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Mulheres na Ciência

O legado de Waldisa Rússio

Publicado em 07 novembro 2018

Por Viviane Panelli Sarraf

Somos Viviane, Paula e Sophia, uma equipe de três mulheres que atuam no Projeto Jovem Pesquisador da FAPESP intitulado “O Legado Teórico de Waldisa Rússio Camargo Guarnieri”. O objetivo de nosso trabalho é identificar e difundir o importante legado teórico e profissional de Waldisa Rússio na Museologia nacional e internacional.

Waldisa Rússio Camargo Guarnieri nasceu em 1935, em São Paulo, formou-se advogada pela Faculdade de Direito da USP, prestou concurso e passou a integrar o quadro funcional da administração pública do Estado de São Paulo. Dentro desta esfera, inicia sua trajetória na área da Cultura, participando da viabilização de diversos projetos, como o Festival de Inverno de Campos do Jordão.

Waldisa Rússio. Fonte: http://www.museus.gov.br/projeto-pesquisa-legado-teorico-da-museologa-waldisa-russio/

A partir desta aproximação com o campo cultural, Waldisa adentra nos museus. Dentro da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, participou da reorganização administrativa e conceitual do Museu da Casa Brasileira e Museu de Arte Sacra, estabeleceu contato com profissionais de diversas áreas para compor o trabalho nos museus e prestou assistência para diversos museus no Brasil.

Ao final da década de 1970, Waldisa organizou um Curso de Museologia em parceria com o MASP e a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, o primeiro a ser ministrado no Estado. Viabilizou estágios, bolsas de estudo e oportunidades de trabalho para muitos desses alunos.

Além da sua atuação como docente e técnica da administração pública, Waldisa foi uma das mais importantes teóricas do campo da Museologia nacional e internacional, sendo a responsável pela conceituação do fato museal e da defesa por museus mais democráticos.

Nossa principal fonte de pesquisa é o acervo pessoal de Waldisa Rússio, doado na década de 1990 ao Instituto de Estudos Brasileiros, da Universidade de São Paulo (IEB-USP), após a morte da museóloga. Atuamos organizando, catalogando, pesquisando e buscando formas de difusão deste acervo que é composto por aproximadamente 400 caixas, sendo um dos maiores fundos documentais salvaguardados pelo Arquivo do IEB-USP.

Além do trabalho com o acervo pessoal de Waldisa, buscamos identificar outras instituições que tenham documentação relacionada à sua trajetória e entrevistas com familiares, ex-alunos e colegas de profissão. A ideia é que ao final do projeto seja produzida uma publicação e um banco de dados que permita concentrar a produção de Waldisa Rússio.

Trabalhar neste acervo todos os dias é um desafio inspirador, pois revela a trajetória de uma mulher que mesmo atuando na esfera pública, durante o regime da ditadura civil militar e em um ambiente no qual as decisões eram tomadas majoritariamente por homens, conquistou espaço de trabalho e reconhecimento, influenciou várias gerações de profissionais e lutou incessantemente por museus mais qualificados e abertos ao diálogo.

Acervo Pessoal da Autora