Notícia

Diário Catarinense

O Projeto Genoma de SC

Publicado em 22 julho 2000

No último número da mais prestigiosa revista científica do mundo, a reportagem de capa trata da descoberta de pesquisadores brasileiros relacionados com o seqüenciamento genético de uma bactéria que provoca o amarelinho, praga que ataca os laranjais provocando prejuízos anuais de milhões de dólares. A partir desse seqüenciamento genético poderemos vir a criar mecanismos para combater o amarelinho, e economizar importantes divisas que poderão ser aplicadas em áreas como saúde, segurança e educação. Esta grande conquista brasileira nos enche de orgulho e indica que o Brasil tem, de fato, pesquisadores bem formados e capazes de competir de igual para igual com cientistas de países mais desenvolvidos. Embora estejamos todos comemorando este feito da ciência brasileira, na verdade são os cientistas paulistas que merecem nossos elogios e reconhecimentos. Não fosse uma iniciativa do Estado de São Paulo de financiar em grande escala o Projeto Genoma Paulista, hoje não teríamos o que comemorar nesta área. Os avanços científicos se fazem com pesquisadores e com investimentos. A nossa bem-sucedida política de formação e capacitação no universo acadêmico tem produzido pesquisadores de grande competência e vocação para a ciência. A existência de uma fundação como a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) tem garantido o financiamento das atividades desses pesquisadores de São Paulo. Santa Catarina possui hoje uma população significativa de pessoas bem formadas academicamente. São mais de 3 mil mestres e doutores nas mais diversas áreas do conhecimento. Possuímos também um contingente de 6 mil alunos de pós-graduação que, de uma forma ou de outra, estão comprometidos com a pesquisa científica e tecnológica. Não há por que nos sentirmos inferiorizados diante do notável feito conquistado pelos paulistas. Para celebrarmos em um futuro próximo o nosso "Projeto Genoma", precisamos, primeiro, que a nossa já criada fundação estadual de pesquisa passe a receber as receitas fiscais do Estado que lhe são devidas. ÁLVARO T. PRATA, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFSC