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O professor e os rumos da USP

Publicado em 08 janeiro 2011

Com formação em psicologia, o professor Sebastião de Sousa Almeida, atual diretor da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto, promoveu uma reestruturação na faculdade com a criação de novos departamentos de Educação e Comunicação e do Departamento de Música. Para o professor, as mudanças vão permitir no futuro a criação de um instituto de Humanidades e Artes, que poderá implantar cursos na área de Comunicação e Artes nos próximos anos.

Hélio - Onde o senhor nasceu?

Sebastião - Nasci em Guaira. Fiquei lá até o 2º colegial e fiz o último ano do colegial em Ribeirão Preto, na Escola Estadual Otoniel Motta. Fiz a minha formação no ensino fundamental e no ensino médio em escola pública. Vim para Ribeirão em 1976. Prestei vestibular para o curso de psicologia na USP. Ingressei em 1977 como aluno.

Hélio - O senhor é formado em psicologia?

Sebastião - A minha graduação é em psicologia. Aqui na faculdade temos três habilitações: bacharelado , licenciatura e psicólogo. Destes três, fiz duas. Sou bacharel e psicólogo.

Hélio - O senhor se especializou nos efeitos da desnutrição no desenvolvimento psicológico da criança. Como é este trabalho?

Sebastião - Comecei na graduação. Temos uma pratica: grande parte dos nosso alunos fazem iniciação científica. Assim que ingressei, tinha um professor que trabalhava com esta área de desnutrição, tinha acabado de voltar dos Estados Unidos, era o professor Luis Marcelino de Oliveira. E durante a graduação comecei a trabalhar com ele, com bolsa da Fapesp. Comecei a trabalhar com os efeitos da desnutrição no início da vida, quando o cérebro está se formando, as consequências desta desnutrição durante a formação do cérebro e, mais tarde, no comportamento dos organismos. A desnutrição é uma coisa estudada a muito tempo, mas com o comportamento alterado de organismo desnutrido era uma coisa recente. Na realidade, desde a graduação, trabalho com isto. Com o desenvolvimento da pesquisa chegamos a conclusão que precisaríamos de uma abordagem farmacológica para desnutrição. E não tinha na Faculdade de Filosofia um programa de psicobiologia, que hoje inclusive é referência. Com a ausência de um programa aqui, fui estudar desnutrição na faculdade de medicina com o professor José Eduardo Dutra de Oliveira. Como não existia curso de pós-graduação na área de nutrição, acabei indo para a Farmacologia, tanto que meu doutorado é em farmacologia.

Hélio - A desnutrição no início da vida causa sérios problemas?

Sebastião - Problemas comportamentais. Alguns deles acabam levando algum tipo de problema comportamental. Na realidade, o que fazemos é pegar o rato de laboratório, submetê-lo a uma desnutrição grave, pouco severa, que é a redução muito grande da proteína dele. Isto produz uma desnutrição intensa no animal. Se a gente quisesse fazer uma relação com uma criança, seriam aquelas que a gente vê na África, pele e osso. Este animal fica sendo alimentada por uma mãe que está com uma dieta que provoca desnutrição, o que provoca uma menor quantidade de leite, um leite de pior qualidade e o filhote fica desnutrido. Exatamente naquele período em que o cérebro dele está se desenvolvendo, é o período de lactação, que são 21 dias. A gente pega este pico de crescimento dele e desnutre. Isto causa uma série de lesões no cérebro em algumas áreas que a gente sabe que são da área de comportamento. No nosso laboratório, a gente sempre se preocupou com aprendizagem, memória e emoções. Quando você faz isto recupera nutricionalmente este animal. O objetivo não é estudar a desnutrição mas, sim, o efeito quando ele está mais velho.

Hélio - O senhor começou a ministrar aulas aqui na USP em Ribeirão?

Sebastião - Ainda no meu mestrado, fui contratado para dar aulas na Universidade Estadual de Londrina. Trabalhei lá de 1985 a 1988, quando abriu uma vaga para concurso e eu prestei concurso e vim para cá. Estou aqui na faculdade desde 1988.