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O Petróleo

O etanol do Brasil pode substituir o petróleo bruto mundial

Publicado em 28 dezembro 2017

A expansão do cultivo de cana no Brasil para a produção de etanol em áreas que não estão sob proteção ambiental ou reservada para a produção de alimentos poderia substituir até 13,7% do consumo mundial de petróleo bruto e reduzir as emissões globais de dióxido de carbono (CO2) até 5,6% até 2045 .

Essas estimativas provêm de um estudo internacional com participação brasileira, cujos resultados foram publicados na revista Nature Climate Change.

O estudo teve como objetivo investigar como a expansão do etanol da cana poderia ajudar a limitar o aumento das temperaturas globais médias para menos de 2 ° C, reduzindo as emissões de CO2 provenientes da combustão de combustíveis fósseis, conforme acordado pelos 196 países que assinaram o Acordo de Paris sobre o Clima em dezembro de 2015.

O estudo foi realizado como parte de um projeto apoiado pela Fundação de Pesquisa de São Paulo – FAPESP e pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Bioetanol – INCT Bioethanol.

A análise mostrou que o cultivo de cana-de-açúcar para a produção de etanol poderia expandir para entre 37,5 milhões e 116 milhões de hectares e que o etanol de cana-de-açúcar poderia fornecer o equivalente a 3,63 milhões a 12,77 milhões de barris de petróleo por dia em 2045, devido às mudanças climáticas projetadas, garantindo simultaneamente a conservação das florestas e áreas reservadas para a produção de alimentos.

Como resultado, seria possível reduzir o consumo de petróleo em 3,8% -13,7% e as emissões globais líquidas de CO2 1,5% -5,6% em 2045 em comparação com os dados de 2014.

“Nossas descobertas mostram que é possível conciliar os dois objetivos principais com os quais o Brasil se comprometeu como parte do acordo de Paris: conservação de ambientes naturais, especialmente a Amazônia, e uso crescente de energia renovável”, disse Marcos Buckeridge, professor da IB-USP e um dos autores do artigo.

Os autores da nota de estudo de que o etanol de cana-de-açúcar é uma solução escalonável a curto prazo para o problema da redução de emissões de CO2 no setor de transporte global.

A produção de etanol combustível da cana-de-açúcar no Brasil é muito mais eficiente do que a produção de etanol de milho, argumentam. Suas emissões de CO2 correspondem apenas a 14% do petróleo. Além disso, as emissões resultantes da mudança do uso da terra para o cultivo da cana-de-açúcar podem ser compensadas em apenas dois a oito anos.

“A escalabilidade rápida é fundamental: é o que é necessário para acelerar as respostas da sociedade às mudanças climáticas”, disse Buckeridge. “Todas as evidências sugerem que o aumento médio da temperatura global excederá 1,5 ° C em 2030. Isso não está longe. O etanol brasileiro pode ser uma grande ajuda para o planeta “.