiu que, se esse ser estiver do lado de fora do corpo, é exatamente a mesma coisa: derrubou a carga viral, não tem como transmitir o HIV. Esse hoje é o mecanismo mais poderoso de prevenção que existe."

Ele conclui: "é mais poderoso que a camisinha."

O Dr. Drauzio Varella, que subiu ao palco logo depois, também comentou sobre a eficácia comprovada do tratamento como prevenção:

"Nós tínhamos essa sensação exata, que foi demonstrada muito mais tarde e que todos que trabalhavam na área sabiam: se a gente 'zerasse' a carga viral, a chance de transmissão era muito menor. Isso já havia sido demonstrado nas mulheres grávidas. E, se valia para a transmissão materno-fetal, que é dentro de um corpo só, imagina a chance de funcionar para o outro? É muito maior!"

Aprendemos que, em geral, 44% das transmissões do HIV podem ser associadas à infecção recente, isto é, até um ano depois do contágio. Por isso, é importante fazer o teste de HIV e, em caso de diagnóstico positivo, quanto antes for iniciado o tratamento, melhor!

Um outro estudo sobre esse mesmo assunto, o HPTN 052, concluiu este ano sua análise e continuou não encontrando qualquer evidência de transmissão do HIV a partir de pessoas com carga viral indetectável, aumentando ainda mais a segurança que temos diante da segurança oferecida pelo tratamento antirretroviral. Vale dizer que 78% das pessoas que vivem com o vírus e sob tratamento no Brasil têm carga viral indetectável.

A propósito, este ano no Brasil, recebemos a visita de importantes especialistas em HIV/aids estrangeiros. O professor Frank Kirchhoff, diretor do Instituto de Virologia Molecular da Universidade de Ulm, na Alemanha, ganhador do Prêmio Leibniz em 2009, esteve na Fapesp, em São Paulo, explicando sobre como o HIV causou a pandemia de aids. E Julio Montaner, o próprio criador do tratamento como prevenção, foi convidado de honra para a abertura do X Congresso de HIV/Aids, realizado agora, em 17 de novembro de 2015, onde falou sobre como reduzir os níveis epidêmicos do HIV/aids.

https://youtu.be/qWhBIMVD8wY

Foi neste ano de 2015 que Kim Jong-un, o líder supremo da Coreia do Norte, afirmou ter descoberto a cura do HIV, ebola, diabetes, alguns tipos de câncer e uma série de outras condições médicas, com um único novo medicamento revolucionário que ele quer vender para o mundo todo.

As instruções de dosagem são incrivelmente confusas e discorrem em mais de 2.500 palavras, mas, com muito esforço, é possível deduzir que, teoricamente, para prevenir o HIV seria preciso algo entre 40 a 56 injeções — ao custo de 50 dólares por injeção.

Ainda bem que a comunidade científica não se convenceu e continuou a pesquisar! E, neste ano, aprendemos muita coisa sobre o HIV.

Aprendemos que, em geral, mulheres portadoras do HIV combatem naturalmente o vírus melhor do que os homens. Aprendemos que anticorpos amplamente neutralizantes podem vir a ser a solução para a prevenção do HIV no futuro.

Outros estudos com vacinas preventivas também tiveram resultados promissores, incluindo uma vacina brasileira. E a Fiocruz deve em breve começar a testar seu próprio medicamento para prevenir o HIV.

Na pesquisa pela cura do HIV, começamos a desenvolver uma técnica que pode vir a revelar exatamente onde o vírus se esconde dos potentes medicamentos atuais, que vem driblando os cientistas há anos.

Aprendemos que um medicamento para tratar alcoolismo pode ser uma das chaves para a tão sonhada cura do HIV no futuro.

Outros cientistas criaram uma proteína que, em laboratório, se mostrou capaz de despertar as células imunes dormentes infectadas pelo HIV e, por isso, também pode potencialmente vir a fazer parte da cura. Pesquisadores descobriram que um outro composto, chamado de PEP005 e que já está aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) americana, também é capaz de ativar este HIV latente.

Mas duas cientistas acham que, com base nos dados disponíveis hoje, é pouco provável que as terapias individuais representem uma promessa em alcançar a remissão de longo prazo do HIV.

A Dra. Françoise Barre-Sinoussi, do Instituto Pasteur, em Paris, uma das descobridoras do HIV, e a Dra. Jintanat Ananworanich, do U.S. Military HIV Research Program (MHRP), acreditam que, nos próximos cinco anos, a pesquisa da cura do HIV precisa mudar seu modelo clássico de desenvolvimento e sugerem que a pesquisa deve partir de uma estratégia de combinação.

Os National Institutes of Health prometeram mais esforços em concentrar as pesquisas para acabar com a epidemia e a empresa farmacêutica britânicaGlaxoSmithKline disse que vai colaborar com cientistas norte-americanos no desenvolvimento da cura da aids.

Afinal, hoje sabemos que a cura é possível. Talvez só demore um pouco, mas é possível. E, enquanto isso — por que não? —, continuemos na contagem regressiva, junto com a amfAR.

A amfAR, aliás, fez uma doação de 96 mil dólares ao Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), para continuar sua participação no estudo Opposites Attract, uma pesquisa internacional que explora mais a eficácia já demonstrada anteriormente do "tratamento como prevenção" em casais sorodiscordantes, quando só um dos parceiros é positivo para o HIV.

Assim como em outros estudos que visam medir exatamente a redução do risco de transmissão do HIV pelo tratamento antirretroviral, são recrutados casais sorodiscordantes que, deliberada e consensualmente, optam por não fazer uso consistente do preservativo — e, talvez por isso, o Vaticano tenha abençoado o tratamento como prevenção!

A ideia de que soropositivos em tratamento e com a carga viral (a quantidade de vírus no sangue) tão baixa que é indetectável são parceiros sexuais que não apresentam risco consistente de transmissão do HIV pode ser difícil de engolir, mas começa a fazer mais sentido quando levamos em conta que esse mesmo coquetel de medicamentos é capaz de prevenir a transmissão dentro do próprio corpo, da mãe portadora do vírus para o próprio bebê.

"Nós descobrimos isso em 1996: chegamos à conclusão que, se a gente desse um medicamento para um ser, a gente protegia outro ser", explicou Fábio Mesquita, diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, durante o X Curso Avançado de Patogênse do HIV, que aconteceu em abril deste ano, na Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo.

"Só que, naquela época, a gente achava que isso só acontecia dentro do próprio corpo. Então, a gente dava o medicamento para a mãe, para proteger o bebê", disse Fábio.

"A lógica era exatamente esta: a gente derrubava a carga viral da mãe e o bebê não nascia contaminado. A gente nunca pensou que, se esse ser estivesse do lado de fora do corpo, a gente também estaria protegendo este outro ser. Anos depois — entre 1996 e 2011 — a ciência concluiu que, se esse ser estiver do lado de fora do corpo, é exatamente a mesma coisa: derrubou a carga viral, não tem como transmitir o HIV. Esse hoje é o mecanismo mais poderoso de prevenção que existe."

Ele conclui: "é mais poderoso que a camisinha."

O Dr. Drauzio Varella, que subiu ao palco logo depois, também comentou sobre a eficácia comprovada do tratamento como prevenção:

"Nós tínhamos essa sensação exata, que foi demonstrada muito mais tarde e que todos que trabalhavam na área sabiam: se a gente 'zerasse' a carga viral, a chance de transmissão era muito menor. Isso já havia sido demonstrado nas mulheres grávidas. E, se valia para a transmissão materno-fetal, que é dentro de um corpo só, imagina a chance de funcionar para o outro? É muito maior!"

Aprendemos que, em geral, 44% das transmissões do HIV podem ser associadas à infecção recente, isto é, até um ano depois do contágio. Por isso, é importante fazer o teste de HIV e, em caso de diagnóstico positivo, quanto antes for iniciado o tratamento, melhor!

Um outro estudo sobre esse mesmo assunto, o HPTN 052, concluiu este ano sua análise e continuou não encontrando qualquer evidência de transmissão do HIV a partir de pessoas com carga viral indetectável, aumentando ainda mais a segurança que temos diante da segurança oferecida pelo tratamento antirretroviral. Vale dizer que 78% das pessoas que vivem com o vírus e sob tratamento no Brasil têm carga viral indetectável.

A propósito, este ano no Brasil, recebemos a visita de importantes especialistas em HIV/aids estrangeiros. O professor Frank Kirchhoff, diretor do Instituto de Virologia Molecular da Universidade de Ulm, na Alemanha, ganhador do Prêmio Leibniz em 2009, esteve na Fapesp, em São Paulo, explicando sobre como o HIV causou a pandemia de aids. E Julio Montaner, o próprio criador do tratamento como prevenção, foi convidado de honra para a abertura do X Congresso de HIV/Aids, realizado agora, em 17 de novembro de 2015, onde falou sobre como reduzir os níveis epidêmicos do HIV/aids.

O País também atualizou seu protocolo para prevenção da transmissão vertical, isto é, da mãe para o bebê, bem como o protocolo de profilaxia pós-exposição (PEP), que é a medida emergencial de prevenção ao HIV que pode ser adotada em até 72 horas a contar de uma possível exposição ao vírus — e que está disponível em todo o Brasil.

A Europa, por sua vez, atualizou os avisos nas bulas dos antirretrovirais sobre efeitos colaterais: advertências sobre lipodistrofia, uma alteração na gordura corporal que era mais comum nos primeiros remédios contra HIV, foram removidas dos atuais medicamentos, assim como avisos sobre acidose láctica, que é o acúmulo nocivo de ácido láctico no corpo — numa clara confirmação de que os antirretrovirais de hoje são muito menos tóxicos.

Essa evolução toda, diga-se de passagem, está bem registrada no livro Histórias da Aids (Editora Autêntica), do infectologista Artur Timerman e da jornalista Naiara Magalhães, lançado em julho.

Beto Volpe, diagnosticado positivo para o HIV em 1989, também deve publicar em breve seu livro: recentemente ele abriu a campanha de crowdfunding e pré-venda para o lançamento de sua autobiografia, o Morte e Vida Posithiva.

Assim como Beto, Gabriel Estrëla, artista e ativista do HIV/aids, lançou a campanha de financiamento coletivo de seu projeto, o Boa Sorte — e você deve se lembrar dele, que fez um ótimo vídeo junto com a vlogueira Jout Jout.

https://youtu.be/XpS0iatoNE8

Neste ano, também assistimos ao programa Sportv Repórter falar sobre o papel fundamental da prática de esportes no tratamento de portadores do HIV e ao lançamento do documentário sobre o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, um dos protagonistas das primeiras campanhas pelos soropositivos.

Mas a mídia — e as pessoas — nem sempre foram bondosas. Ao contrário, foram cruéis, ao coagir Charlie Sheen a revelar publicamente sua condição sorológica para o HIV, quando todo portador do vírus tem direito ao sigilo sobre o seu diagnóstico.

Freddie Mercury, por exemplo, optou por resguardar sua condição sorológica quase até o fim de sua vida.

Pelo menos, alguns outros direitos começam a ser mais respeitados. Singapura suavizou a restrição de viagem que mantém contra visitantes soropositivos, a Lituânia confirmou não ter mais qualquer restrição e a Ucrânia revogou suas leis restritivas, diminuindo ainda mais o número de países que ainda impõem algum tipo de segregação de viagem contra soropositivos.

No Brasil, uma decisão da 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região decidiu que o Exército não pode mais discriminar seus candidatos, até então excluídos em processos seletivos em razão de limite de altura, saúde bucal ou diagnóstico positivo para o HIV.

Aprendemos mais sobre o que determina a possibilidade de interrupção no tratamento antirretroviral e por que, depois disso, algumas pessoas conseguem controlar o vírus naturalmente e outras não.

Aliás, tivemos mais um caso documentado de "controle pós-tratamento". Um estudo mostrou que um novo medicamento semanal pode vir, num futuro próximo, a substituir os comprimidos que tomamos diariamente.

Aprendemos que bebês de mães portadoras do HIV ao redor do mundo podem vir a se beneficiar da profilaxia pré-exposição pediátrica, composta por uma fórmula líquida de medicamentos anti-HIV, e serem amamentados até 12 meses após o nascimento, virtualmente sem risco de contaminação.

Aprendemos mais sobre a interação de drogas, lícitas e ilícitas, com antirretrovirais. Aprendemos que a infecciosidade do HIV é regulada pelos movimentos de uma proteína chamada "ciclofilina A", ou CypA, apontando para um novo caminho no desenvolvimento de possíveis estratégias para frustrar a replicação do vírus.

Aprendemos que podemos estimular o sistema imunológico para agir contra o HIV e que há vasos, recém-descobertos, que podem ligar o cérebro ao sistema imune! "Descobrimos que as pessoas infectadas com o HIV possuem anticorpos naturais que têm o potencial de matar as células infectadas e nós só temos que lhes dar um pequeno empurrão", explicou Andrés Finzi, pesquisador da Universidade de Montreal.

"Para quem é diagnosticado positivo para o HIV nos dias de hoje, explico que estão recebendo o diagnóstico num momento muito oportuno da história da epidemia", diz Ricardo Vasconcelos, médico infectologista e coordenador médico do PrEP Brasil no centro da FMUSP, em São Paulo:

"Se houver comprometimento por parte de ambos, paciente e profissional da saúde, hoje podemos assumir o controle da evolução da doença. Sempre digo aos meus pacientes que só escolhi trabalhar com HIV porque sou um cara otimista, que gosta das coisas que dão certo."

Jovem Soropositivo