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O passado e o futuro na Astronomia

Publicado em 15 setembro 2018

A curiosidade sobre a origem do Universo sempre acompanhou civilizações, religiões e sistemas filosóficos. Só no século 20, no entanto, a ciência determinou a explicação vigente de que o Universo foi criado há 13,8 bilhões de anos a partir de uma explosão, o Big Bang.

“Até 1930 mais ou menos, a percepção do homem sobre o Universo era muito limitada. Isso mudou com o avanço tecnológico, que permitiu observar mais, fazer medições e comprovar ou descartar hipóteses que tinham sido levantadas previamente”, disse Carola Dobrigkeit Chinellato durante o programa Ciência Aberta, uma parceria da FAPESP e da Folha de S. Paulo, no dia 4 de setembro.

Chinellato é professora titular no Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) da Unicamp e preside o comitê de publicações da Colaboração Pierre Auger, maior observatório do mundo dedicado ao estudo e à detecção de raios cósmicos.

Também participaram do programa João Steiner, professor titular no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP) e coordenador-geral do projeto GMT-FAPESP, e Elisabete de Gouveia Dal Pino, professora do IAG-USP e membro do conselho colaborativo do Cherenkov Telescope Array (CTA).

A mediação do debate foi feita pela jornalista Alexandra Ozorio de Almeida, diretora de redação da revista Pesquisa FAPESP.

“Encontrar planetas é fácil. O próximo passo é descobrir vida fora da Terra”, disse Steiner. De acordo com o astrofísico, embora a maioria dos planetas encontrados seja parecida com Júpiter – em massa e na condição extrema e não habitável –, existe uma busca atualmente por planetas que tenham água e oxigênio.

“Nós só conhecemos um planeta onde tem vida: a Terra. Isso embora 4 mil planetas tenham sido descobertos fora do Sistema Solar e só a Via Láctea deve ter mais ou menos uns 15 bilhões de planetas. O desafio é descobrir quais deles têm vida. Estamos prestes a descobrir planetas com água e oxigênio, condição primordial para que haja vida. Isso deve ocorrer nos próximos anos”, disse.

Steiner é diretor-geral do Telescópio Gigante de Magalhães (GMT), que está sendo construído no deserto do Atacama (Chile) e funciona por modo de um consórcio internacional cujo parceiro brasileiro é a FAPESP. O conjunto de 7 espelhos com 8,4 metros cada corresponde a um único espelho de 25 metros de diâmetro. O poder coletor do GMT é 100 vezes maior e as imagens são 10 vezes melhores que as produzidas pelo telescópio Hubble.

“Com o GMT, queremos descobrir planetas habitáveis e caracterizá-los, ou seja, descobrir se têm água e oxigênio. Queremos também descobrir o que aconteceu entre o Big Bang e o universo atual, como se formaram as primeiras estrelas, galáxias”, disse Steiner.

Estima-se que a Terra tenha se formado há 4,6 bilhões de anos, portanto muito depois de ter ocorrido o Big Bang. “Antes da Terra já havia bilhões e bilhões de planetas. O problema é que ainda não temos tecnologia para detectar esses sinais. Até 20 anos atrás, não tínhamos tecnologia para detectar um único planeta fora do Sistema solar. Esses tantos planetas que hoje conhecemos foram descobertos nos últimos 20 anos graças aos avanços tecnológicos”, disse.

Fonte: Agência Fapesp