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Destak Jornal online

O futuro da internet

Publicado em 25 setembro 2009

Um trilhão de páginas indexadas no Google, 210 bilhões de e-mails diários e 8 bilhões de páginas acessadas em sites de redes sociais todos os dias. Números como esses servem para dar uma ideia do volume global de informações que circula pela Internet hoje em dia. E podem ajudar a entender porque a comunidade científica e tecnológica mundial está preocupada em desenvolver soluções voltadas para a Internet do futuro.

Parte dos especialistas nesse assunto se reuniram no CPqD, em Campinas, no workshop internacional "Novas Arquiteturas para a Internet do Futuro". Promovido pelo próprio CPqD em parceria com o Fotonicom (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Fotônica para Comunicações Ópticas, da UNICAMP, o evento contou com o apoio do Funttel, Ministério das Comunicações, Fapesp e do CNPq.

"A Internet é uma infraestrutura crucial para alcançar o desenvolvimento social, econômico e científico. Mas logo ela chegará aos seus limites de capacidade", disse Laerte Davi Cleto, da Secretaria de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, na abertura do workshop. Por isso, o governo brasileiro decidiu aplicar os recursos do Funttel (Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações) em projetos de pesquisa e desenvolvimento voltados para a Internet do futuro. Segundo Cleto, atualmente o Funttel vem suportando três projetos nessa área no país: ARCMIP, Giga e Horizon, desenvolvido em conjunto com a França.

Novas arquiteturas

Desenvolvido pelo CPqD, o projeto ARCMIP foi apresentado por sua coordenadora, a pesquisadora Tania Regina Tronco, na palestra Arquitetura de Rede para Comunicações Móveis sobre IP. "O objetivo é pesquisar novas arquiteturas e tecnologias disruptivas para a futura Internet, com foco em wireless, mobilidade e redes de sensores conectados", explicou. "A atual arquitetura da Internet está ossificada. A rede IP não suporta mobilidade, por exemplo", disse Tania.

Iniciado no ano passado, o projeto ARCMIP hoje está na terceira fase. Na primeira, os pesquisadores do CPqD identificaram três cenários (aplicações) que deverão determinar a expansão da Internet: serviços com foco no usuário, conteúdo e objetos (sensores) conectados à rede. Na fase seguinte, foram levantados os requisitos de rede necessários para atender às demandas nesses cenários. Na terceira etapa, o desafio é mapear esses requisitos sobre as novas propostas de arquitetura da Internet. "Com este workshop, a ideia é conhecer e aprender com outras experiências e projetos internacionais", afirmou Tania.

Já o professor Otto Carlos Muniz Bandeira Duarte, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), falou sobre o projeto Horizon, em sua palestra sobre Virtualização de Rede: da tecnologia em teste para uma solução para a futura Internet. "A intenção é desenvolver uma nova arquitetura de rede baseada em pluralismo (virtualização), com banco de dados distribuído e diferentes redes virtuais no mesmo roteador: redes IP, VoIP, com suporte a mobilidade, de sensores, etc.", disse. Participam do projeto, no lado brasileiro, a UFRJ, a UNICAMP e a PUC-Rio e, pela França, o Laboratoire d"Informatique de Paris6.