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O mais famoso dos eclipses

Publicado em 18 maio 2014

Ao longo dos séculos, os eclipses foram associados a mitos e lendas por povos de várias civilizações, anunciavam maus presságios e, nas ocasiões de suas ocorrências, serviam para cultos religiosos e sacrifícios. Para os antigos chineses, uma lenda conta que durante um eclipse, um dragão devorava o Sol e logo depois o regurgitava. Já para os antigos egípcios, a serpente Apófis, inimiga do deus Rá (Sol), periodicamente se colocava à frente do Sol, impedindo que sua luz atingisse a Terra.

 

Mas mesmo na antiguidade, a observação dos eclipses já tinha algum cunho científico. Sabe-se, por exemplo, que Tales de Mileto conhecia o período Saros, de ocorrência dos eclipses. No início do século XIX, as observações científicas dos eclipses tiveram especial atenção dos astrônomos e trouxeram várias descobertas.

 

Na coluna de hoje, chamo a atenção do leitor para o famoso Eclipse de 29 de maio de 1919, que completa este ano 95 anos. O eclipse foi observado com alto interesse científico, especialmente em duas localidades: na Ilha do Príncipe, situada no Golfo da Guiné, e em Sobral (CE). O principal objetivo era comprovar a Deflexão do Raio Luminoso, previsto por Albert Einstein na sua Teoria da Relatividade Geral.

 

O que poucos brasileiros sabem é que foi realmente em Sobral (CE) que foi comprovada pela primeira vez a teoria de Einstein. Em seu artigo, publicado na Pesquisa On-line Fapesp, o professor doutor Augusto Daminlei (um dos mais importantes astrofísicos brasileiros da atualidade) escreve: “Existe um fato curioso sobre esse evento: as melhores provas do ‘efeito Einstein’ (como era chamada a deflexão da luz pela gravidade) foram obtidas no Brasil, em Sobral, mas isso foi esquecido pela maioria dos autores atuais, que só associam o feito às ilhas Príncipe, no Golfo da Guiné, perto da costa ocidental africana. O próprio Einstein, em passagem pelo Rio de Janeiro, teria reconhecido: ‘O problema que minha mente formulou foi respondido pelo luminoso céu do Brasil’. A falha de reconhecimento à importância de Sobral precisa ser corrigida, não só porque a demonstração da deflexão aconteceu aqui, mas porque o sucesso da missão inglesa que comprovou a teoria de Einstein se deveu, em parte, ao apoio logístico e levantamentos climáticos feitos por Henrique Morize, então diretor do Observatório Nacional do Rio de Janeiro”.

 

A comissão inglesa, encarregada da verificação do “efeito Einstein”, foi chefiada pelos doutores C. D. Cramelin e C. Davidson. A comissão brasileira foi chefiada pelo doutor Henrique Morize, que trouxe os astrônomos Domingos Costa, Lélio Gama, Teófilo Lee, Luís Rodrigues e Arílio de Matos.

 

Instrumentos astronômicos de primeira qualidade, para a época, foram montados para a observação do eclipse. Um astrógrafo de 13 polegadas de abertura por 3,5 metros de foco, um telescópio de 4 polegadas e 6 metros de foco e um celóstato (instrumento que faz o Sol “parar”) para melhor observação e fotografia.

 

O local de observação do famoso eclipse foi a Praça do Patrocínio, em Sobral. Lá foi inaugurado, em 29 de maio de 1999 (ocasião dos 80 anos do eclipse), o Museu do Eclipse – único espaço museológico no mundo alusivo ao eclipse e à descoberta de Einstein. Isso, graças ao então prefeito de Sobral, Cid Gomes.

 

Outras expedições para observação de eclipses do Sol com o objetivo de comprovar a teoria de Einstein foram realizadas, porém frustradas. Uma delas, em 1914 na Alemanha, foi impedida por razões políticas. Outra, na Argentina, em 1916, não foi realizada por causa do mau tempo. Mas em 1919, o céu de Sobral permitiu e foram feitas excelentes observações.

 

O que poucos brasileiros sabem é que foi realmente em Sobral (CE) que foi comprovada pela primeira vez a teoria de Einstein

 

No céu

 

Para observar

Marte e Saturno estão no céu noturno de maio e junho. Olhando para o nascente (leste), a partir das 19 horas e a aproximadamente a 45º acima do horizonte, você verá no céu um objeto brilhante amarelo/avermelhado sem cintilar (“piscar”). É Marte. Logo à direita e mais abaixo temos um outro objeto brilhante, também amarelado e sem cintilar. É Saturno. Com um pequeno telescópio você poderá ver os seus anéis.

 

Para curtir

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