Notícia

Jornal da Tarde

O futuro presidente passou o dia em SP

Publicado em 13 agosto 2002

Por LEANDRO CIPOLONI
Candidatos a presidente têm passado boa parte de seu tempo fazendo campanha ou cumprindo compromissos em São Paulo. Ontem, estiveram na cidade Lula, Ciro e Serra. A explicação: a capital e o Estado reúnem o maior colégio eleitoral do País e concentram a maior parte do poder econômico Três dos quatro principais candidatos à Presidência da República - Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Comes (PPS) e José Serra (PSDB) - passaram a segunda-feira na cidade. Não foi por acaso. A capital paulista sustenta um tripé vital para as ambições de qualquer político, dizia o falecido Ulysses Guimarães, que aconselhava buscar interlocutores fortes em três áreas: indústria (Fiesp, que concentra mais da metade do PIB) do País, mercado financeiro (Febraban e as bolsas) e mídia (jornais, televisões e infra-estrutura de produção de programas). Além do mais, a cidade concentra o maior colégio eleitoral do País. Nos últimos 30 dias, os quatro candidatos, somados (com Anthony Garotinho, do PSB), passaram 43 dias em São Paulo. Lula esteve por 16 dias, Serra, Ciro,9 e Garotinho, 7. Ontem, Lula participou de um evento promovido pelo jornal Folha de S. Paulo. À noite, Ciro Gomes, que tomou o jatinho de manhã em Fortaleza, passou por duas televisões, Bandeirantes e SBT, onde foi entrevistado. São Paulo é a sede de quatro das cinco maiores redes de televisão. Única não paulista, a Globo preserva sua direção no Rio mas a maior parte de sua programação telejornalística é acionada de São Paulo. Para o marqueteiro do candidato da Frente Trabalhista, Einhart Jacome da Paz, São Paulo é "vital" para qualquer candidatura. "Os principais geradores de informação estão concentrados na cidade", afirma. "São Paulo concentra formadores de opinião de votos para todo o Brasil", completa Nelson Biondi, marqueteiro do tucano Serra. E não apenas os formadores. Votos também se concentram aqui. "Não podemos esquecer que um quarto do eleitorado está no Estado e que a capital é o maior colégio eleitoral do Brasil", lembra Einhart. O último levantamento do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em setembro de 2000, contou 7,1 milhões de eleitores na capital. O número é superior ao de 23 dos 27 Estados do País. Enquanto Ciro era entrevistado, Serra passou o dia gravando programas para o horário eleitoral. É aqui, também, que serão gravados e editados os programas dos três principais candidatos. "As melhores agências e finalizadoras estão em São Paulo", explica Einahrt "E também há razão técnica", completa Biondi. "Se dá uma pane, em nenhum outro lugar do País conseguimos resolver o problema com a agilidade que conseguimos em São Paulo. Lidamos com o relógio." O marqueteiro de Lula, Duda Mendonça, não pôde conversar ontem com a reportagem do JT justamente por estar preparando os programas a serem gravados pelo candidato nos estúdios. 'TUDO SE DECIDE AQUI', DIZ MARQUETEIRO DE SERRA A propaganda eleitoral, segundo levantamento de Rachel Meneguello, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), tomou-se, a principal fonte de informação política do eleitor paulistano. É em São Paulo que um grupo de pesquisadores da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa) observou "a ocupação de espaços ideológicos nítidos, com estruturas partidárias e lideranças constituídas", segundo escreveu a cientista política Vera Chaia, da PUC. O dinheiro faz falta em qualquer campanha. Maior centro econômico da América Latina, é aqui que os candidatos vêm cavar recursos na forma de contribuições. E a Fiesp é um ponto de parada obrigatório. Para o presidente Horário Lafer Piva, os empresários da indústria deixaram de ser tratados como coadjuvantes do processo eleitoral, são vistos pelos candidatos como atores do processo. "São Paulo é vital, por conta da centralização econômica", diz Einhart. "Tudo se decide aqui", afirma Biondi. Tanta concentração, às vezes, pode provocar ressentimento. Para Einhart, ex-cunhado de Ciro Gomes, é arriscado associar a imagem de um candidato a São Paulo. "Causa problemas", explica o marqueteiro do candidato do PPS: se São Paulo é a terra do trabalho e do dinheiro, pode ser vista também como um foco imperial de poder.