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Jornal da Ciência online

O papel da Ciência no desenvolvimento econômico do Estado de São Paulo

Publicado em 03 dezembro 2020

“A comunidade científica brasileira, em especial do estado de São Paulo, vê com alívio a decisão do governo do Estado de preservar os recursos destinados à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) em 2021, excluindo-os do conjunto de restrições adotadas no Projeto de Lei Orçamentária Anual”, escrevem Vanderlan S. Bolzani, Paulo Artaxo, Adriano D. Andricopulo, respectivamente, presidente e diretor da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp)

Quanto mais se aprofundam crises econômicas, sociais e sanitárias, mais fundamental se torna o papel dos governantes, a quem cabe equacionar problemas e buscar respostas. Mas há uma certeza em meio a tantas dúvidas e dificuldades: as respostas concretas e as soluções mais eficazes sempre vêm do conhecimento especializado existente na sociedade brasileira. Ninguém, em sã consciência, neste século XXI, pensaria em resolver as complexas questões que enfrentamos hoje em áreas prioritárias de interesse comum, como saúde, energia, ambiente e alimentação, sem o respaldo do conhecimento científico e tecnológico. O que torna eficiente as ações dos governantes é a capacidade de utilizar a ciência e os conhecimentos científicos por ela gerados para o bem comum, da maneira mais competente possível.

É nesse contexto que a comunidade científica brasileira, em especial do estado de São Paulo, vê com alívio a decisão do governo do Estado de preservar os recursos destinados à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) em 2021, excluindo-os do conjunto de restrições adotadas no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PL 627/2020) para administrar a atual crise econômica advinda da pandemia. Mais do que isso, essa decisão poderia ser um ponto de inflexão para a consolidação de uma nova postura política do governo paulista em relação aos investimentos em Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I). Os resultados a longo prazo seriam decisivos na geração de riqueza e empregos para o povo paulista.

A estrutura da pesquisa científica e tecnológica no estado de São Paulo, que vem crescendo e se solidificando há quase um século, a partir da fundação da Universidade de São Paulo (USP) em 1934, a coloca hoje em destaque internacional ao lado dos países mais desenvolvidos. Sem dúvida, assumir o papel de protagonista representa a vocação dos cientistas na busca de soluções para os grandes desafios nacionais. Por exemplo, em tempos difíceis que demandam respostas rápidas e enérgicas, ficou claro o papel essencial da ciência no enfrentamento da pandemia de covid-19. E para retomar o crescimento econômico após esta pandemia, é preciso explorar de forma inteligente os recursos naturais que o país dispõe, agregando mais valor e vantagens competitivas a sua reconhecida capacidade de produtor de commodities. A atual etapa de desenvolvimento econômico mundial tem como horizonte uma indústria mais limpa, baseada em fontes de energia renováveis, comprometidas com a causa da sustentabilidade ambiental. Não é difícil imaginar o futuro em que os detentores das tecnologias capazes de gerar riquezas nessa nova economia “verde” ditarão as regras do comércio mundial.

Ao fazer suas escolhas para definir o seu lugar nesse cenário, o Estado de São Paulo conta com um lastro único e valioso, que é a Fapesp. Sua experiência de articular as estruturas das universidades e institutos de pesquisas paulistas com outros setores da sociedade, e de induzir iniciativas voltadas à inovação tecnológica é um exemplo concreto de que é possível implantar políticas de investimentos regulares e sustentáveis em CT&I e transformá-los em resultados diretamente ligados ao desenvolvimento socioeconômico. Esse papel indutor é indispensável para o crescimento contínuo do país e para superar crises, como a da pandemia de covid-19, com consequências devastadoras na saúde da população e na paralisação de algumas atividades econômicas, colocando em risco a sobrevivência das empresas e a manutenção de empregos.

Agora, mais do que nunca, é essencial ampliar os canais de diálogo entre governo, empresas, instituições de pesquisa e agências operacionais, na busca de uma visão comum que assegure a ciência, tecnologia e inovação como instrumentos vitais para o desenvolvimento humano.

Vanderlan S. Bolzani, Paulo Artaxo, Adriano D. Andricopulo

Diretoria da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (ACIESP)