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SESC SP

O mundo a um clique

Publicado em 31 janeiro 2021

"Criar meu web site, fazer minha home page, com quantos gigabytes se faz uma jangada e um barco que veleje”, questionou Gilberto Gil na canção Pela Internet (1996), um ano depois da chegada deste invento que mudaria nosso dia a dia. Ao popularizar em letra a descoberta, o músico baiano vislumbrou apenas uma fresta dessa criação que em 25 anos revolucionou a forma como aprendemos, trabalhamos, nos relacionamos e vivenciamos expressões culturais, como a música, o cinema e as artes cênicas. Na pandemia, então, os mares da World Wide Web, criada pelo físico britânico Tim Berners-Lee alguns anos antes do surgimento da internet, tiveram importância maximizada, dada a restrição social, que nos levou a adaptações e reflexões.

Mas nem sempre foi assim... Lembra quando a sociedade ainda era totalmente analógica? Talvez você não tenha nascido na época, ou era muito jovem, mas, antes da chegada e popularização da internet, era comum passar horas numa videolocadora para escolher e alugar um filme em VHS ou DVD. Jovens ficavam a postos para apertar o botão REC do aparelho de som e gravar numa fita K7 o hit da rádio. Aguardava-se, em suspense, o telefonema de um amigo ou o interurbano da avó. A consulta a pesadas enciclopédias na biblioteca era a ferramenta auxiliar para escrever a tarefa escolar em letra cursiva num caderno (leia boxe Nada será como antes).

Um dos pioneiros da internet no país, diretor presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto br (NIC.br) e conselheiro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), o engenheiro Demi Getschko recorda o primeiro momento da nova tecnologia. “Era mais difícil usar uma máquina de escrever do que, hoje, manusear um celular. Por isso, uma coisa é clara: quanto mais tecnológicas as ferramentas, menos complexo é seu uso. No começo da internet, era preciso dominar inglês. Hoje isso é furado. Tanto que todos usam celular e ninguém tem dificuldade alguma. Outra diferença do começo é que hoje estamos o tempo todo conectados”, disse em entrevista à Revista E nº 268, de janeiro de 2019.

Para entender a dimensão do alcance da internet, basta comparar a quantidade de internautas nestes últimos 25 anos. No final de 1995, o número de brasileiros conectados era de 120 mil, segundo dados publicados no site NIC.br — vale destacar que a conexão era feita pela linha telefônica, que ficava ocupada quando alguém estava na internet. Mais de duas décadas depois, precisamente em 2019, o número de usuários chegou a 134 milhões, segundo a última pesquisa TIC Domicílios, do Comitê Gestor da Internet. A pesquisa ainda apontou que 79% da população está conectada, mesmo que muitas pessoas desconheçam que aplicativos de mensagens, por exemplo, representam uma conexão à internet.

Adaptação necessária

Se estamos cada vez mais conectados, a pandemia no ano de 2020 reforçou esse laço com o mundo virtual. Fosse no trabalho, na educação formal ou não formal, no lazer e até mesmo nas práticas esportivas e atividades físicas. Nas escolas e universidades, estudantes tiveram que se adaptar ao ritmo e cadência das aulas virtuais, da mesma forma que professores precisaram se ajustar a essa realidade.

“Desenvolver uma aula online requer a revisão de metodologias e até dos modos de apresentar o conteúdo caso haja materiais de apoio. E mesmo que seja uma aula baseada no falar do professor, esse professor não pode falar por muito tempo seguido. Ele não aguenta e os alunos muito menos. Então, o professor tem que adotar novas metodologias”, explicou a professora Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida, especialista em ensino online e vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Educação: Currículo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), na Revista E nº 288, de outubro de 2020.

No campo das artes, criadores das áreas de cinema, música e teatro, entre outras, buscaram formas de se apresentar e chegar ao público. Cerradas as portas de salas de cinema e teatro, as transmissões ao vivo em plataformas digitais, as famosas lives, dominaram a cena com espetáculos e apresentações musicais. Experimentos que devolveram a artistas, diretores, produtores, técnicos e público a possibilidade de se reencontrarem mesmo na pandemia. Festivais nacionais e internacionais da sétima arte também passaram a ser disponibilizados para um público ainda maior, cruzando fronteiras geográficas por meio de serviços de streaming on demand.

Conexão consciente

Dessa forma, a cada ano estamos mais imersos na web. Por isso, é preciso que a sociedade esteja informada e consciente de como navegar nesses “mares” que mais da metade da população mundial desbrava, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Também é crucial que a outra metade do mundo possa se conectar e participar dessas águas. “Lembrando que uma coisa é a rede e outra coisa é o uso que se faz dela por meio de plataformas como Google, Facebook etc.”, afirma a pesquisadora em Comunicação Digital Pollyana Ferrari, professora do Departamento de Comunicação da PUC-SP.

“Ao longo desses 25 anos de internet tivemos ganhos incríveis, saltos que mudaram a forma de fazer comunicação. Claro que uma live, transmitida numa plataforma digital, por exemplo, não é o mesmo que uma apresentação presencial, mas a rede nunca veio para suprir o presencial, nem foi essa a proposta original, que é conectar pessoas”, acrescenta.

Nos primeiros anos da internet no Brasil, Ferrari recorda do trabalho como jornalista de tecnologia no jornal O Estado de S.Paulo e da reação dos leitores com as notícias. “A gente não pode negar que os conceitos de participação mudaram graças à rede. Ela possibilitou novas práticas de circulação do público, que ganhou voz e conteúdo, e isso se tornou um marco”, analisa a professora, que ainda pontua como destaques a internet no celular, a plataforma de vídeos YouTube e, mais recentemente, o impacto da rede durante a pandemia.

Que outros saltos podemos esperar daqui para a frente? Quantos anos mais a internet terá? Segundo a pesquisadora Pollyana Ferrari, enquanto existirmos, diversas plataformas digitais podem se extinguir, como aconteceu com o Orkut, mas a internet seguirá ativa nos conectando e avançando em alcance. Por isso, um desafio cabe a seus usuários: manterem-se vigilantes desse “organismo vivo” que é a web. Seja na regulamentação sobre plataformas e direitos sobre o uso de dados; na educação midiática para evitar manipulações e fake news; e no conteúdo que produzimos e compartilhamos diariamente nas plataformas. “A rede não é uma entidade. Ela é o que fazemos dela e por isso vai reverberar o que a sociedade faz no mundo presencial”, complementa.

Nada será como antes

HÁBITOS E OBJETOS QUE SE TORNARAM OBSOLETOS COM A REVOLUÇÃO DA WEB

Quem nasceu com a internet costuma achar trivial pesquisar um tema ou localizar o contato de uma pessoa por meio de um buscador. Mas até a rede chegar a milhões de lares brasileiros, enciclopédias e listas telefônicas eram itens indispensáveis nesta tarefa. Da mesma forma, um telefone residencial era imprescindível para se comunicar e realizar as primeiras conexões da internet discada. Não havia WhatsApp, Instagram, Facebook ou qualquer outro aplicativo para a comunicação entre pessoas de diferentes partes do mundo, nem serviços de streaming de vídeo e de música para assistir a um filme ou ouvir um disco na hora que bem desejasse. O que mais mudou de lá para cá? Conheça (ou relembre) alguns hábitos e objetos que faziam parte da rotina analógica e que se tornaram obsoletos com a revolução provocada pela internet.

Fulano tá na linha

Imagine um mundo onde ninguém sabe onde você está agora. Sem acesso à internet, o telefone era um aparelho residencial e de uso comunitário. Em casa, quem o atendia perguntava, seguido do “alô”: Quer falar com quem? Podiam ser ligações locais de amigos, namorados ou interurbanos de algum parente. Agora, se você estivesse na rua e quisesse avisar em casa que chegaria atrasado, o orelhão era a alternativa da vez. A regra era sempre ter algumas fichas telefônicas no bolso.

Conhecimento em volumes

Pesadas, de capa dura e em letras miúdas, as enciclopédias eram itens de luxo para ter em casa. Acervo de conhecimento geral, cujos assuntos eram divididos em ordem alfabética, elas continham tudo — ou o que se acreditava ser tudo — que você pudesse imaginar e precisar. E, quando um conceito ou personagem estava acompanhado por imagens, aquilo era um bônus para o leitor. Quem não tinha enciclopédias em casa costumava consultar volumes disponíveis nas bibliotecas e fazer fotocópias do assunto investigado para uma tarefa da escola ou da universidade.

Rebobine, por favor!

Alugar uma fita VHS era um hábito comum, principalmente no final de semana. Infelizmente, era concorrida a disputa pelas poucas fitas dos filmes que acabavam de sair das salas de cinema para as prateleiras. Quando se conseguia, o título era assistido até mais de uma vez. Na videolocadora, os funcionários costumavam dar dicas de novidades e do acervo aos frequentadores, que, muitas vezes, ganhavam descontos se alugassem muitos títulos de uma só vez. Ah… Só não podia esquecer de rebobinar e devolver a VHS para não levar multa.

Manda um cartão-postal

Era comum a troca de correspondências entre amigos e familiares. Notícias de como estavam, o que faziam, se estavam planejando as férias do final de ano, toda sorte de informação era registrada no papel em letra cursiva ou por uma máquina de escrever. Depois, selada e enviada. No caso de viagens, havia quem preferisse mandar cartões-postais de praias, museus, praças ou o que o remetente julgasse interessante para ilustrar a mensagem que levaria dias ou semanas até chegar ao destinatário.

Lado A / Lado B

Grudados no rádio, adolescentes e jovens frequentemente queriam gravar suas músicas favoritas num mixtape. A seleção podia ser para tocar numa festa, para dar de presente ou simplesmente ouvir repetidas vezes sozinho. Para isso, podia-se ficar o dia inteiro colado no aparelho de som, com o dedo a postos no botão REC a fim de gravar sua canção favorita. A decepção vinha quando entrava uma propaganda no meio da música ou quando a fita K7 enroscava e a mixtape ia parar no lixo.

Sesc digital em números

O Sesc possui as seguintes contas ativas no estado: @sescsp + suas 41 unidades e 9 contas de programas institucionais (Mesa Brasil, Selo e Edições Sesc, Esporte SescSP, Sesc ao vivo, ETA – Espaço de Tecnologias e Artes, CM – Centro de Música, CPT – Centro de Pesquisa Teatral e SescTV). São:

48 páginas no Facebook 51 canais no Instagram e 40 perfis no Twitter que somam 5.520.512 seguidores espontâneos, uma vez que o Sesc não impulsiona (patrocina) suas ações nas redes sociais Desde o lançamento, em abril de 2020, a plataforma Sesc Digital já teve 1.324.378 visualizações Apenas o canal @sescsp no YouTube teve 8.796.686 visualizações de lives no último ano Dados coletados entre os dias 18 e 20 de janeiro de 2020

Lugar de troca e conhecimento

PORTAL SESCSP CELEBRA 25 ANOS COMO UM ESPAÇO DE RELACIONAMENTO, EXPERIMENTAÇÕES E CONTEÚDO

Alinhado às novidades tecnológicas e seu impacto sobre a sociedade, o Sesc São Paulo lança seu site no ano seguinte à chegada da internet no Brasil. Não um espaço comercial, mas um lugar que traduzisse no meio virtual a experiência das atividades presenciais realizadas pela instituição, e que expandisse seu relacionamento com o público. Em 1996, o Portal SescSP (www.sescsp.org.br) nasce como uma unidade virtual e começa a experimentar as potencialidades da web.

De lá para cá, o Portal amplia sua atuação junto ao público: compra de ingressos, agendamento de consultas do serviço de Odontologia, programação de cursos, espetáculos, palestras, entre outras ações e atividades. Até que, em 2020, é lançada a plataforma Sesc Digital (www.sescsp.org.br/sescdigital), projeto que visa transpor as ações do Sesc ao ambiente e à linguagem digitais. Além disso, a plataforma busca expandir o alcance das suas práticas de ação e difusão cultural, fortalecendo o compromisso com um processo educativo participativo, continuado e inclusivo.

“O público encontra no Sesc Digital um conjunto de programações inéditas, planejadas especificamente para o meio online, como cursos livres no formato de ensino a distância (EAD), séries de podcasts e documentários — apenas para citar alguns exemplos —, e pode explorar ainda um universo de mais de 10 mil produções que representam os 74 anos de atuação sociocultural da instituição. São registros de shows, espetáculos, oficinas, cursos, palestras e exposições, além de fragmentos de memórias de ações e atividades relacionadas às grandes áreas de atuação do Sesc: educação, saúde, cultura, lazer e assistência social”, explica Fernando Amodeo Tuacek, gerente do Sesc Digital. “Ao recuperarmos, digitalizarmos e disponibilizarmos todos esses acervos de forma livre e gratuita, esperamos contribuir para a reverberação de princípios que norteiam o Sesc, como o estímulo à autonomia pessoal e a valorização do contato com expressões e modos diversos de pensar, agir e sentir”, complementa.

CAIU NA REDE

1996

Em setembro de 1996, é lançado o primeiro site do Sesc São Paulo, hospedado na Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Era o tempo da internet discada e lenta. A Revista E é parcialmente publicada na internet neste ano e levada integralmente ao ambiente online em 1997.

1999

Lugar de pesquisa, estudo, criação, experimentação: este seria o espaço do Sesc São Paulo na internet. O site ganha um banco de dados onde todas as unidades cadastram sua programação (sistema que existe até hoje), com todas as categorias. A parceria com artistas e pesquisadores da internet viabilizou a criação de vários sites com versões digitais da programação. Nesse ano, o Portal reunia sites 100% interativos. Estava sendo criada ali a desejada concepção da “unidade virtual” do Sesc São Paulo. Exposições temáticas foram adaptadas para a internet.

Criaram-se os sites “Mitos que vêm da mata”, “Procure sua turma”, “Por quê, Pra quê?”, “Paisagem 0”, “Brincadeira de Papel”, entre outros totalmente interativos.

2002

É criado o site dedicado ao pensador Edgar Morin e seguem as experimentações de linguagens para a criação de sites a partir de atividades da programação.

2005

O Portal SescSP passa a investir no desenvolvimento de funções de prestação de serviço ao público. Iniciam os trabalhos para venda online de ingresso, inscrições nos cursos e agendamento de consulta para tratamento odontológico, entre outros serviços. Ou seja, um espaço de comunicação e relacionamento com o público. Os sites agora tinham o sentido de assegurar a presença dos projetos institucionais na internet: Dia do Desafio, Circuito Sesc de Artes, Mirada — Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, Circos — Festival Internacional de Circo e Bienal Naïfs do Brasil, entre outros.

2007 a 2009

Com a chegada do Orkut, foram criadas espontaneamente pelos públicos frequentadores das unidades do Sesc São Paulo e dos demais regionais no Brasil mais de 1.000 comunidades nesta rede social. Ficou evidente a importância de o Sesc ter seus próprios canais nas redes sociais. Em 2007, o Sesc abre o perfil @sescsp no Twitter, que em cinco anos já tinha um milhão de seguidores. E em 2008 abre o perfil @sescsp no Facebook. No ano seguinte, cada unidade abriu seu próprio perfil para se relacionar com seus públicos de forma propositiva. As timelines do Sesc São Paulo são ocupadas com posts sobre todos os temas abordados em sua programação.

2013

É publicada a versão do Portal que está no ar até agora. Cada unidade passou a ter um editor web para atualizar suas home pages no Portal e timelines no Twitter, Facebook e Instagram.

2016

Cria-se a área do Sesc Digital, com equipes dedicadas a consolidar os aprendizados acumulados ao longo dos 20 anos de atuação digital do Sesc São Paulo e a ampliar o alcance de sua presença online.

2020

É lançada a plataforma Sesc Digital, que é o repositório do conteúdo do Sesc São Paulo e tem um acervo de vídeos, textos e áudios, além de cursos livres e gratuitos de Educação a Distância (EAD).

 

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