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Jornal do Estado (PR) online

O grande mercado das eleições

Publicado em 10 abril 2000

Por Silvio Rauth Filho
No dia 1º de outubro deste ano todos os municípios do Brasil terão eleições para prefeito e para vereador. Serão milhares de candidatos investindo dinheiro nas suas campanhas, aquecendo vários setores da economia e criando empregos. Apenas em Curitiba, onde a Câmara Municipal tem 35 vagas, a disputa terá no mínimo 400 candidatos, já que oito partidos confirmaram chapa completa, com 52 inscritos. No total, o dinheiro que será gasto por todos esses candidatos chegará a milhões de reais. O vereador Mário Celso Cunha (PFL), que está em seu terceiro mandato, estima que um candidato precisa gastar de R$ 300 mil a R$ 400 mil para se eleger. "Um candidato conhecido, com boa criatividade, consegue se eleger com R$ 100 mil a R$ 150 mil", explica ele. O publicitário Jamil Snege, especialista em marketing político e que trabalha em campanhas desde 1982, faz um cálculo parecido com o de Mário Celso. "Estamos estimando para um vereador não conhecido um gasto de R$ 500 mil", diz. "A campanha é cada vez mais cara, porque a disputa pelas vagas está acirrando", comenta. "Hoje calculamos que só oito vagas estão em disputa na Câmara", declara Snege. Segundo ele, as outras 27 vagas serão disputadas pelos atuais vereadores. "Consideramos que eles têm grande chance de reeleição", explica. Editora lança livros sobre o assunto As campanhas só podem feitas, conforme a legislação, a partir do dia 6 de julho. Mas a maioria dos pré-candidatos já está em ação. Os vereadores que têm mandato, por exemplo, ficam em campanha durante todo o mandato, sempre visitando os bairros e mantendo contato direto com o eleitor. Outros pré-candidatos, como o ex-vereador Marcelo Almeida (PMDB) e Alexandre Khury (PFL), têm feito visitas aos bairros e reuniões com comunidades. As maiores despesas, que são a manutenção de uma equipe de campanha e a distribuição os brindes (camisetas e bonés), ainda não começaram. Mesmo porque apenas depois das convenções - que só podem ser realizadas de 10 a 30 de junho - os candidatos terão definidos os números de identificação, impressos nos materiais de campanha. Mesmo assim, o mercado já pode lucrar com as eleições. Um exemplo é a editora Juruá, de Curitiba, que lançou nesta semana o livro "Eleições Municipais 2000", em que o autor, Ulisses de Jesus Maia Kotsifas, comenta a legislação eleitoral. "Temos que aproveitar o momento", explica Lúcia Landoski, supervisora editorial da Juruá. Ele espera que a publicação venda, pelo menos, 1.000 exemplares. Aproveitando as eleições, a editora lançará também outro livro sobre o assunto: Direto Eleitoral. Quem também pode lucrar com as eleições são os webdesigners, que projetam páginas na Internet. Apesar de só poder começar a campanha em julho, alguns políticos já contam com sites, que ajudam a divulgar o nome e os projetos. Alguns exemplos são o deputado estadual Beto Richa, pré-candidato a prefeito pelo FTB, Ernani Moreno, possível candidato a vereador pelo PMDB, e Reinhold Stephanes Júnior, pré-candidato a vereador pelo PFL, que lançaram no mês passado páginas na Internet. A vantagem da campanha "eletrônica" é o baixo custo. O custo mínimo para instalar um site é R$ 100. Este é o preço que precisa ser pago anualmente para manter o registro do nome da página. O dinheiro é pago à Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), responsável pelo registro dos sites no Brasil. Além do registro, o site precisa de um provedor de acesso como suporte. Neste caso, o preço vai de R$ 30 a R$ 100 de mensalidade. O valor varia conforme a complexidade da página e o número de contas de e-mails. Outro custo, a montagem (design) do site, varia mais ainda. O preço médio para uma página simples fica em torno de R$ 500. (S.R.F.)