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O Petróleo

O etanol brasileiro pode substituir 13,7 % do consumo mundial de petróleo bruto

Publicado em 30 novembro 2017

Essas estimativas provêm de um estudo internacional com participação brasileira, cujos resultados foram publicados em outubro de 2017 na revista Nature Climate Change.

O estudo teve como objetivo investigar como a expansão do etanol da cana-de-açúcar poderia ajudar a limitar o aumento das temperaturas globais médias a menos de 2°C, reduzindo as emissões de CO2 provenientes da combustão de combustíveis fósseis, conforme acordado pelos 196 países que assinaram o Clima de Paris Acordo em dezembro de 2015.

O estudo foi conduzido como parte de um projeto apoiado pela Fundação de Pesquisa São Paulo – FAPESP e pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Bioetanol – INCT Bioethanol. Os pesquisadores participantes são afiliados à Escola de Engenharia Agrícola da Universidade de Campinas (FEAGRI-UNICAMP) e ao Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) e ao Colégio de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ-USP). Eles colaboraram com colegas da Universidade de Illinois Urbana-Champaign (UIUC), da Universidade Estadual de Iowa e do Centro Nacional de Aplicações de Supercomputação nos Estados Unidos, da Universidade de Copenhague e da Danish Energy Association na Dinamarca e da Universidade Lancaster no Reino Unido.

Os pesquisadores usaram software desenvolvido na UIUC para simular o crescimento de plantas, como cana-de-açúcar, hora a hora, com base na composição do solo, temperatura, precipitação e seca, entre outros parâmetros.

Eles usaram três diferentes cenários de políticas ambientais para simular a expansão da cana no contexto das mudanças climáticas projetadas para 2040 e 2050 pelos cinco principais modelos gerais de circulação.

No cenário 1, a expansão da cana-de-açúcar foi limitada às pastagens existentes que poderiam ser substituídas pela safra de acordo com o Plano de Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar (ZAE Cana), estabelecido em 2009 pela EMBRAPA, a Corporação Brasileira de Pesquisa Agropecuária.

No cenário 2, a produção de cana-de-açúcar foi expandida não só para as áreas disponíveis para a safra identificada pela ZAE Cana, mas também para áreas que não serão necessárias para cultivar alimentos e alimentos para animais, mesmo supondo um aumento na demanda de alimentos nas próximas décadas devido ao crescimento populacional.

O cenário 3 foi o mesmo, exceto que incluiu vegetação natural e semi-natural que pode ser convertida legalmente em terras cultivadas.

Os três cenários excluíram áreas sensíveis ao meio ambiente, como a Amazônia e o Pantanal, que não podem ser utilizadas para atividades agrícolas ou industriais.

A análise mostrou que o cultivo de cana-de-açúcar para a produção de etanol poderia expandir para entre 37,5 milhões e 116 milhões de hectares sob os três cenários e que o etanol de cana-de-açúcar poderia fornecer o equivalente a 3,63 milhões a 12,77 milhões de barris de petróleo por dia em 2045, dada a mudança climática projetada , ao mesmo tempo que assegura a conservação das florestas e áreas reservadas para a produção de alimentos.

Como resultado, seria possível reduzir o consumo de óleo em 3,8% -13,7% e as emissões globais líquidas de CO2 em 1,5% -5,6% em 2045 em comparação com os dados de 2014.

“Nossas descobertas mostram que é possível conciliar os dois objetivos principais com os quais o Brasil se comprometeu como parte do acordo de Paris: conservação de ambientes naturais, especialmente a Amazônia, e uso crescente de energia renovável”, disse Marcos Buckeridge, professor da IB-USP e um dos autores do artigo.

“O estudo destaca a coragem do Brasil em inventar o etanol de cana-de-açúcar como biocombustível e implementá-lo como uma solução nacional”, disse Buckeridge à Agência FAPESP. “Esta expansão potencial da cana-de-açúcar não funcionaria sem integração entre os segmentos agrícola e industrial, e isso, por sua vez, ressalta a importância de se concentrar fortemente na ciência e na tecnologia da cana-de-açúcar nos próximos anos. Devemos completar o trabalho que começamos , o que significa etanol de segunda geração “.

Solução escalável

Os autores da nota de estudo de que a etanol de cana-de-açúcar é uma solução escalonável a curto prazo para o problema da redução de emissões de CO 2 no setor de transporte global.

A produção de etanol combustível da cana-de-açúcar no Brasil é muito mais eficiente do que a produção de etanol de milho, argumentam. Suas emissões de CO 2 correspondem apenas a 14% do petróleo. Além disso, as emissões resultantes da mudança do uso da terra para o cultivo da cana-de-açúcar podem ser compensadas em apenas dois a oito anos.

“A escalabilidade rápida é fundamental: é o que é necessário para acelerar as respostas da sociedade às mudanças climáticas”, disse Buckeridge. “Todas as evidências sugerem que o aumento médio da temperatura global excederá 1,5 ° C em 2030. Isso não está longe. O etanol brasileiro pode ser uma grande ajuda para o planeta”.