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Jornal do Brás online

O jeito estressante de ser mulher

Publicado em 17 março 2014

Por Marisa Moura Verdade

Quem já se perguntou por que dedicaram um dia exclusivamente para celebrar as mulheres do mundo? O histórico da data revela um longo caminho de lutas e sacrifícios por igualdade entre os sexos e melhores condições de vida. Alguns movimentos nessa direção aparecem desde o século XVIII, focando principalmente o direito ao estudo e ao trabalho digno. Em 1945, a ONU (Organização das Nações Unidas) assinou o primeiro acordo internacional garantindo direitos iguais para homens e mulheres. Em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher e só em 1977, as Nações Unidas assumiram oito de março como o Dia Internacional da Mulher. A Assembleia Geral das Nações Unidas citou duas razões principais para essa celebração: - assinalar o fato de que a paz, o progresso social, o pleno exercício dos direitos humanos e das liberdades fundamentais requerem a igualdade entre os sexos, a participação ativa e o desenvolvimento das mulheres; - o outro motivo é reconhecer a contribuição feminina no fortalecimento da paz e da segurança internacionais. Para nós, mulheres, o significado da comemoração é bem mais amplo e profundo: é convite para meditar sobre a missão de feminizar o mundo, contribuindo no sentido da paz e da qualidade da vida na Terra.

O protagonismo feminino no Brasil e nos demais países é história bonita de contar. As conquistas são muitas e vieram para ficar! A situação da mulher brasileira mudou bastante desde 1977, quando o Dia Internacional da Mulher foi instituído. Hoje, é evidente o seu empenho de escolaridade, de inserção no mercado de trabalho, de votar e ser votada. As estatísticas nacionais revelam que elas são mais alfabetizadas que eles, mais interessadas em fazer faculdade, mais ativas nas decisões financeiras e no consumo familiar. No entanto, a questão da igualdade de gênero é um desafio permanente. Pesquisas indicam que a violação dos direitos da mulher persiste como realidade dolorosa: frequentemente, o salário delas é menor que o dos homens na mesma função, a violência doméstica é ocorrência sombria em todas as esferas da sociedade, mulheres negras seguem sofrendo discriminação... Apesar disso, a influência feminina na escolaridade dos filhos é valiosa e a vontade de se incluir como igual nas decisões da comunidade é um fato. Tal história de discriminação, de confrontos e conquistas é compatível com uma maior susceptibilidade ao estresse! Não é fácil conciliar carreira e afazeres domésticos, conjugar ambições profissionais com responsabilidades familiares tradicionais. Quando as tensões do dia a dia se acumulam, o organismo dá sinal de alerta. Em qualquer idade, o nível de estresse é maior no sexo feminino.

O “sexo frágil” se transforma em mulher batalhadora, independente, ciente dos direitos e deveres diante de si mesma, do outro e do mundo. Se ela sofre com o estresse, se sentindo tensa, irritada, pressionada ou ansiosa, se reclama de dores de cabeça, ranger de dentes, palpitações, dores de estômago, problemas dermatológicos, tremores, menstruação irregular – ainda assim, avança derrubando tabus e marcando presença em todos os campos. A cada passo, ela enfrenta preconceitos inalteráveis, assumindo que marido, filhos e a casa para cuidar não são barreiras para quem deseja realização profissional e pessoal.

Marisa Moura Verdade é Mestra em Educação Ambiental, Doutora em Psicologia, especializada em Psico-Oncologia. Autora do livro Ecologia Mental da Morte. A troca simbólica da alma com a morte. (Editora Casa do Psicólogo & FAPESP). E-mail: mmverdade@gmail.com