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Cenário Agro

O papel da pesquisa no controle da CVC

Publicado em 13 julho 2016

Por Sílvia Sibalde

Reunindo pesquisadores, especialistas, consultores e estudantes, a FAPESP em parceria com o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) apresentaram na manhã desta quarta-feira (13) um panorama das pesquisas desenvolvidas no controle biológico da Clorose Variegada de Citros (CVC), conhecida como praga do amarelinho. Considerada a maior ameaça da citricultura nos anos 1990, a doença está praticamente extinta dos pomares de laranja. “O que a parceria FAPESP e Fundecitrus realizou foi o desenvolvimento de um conhecimento científico para resolver um problema que afetou a produtividade”, disse José Goldemberg, presidente da FAPESP, durante a abertura do evento.

“O que fizemos foi unir pesquisadores, estudantes, o setor privado e o governo em prol de benefícios para a sociedade como um todo”, disse na sequência, Lourival Carlo Mônaco, presidente do Fundecitrus. “O trabalho feito com a Xylella fastidiosa (bactéria causadora da CVC) nos serviu de exemplo para o controle do Greening”, completou.

“Quero aqui aplaudir e ressaltar a importância desta parceria que criou uma rede de decodificação com resultados extraordinários”, disse Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, também presente no evento.

Após a cerimônia de abertura, alguns pesquisadores falaram sobre trabalhos desenvolvidos durante o período de decodificação do genoma da Xylella fastidiosa, o projeto Genoma FAPESP, concluído em 2000, com a participação de cerca de 200 pesquisadores.

Antônio Juliano Ayres, gerente geral do Fundecitrus, falou que o desafio da superação de uma praga como a CVC só foi possível devido a dois fatores: “pesquisa e um citricultor, em sua maioria, altamente tecnificado”, disse. “A CVC foi responsável pela erradicação de mais de 100 milhões de árvores; tivemos uma quebra de 20% da produção e os prejuízos foram de mais de R$ 1 bilhão”, informou. “A CVC nos deixou mais fortes; tornou nossa citricultura mais competitiva e eficiente. Poderíamos estar como a Flórida hoje, de joelhos”.

Abordando a importância da participação da iniciativa privada em pesquisas científicas, Carlos Henrique de Brito Cruz, pesquisador científico da FAPESP, falou sobre a importância do Fundecitrus na decisão pela decodificação da bactéria da CVC. “Enquanto estávamos decidindo que genoma deveríamos sequenciar, o Fundecitrus nos chegou com a questão pronta; com todo o panorama da doença e o porquê deveríamos investir nisso”, conta. “Hoje, 60% dos investimentos em pesquisa são de empresas privadas. A FAPESP se beneficiou muito dessa parceria com o Fundecitrus”.

Na sequência, foram apresentadas pesquisas relativas ao manejo da CVC; aos avanços na área de insetos vetores no controle da doença e também estudos epidemiológicos.

CVC hoje

De acordo com o Fundecitrus, 3,02% das laranjeiras do parque citrícola do Brasil está afetado pela doença. Este é o menor índice desde que se iniciou o levantamento em 1996.

Nos últimos anos, segundo a instituição, a doença vem regredindo em todas as idades de plantas, se tornando um problema secundário, porém ainda forte em pomares mais velhos, acima de 10 anos, remanescentes da época do surgimento da doença.

A queda nos índices da doença deveu-se à erradicação das plantas doentes que já estavam velhas e com baixa produtividade e a substituição por pomares sadios plantados sob um sistema de prevenção e manejo da CVC.