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O Vale

O interior e as pesquisas

Publicado em 10 abril 2014

Por Wilson Marini

Os gastos públicos e privados com pesquisa e desenvolvimento em São Paulo somam, atualmente, 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, percentual superior ao de Espanha, Itália ou Chile. E cerca de 6% dos recursos que as três universidades públicas estaduais – Unesp, Unicamp e USP – dedicam à pesquisa têm origem em contratos com o setor privado. Parte significativa desses investimentos está concentrada no Interior Paulista, por meio dos polos espalhados por diversas regiões. Os desafios e oportunidades para a inovação foram pauta de recente encontro organizado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) com o apoio da Academia de Ciências do Estado de São Paulo e da Fiesp, reunindo representantes de empresas, universidades, institutos de pesquisas e do governo estadual, na capital paulista. “Inovar na Inovação” foi o título do encontro.

O subsecretário de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado, Marcos Cintra, na palestra intitulada “Ambientes para a Inovação no Estado de São Paulo”, anunciou que o governo paulista está realizando um diagnóstico de seus 21 institutos estaduais de pesquisa e vai elaborar um Plano de Ciência e Tecnologia que subsidiará projetos de desenvolvimento no Estado.

Há novas ideias em gestação para dinamizar as pesquisas. Uma delas é a dos chamados ecossistemas de inovação, cujo modelo envolve empreendedores, investidores, pesquisadores, universidades, investimento de riscos, assim como negócios e serviços relacionados a design e capacitação de pessoal. O exemplo mais conhecido de um ecossistema de inovação bem-sucedido é o do Vale do Silício, na região de São Francisco, nos EUA, que reúne em uma mesma região condições para que startups e empresas de base tecnológica, fabricantes, principalmente, de circuitos eletrônicos, eletrônica e informática, cresçam com base em forte articulação, conectividade e cooperação entre atores. No Interior Paulista, o polo de São Carlos é sempre citado como um dos que se assemelham a esse modelo, guardadas as proporções.

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp, falou sobre iniciativas bem-sucedidas de colaboração entre a fundação, universidade e empresas, dando como exemplo os programas Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) e Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE). O PIPE foi criado em 1997 e já contemplou mais de 1.500 projetos de pesquisa desenvolvidos em pequenas empresas com até 250 empregados.

Instituições de excelência, como o ITA, em São José dos Campos, estão reavaliando sua estrutura de ensino para formar engenheiros e empreendedores capacitados para competir em ambiente global. “Nosso objetivo é criar uma geração de engenheiros inovativos e empreendedores”. Também está prevista no instituto a criação de um Centro de Inovação, de forma a permitir que a escola incorpore iniciativas empreendedoras dos alunos e promova a interface entre universidade e empresa. “Queremos despertar a paixão dos alunos por um assunto científico da engenharia”.

O apoio a iniciativas de empreendedorismo também foi tema de apresentação de Cassio Spina, diretor da Anjos do Brasil, rede de investidores-anjos criada com o objetivo de oferecer ao empreendedor uma “saída para o mercado”.

Investimentos no Interior: Em São Carlos, a Volkswagen alcançou a marca de 8,5 milhões de motores produzidos, após 18 anos de operação. Em São Joaquim da Barra, o grupo Tuzzi inaugurou laboratório. Em Paulínia, a Merial vai investir 40 milhões de euros para construir uma fábrica de vacinas contra febre aftosa. E Ribeirão Preto ganhou uma biofábrica de cana-de-açúcar que produzirá variedades com alta qualidade fitossanitária e genética.

Jornalista - email wmarini@apj.inf.br