Notícia

A Cidade On (Araraquara, SP)

"O Judeu" digitalizado

Publicado em 08 julho 2008

Nascido no Rio de Janeiro em 1705 e levado para Portugal ainda criança devido à perseguição da Inquisição aos seus pais, Antônio José da Silva (o Judeu, como ficou conhecido) entrou para a história da literatura mundial como o maior dramaturgo português. Morto queimado aos 34 anos, o escritor é tema do projeto de extensão universitária do departamento de Literatura da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Araraquara, comandada pela professora Renata Soares Junqueira, com participação de uma equipe de pesquisadoras do Grupo de Pesquisa de Dramaturgia (GPD) e alunas da graduação.

Todo o garimpo feito pela equipe da professora Renata foi reunido em formato eletrônico e transformado no site www.ojudeu.com.br, com conteúdo raro sobre a vida e a obra do dramaturgo.

Inserida no contexto sociocultural do Brasil e Portugal na primeira metade do século 18, o trabalho é destinado primeiramente aos profissionais da área, pesquisadores universitários e interessados em geral das áreas do teatro e teológica.

De acordo com Renata Junqueira, nem a Universidade de Coimbra, onde estudou Judeu, possui um material semelhante. “Esse trabalho concede à Unesp o mérito de ser a primeira universidade a legar à história um conjunto de documentos sobre o Judeu”, comenta a professora em material enviado pela assessoria de imprensa da universidade.

Além de informações históricas, o site disponibiliza diversas obras de Antônio José da Silva. Entre elas a ópera cômica “Vida do grande D. Quixote de la Mancha e do gordo Sancho Pança”, de 1733 (em cartaz na Comedie Française, em Paris), entre outras raridades. A pesquisadora destaca ainda a cópia original do processo movido pela Inquisição de Lisboa contra Judeu, em texto publicado em 1896 na revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

O espólio teatral de Judeu é formado por oito peças, todas destacadas pela qualidade literária e cênica dos textos e a atualidade dos temas tratados. A crítica satírica das comédias às pessoas e instituições do século 18 permanece atual, especialmente em relação às intolerâncias de toda natureza.

Pioneirismo

O jornalista Alberto Dines, biógrafo de Antônio José da Silva, elogiou o pioneirismo da Unesp de Araraquara com o trabalho. “Tenho certeza de que este site funcionará como alavanca para uma série de iniciativas de resgate deste quixote brasileiro que criou o teatro popular em Portugal”, ressaltou Dines.

Antônio José da Silva iniciou suas práticas judaicas em 1726, quando cursava o quarto ano de Direito na Universidade de Coimbra. É quando começa sua trajetória como Judeu, depois de ser penitenciado no Auto da Fé. Nesse mesmo ano foi preso junto à mãe, dois irmãos, primos e tias. Em 1739, foi queimado no Terreiro do Trigo, em Lisboa, assumindo as acusações de práticas judaicas.

O projeto do site tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Informações também podem ser obtidas no endereço www.fclar.unesp.br/centrosdeestudos/ojudeu.