Notícia

Gazeta Mercantil

O novo negócio de endereços eletrônicos

Publicado em 13 janeiro 2000

Por Danilo Jorge - de Belo Horizonte
"O comércio de domínios não é uma atividade oficial e está longe de usar uma ética recomendável", critica Hartmut Richard Glaser, coordenador de registro da Fapesp. Para ele, o Brasil deveria adotar uma lei que proibisse as operações de compra e venda de endereços eletrônicos. "Há uma tendência mundial para coibir esse tipo de atividade, que vem afetando principalmente as marcas mais famosas". "É muito difícil para uma empresa controlar a criação de domínios que façam referência ao seu nome e ao de seus produtos, por isso deveria existir uma legislação rígida contra a pirataria", concorda Sérgio Gazzola, gerente de rede da Telemig Celular, operadora da banda A em Minas Gerais, controlada por um consórcio liderado pela canadense Telesystem Internatinal Wireless (TIW). A empresa conta hoje com 10 domínios registrados sob a terminação ".com.br". Além de variações de endereços institucionais, foram cadastrados nomes relacionados a produtos, como o "celularonline.com.br", acesso ao serviço de mensagens que a operadora oferece aos clientes. "Alguns domínios foram registrados por precaução", assinala Gazzola. Apesar de toda a cautela, a operadora não é mais dona do endereço "telemigcelular.com", pertencente à Conexion Capital, sediada em Nova York (EUA). "Deveria haver uma regulamentação internacional que proibisse o uso indevido de marcas conhecidas", recomenda Gazzola. "O domínio é uma commodity e uma ótima opção de investimento", diz Ítalo Naddeo, um dos donos da Domains Bank, de Belo Horizonte, constituída há três anos para administrar e negociar endereços eletrônicos na Web. A empresa virtual, controlada pela Artmídia, tem uma carteira com cerca de 500 domínios, todos de primeiro nível - aqueles sob terminação ".com", ".net" e ".org". São dela, por exemplo, "disneylandia.com", "bancoalfa.com", "4ro-das.com" e "somlivre.com". A Domains Bank também detinha o domínio "americanas.com", vendido ao grupo GP Investimentos por US$ 65 mil, segundo Naddeo. Agora, está atrás de um parceiro com o propósito de organizar um novo site. "A idéia é ter um sócio estratégico para ampliar o atendimento às consultas de usuários de domínios".