Notícia

Fornecedores Hospitalares

O futuro já chegou

Publicado em 01 março 2005

Quando foi criada, há 18 anos, a Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS) era vista como uma coisa de visionários, totalmente fora da realidade. Atuando na promoção do desenvolvimento de todos os aspectos da Tecnologia da Informação (TI) aplicada à Saúde, a entidade já acumula uma grande história de conquistas nessas quase duas décadas de trabalho. "Quando foi criado o grupo para discutir a questão da informática para a saúde no Brasil, esse assunto era uma coisa visionaria, à frente do seu tempo' comenta Heimar de Fátima Marin, atual presidente da entidade. "Hoje, temos hospitais com sistemas de informação no mesmo estágio de desenvolvimento que dos países mais desenvolvidos".
Ela, que é livre docente em informática médica da Faculdade de Medicina da USP e professora adjunta na Unifesp, destaca que a entidade ganha mais força a cada dia. Uma das formas de se perceber isso é pelo número de associados que já ultrapassou a marca de 538. Desses, 98 são membros titulares, 326 membros associados, 81 estudantes e 33 entidades, principalmente empresas. Além do número de participantes, também impressiona a diversidade. A maioria é especializada na área de saúde ou de exatas, mas há outras formações, como administração, direito. E, ainda, tem muita gente com títulos de mestrado e doutorado.
Para não perder o foco da sua missão original, reforça Heimar, a SBIS mantém parcerias com diversas instituições e empresas associadas, ligadas à área educacional, fornecedores de softwares e hardwares e consultores. "Na prática, somos uma sociedade multidisciplinar, consistente com o mundo globalizado de hoje", define. E, dentro do dinamismo que o mundo atual exige, a entidade está em constante diálogo com outras instituições, sempre em busca da promoção do desenvolvimento nessa área.
Uma das parcerias é com o Conselho Federal de Medicina, por meio do Grupo de Trabalho de Certificação, cuja proposta é certificar sistemas informatizados para a guarda e manuseio do prontuário do paciente conforme resolução do mesmo conselho número 1639/2002. "Esse trabalho começou, numa primeira fase, em outubro de 2004 e a segunda fase está prevista para março de 2005", explica Heimar. Uma terceira fase, que permitirá a certificação de sistemas de Prontuário Eletrônico do Paciente com o objetivo abandonar o papel, será de longo prazo, visto que depende do envolvimento de diversas instituições e da definição de legislação própria para o assunto, o que se deve acontecer em meados de 2006. É a certeza de que o compromisso com a evolução da área de saúde ainda tem muitas outras etapas para superar.

Trabalhando para melhorar a tecnologia na área de saúde
A SBIS tem como compromisso social ajudar no desenvolvimento de todos os aspectos da Tecnologia da Informação aplicada à área de saúde, auxiliando assim numa melhor relação médico-paciente e paciente-organização de saúde. Além dessas melhorias, busca um melhor aproveitamento das vantagens que a TI pode trazer a hospitais, clínicas e centros médicos, incentivando a realização de pesquisas para humanizar relações e reduzir custos para todos os lados envolvidos no processo de atendimento ao paciente.
Outras metas da sociedade são estimular atividades de ensino nos diversos níveis bem como a realização de pesquisa científica e de desenvolvimento tecnológico; promover eventos científicos e outras atividades de divulgação e intercâmbio de idéias e informações. Tudo isso é fundamental porque faz com que a SBIS seja incentivadora e colaboradora de movimentos sociais com fins de elaboração da política de saúde e de incentivo da utilização de padrões para a representação da informação em saúde.
"Por tudo isso, estamos sempre buscando novos meios de comunicação e integração com a sociedade e com outros grupos que tenham objetivos semelhantes aos nossos", reforça Heimar. Uma das novidades, nesse sentido, será o lançamento, em breve, de uma revista científica eletrônica para divulgar os trabalhos na área de TI na saúde.  São planos da entidade também fortalecer uma boa base de dados para alimentar pesquisas feitas na área.
Trabalhar o lado acadêmico da SBIS é importante, para pleitear, junto ao CNPq, a Fapesp e as outras instituições de fomento à pesquisa científica, reconhecimento da informática aplicada à saúde como uma área de conhecimento em expansão, que pode, inclusive, se transformar em promissores cursos de graduação e pós-graduação.

Ano de 2005 trará novidades para a área de informática aplicada à saúde
Atualmente o Brasil se encontra em nível de igualdade com o resto do mundo no uso de TI em hospitais. O congresso que acontecerá este ano vai ajudar a fortalecer o debate nos novos rumos no trabalho da SBIS.

Fornecedores Hospitalares — Qual o cenário mundial hoje que o SBIS utiliza para traçar a estratégia no Brasil?
Heimar F. Martin — O limite é a imaginação.Temos sistemas de controle administrativo ate robôs, caminhando corredores dos hospitais; temos sistemas para prescrição médica wireless e sistemas que ainda precisam de um transcritor; médicos operando a distância e médicos apreendendo a realizar cirurgias em laboratório; enfermeiros com temas avançados de documentação na beira do leito e enfermeiros resistentes ao uso da ferramenta, profissionais interessados em buscar recursos que garantam mais qualidade, menor custo e mais segurança ao paciente e profissionais e gerentes ainda achando que o investimento é grande demais e que compartilhar informação gerencial nem sempre é o melhor caminho a tomar. De modo geral, os mais avançados foram os que conseguiram organizar dados e informação de tal sorte que o sistema funcionou como alavanca para otimizar o processo.

Fornecedores Hospitalares — E a realidade brasileira para essa área, como está?
Heimar — Não difere muito da realidade de outros países. Temos centros avançados, com sistemas hospitalares implantados que realmente funcionam para gerenciamento das funções e hospitais que possuem sistemas de prescrição médica ou de enfermagem dizendo possuir o prontuário eletrônico.

Fornecedores Hospitalares — Em relação à formação de pessoal, qauis são as ações mais importantes em desenvolvimento?
Heimar — Atualmente diversas universidades, escolas de medicina e enfermagem já possuem o ensino formal. Na enfermagem da Unifesp, por exemplo, temos desde 1990 a disciplina incluída no currículo dos alunos de graduação. O Unien/ Unifesp já formou, desde 2000, mais de 5 doutores, 10 mestres e 30 especialistas. Os exemplos são muitos atualmente: Faculdade de Medicina de Marília, PUC-RJ, UFRGS, UFSC,UFCE e outras. E junto com a Faculdade de Medicina da USP e a Universidade de Harvard, estamos fornecendo a partir de julho, um curso de especialização em informática em saúde, gratuito. A SBIS funcionará como facilitadora desta parceria. Em breve, maiores informações sobre o processo seletivo estarão disponíveis no site da SBIS.

Fornecedores Hospitalares — Haverá um congresso este ano. Quais são as novidades para esse evento?
Heimar — Este ano teremos o congresso "Prontuário Eletrônico do Paciente — PEP 2005", de 18 a 20 de setembro em São Paulo. Em breve, a pagina da SBIS estará divulgando o local e as taxas de inscrição. Na programação, podemos adiantar que como convidados internacionais já confirmados teremos Dr. Charles Safran, professor da Harvard Medical School e presidente da AMIA (Associação Americana de Informática Médica) e o Dr. Patrice Degoulet, diretor de informática do Hospital George Pompidou, em Paris, e professor da Universidade de Paris. Ainda a SBIS está participando e apoiando o Congresso da Sociendade Internacional de Telemedicina. O evento será organizado pelo Conselho Brasileiro de Telemedicina e Telessaúde e sua localização será no Centro de Convenções Rebouças do dia 23 a 26 de outubro.