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O Édipo em Freud a lei e a transmissão da tradição

Publicado em 02 janeiro 2018

Por Pedro Carlos Tavares da Silva Neto

O Autor deste trabalho tem procurado trabalhar a teoria e a clínica usando o elemento denonimado Interpretante, elemento que Lacan introduz a partir de uma participação em seu seminário de François Recanati, no qual a Semiológica de Charles Sanders Pierce

 

O EDIPO EM FREUD

A LEI E A TRANSMISSÃO DA TRADIÇÃO

 

PEDRO CARLOS TAVARES DA SILVA NETO

Advogado e Psicanalista

Membro de Apertura, Sociedad Psicoanalitica de Buenos Aires e La Plata

Rua Cristina Ziede 98, casa 07, Nova Friburgo, CEP 28610-270. Email: pedrotavaresneto@globo.com

 

RESUMO

O Autor deste trabalho tem procurado trabalhar a teoria e a clínica usando o elemento denonimado Interpretante, elemento que Lacan introduz a partir de uma participação em seu seminário de François Recanati, no qual a Semiológica de Charles Sanders Pierce é incorporada em seu ensino. O Interpretante pode ser entendido como uma chave de leitura, um significante (ou conjunto de significantes) que traduz outro (ou outros). E nesse processo de tradução, revela algo da lógica de uma estrutura. No caso presente - estrutura da linguagem - um discurso sobre o Édipo em Freud e a Metáfora Paterna em Lacan.

O autor sustenta neste ponto do trabalho uma leitura dos processos referidos – alienação e separação – utilizando somente textos do próprio Lacan, dispensando todos e quaisquer comentadores de sua obra, na medida em que entre estes existe, no entendimento deste autor, manifesto afastamento da letra do texto lacaniano na interpretação do processo de separação.

ABSTRACT

The author of this work has sought to work the theory and the clinic using the element denoned Interpreter, element that introduces Lacan from a participation in his seminary of François Recanati, in which Semiological of Charles Sanders Pierce is incorporated in its teaching. The Interpretant can be understood as a reading key, a signifier (or set of signifiers) that translates another (or others). And in this process of translation, it reveals something of the logic of a structure. In the present case - language structure - a discourse on the Oedipus in Freud and the Paternal Metaphor in Lacan.

The author maintains in this point of the work a reading of the mentioned processes - alienation and separation - using only texts of the own Lacan, dispensing any and all commentators of his work, since among these exists, in the understanding of this author, manifesto deviated from the letter of the Lacanian text in the interpretation of the separation process.

 

 

SOMMAIRE

L'auteur de cet ouvrage a cherché à travailler la théorie et la clinique en utilisant l'élément dénommé Interprète, élément qui introduit Lacan à partir d'une participation à son séminaire de François Recanati, dans lequel sémiologique de Charles Sanders Pierce est incorporé dans son enseignement. L'Interprétant peut être compris comme une clé de lecture, un signifiant (ou un ensemble de signifiants) qui en traduit un autre (ou d'autres). Et dans ce processus de traduction, il révèle quelque chose de la logique d'une structure. Dans le cas présent - structure de la langue - un discours sur l'Œdipe chez Freud et la Métaphore paternelle chez Lacan.

L'auteur maintient dans ce point de l'oeuvre la lecture des procès mentionnés - l'aliénation et la séparation - en utilisant seulement des textes du propre Lacan, en disputant tous les commentateurs de son travail, puisque parmi ceux-ci existent, dans la compréhension de cet auteur, manifeste dévié de la lettre du texte lacanien dans l'interprétation du processus de séparation.

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

Definição de Édipo de Roland Chemama, em Diccionario Del Psicoanalisis:

“ 1) Conjunto de los investimientos amorosos y hostiles que el niño hace sobre los padres durante la fase fálica. 2) Proceso que debe conducir a la desaparición de estos investimientos y a su remplazo por identificaciones.”

Fico tentado a cotejá-la com a fórmula do fantasma lacaniano, S barrado punção de a. Porém, invertendo aqui seus polos e articulando o operador da disjunção: um objeto que deve cair – desaparecimento dos investimentos objetais parentais – para que um sujeito se constitua -  substituição por identificações.

O Édipo pode ser abordado como o encontro da pulsão que aflora na criança com a cultura transmitida pelos adultos de seu entorno. Ou como a dialética tensa que, através da desnaturação do instinto da criança pela influência de seu ambiente, faz a montagem da pulsão. Um modo privilegiado de interação entre a energética pulsional e a hermenêutica cultural. Uma metáfora que nos pensa, parafraseando o título de um livro de Emmanuel Lizcano. Paul Ricoeur distingue a obra freudiana nestes exatos termos: uma energética e uma hermenêutica. Haveria entre esta interpretação da teoria freudiana de Ricoeur e a fórmula lacaniana da fantasia – S barrado em conjunção e/ou disjunção com objeto a – uma homologia?

Um sujeito que advém por uma operação de exegese – articulação entre S1 e S2, bem como entre S  e A - hermenêutica cujo combustível é a energética da pulsão que contorna o objeto faltante (a).  Em termos freudianos, pode-se pensar em o representante ideativo e o representante afetivo/quantitativo sendo articulados em conjunção ou em disjunção?

Essa é apenas uma hipótese de trabalho, aproximar o Édipo freudiano da fórmula lacaniana da fantasia, usar uma fórmula como Interpretante, um operador epistemológico de um campo de fenômenos nominados edipianos. Édipo não só como o paradigma da constituição subjetiva, mas também como um fenômeno dialético estrutural (uma estrutura estruturante no dizer de Garcia Roza) que produz um sujeito identificado aos ideais parentais (S barrado) e vinculado a determinados objetos de desejo (a).

Uma possível leitura é este sujeito estar, pelo Édipo, dividido entre objetos que investe (a) e ideais que assimila (S barrado). Dividido por um lado pela Alienação aos significantes do Ideal do Outro (no polo do S barrado) e, por outro (no polo do objeto a), pela Separação do objeto interditado – com a consequente constituição de outro – ainda que podendo fazer série metonímica com o primeiro. Alienação e separação como processos lógicos de constituição da estrutura da fantasia fundamental.

  1. Me parece que a fórmula da fantasia de Lacan é um poderoso operador epistemológico: sujeito e objeto estão definidos – por fórmulas outras, mas que podem entrar em operação se necessário.Espaço e tempo são também trabalhados por Lacan, o tempo lógico com a sincronia e a diacronia, com antecipação e retroação - o importante conceito de a posteriori - e o espaço com a topologia que permeia seu ensino. Aqui distingo espaço e tempo por razões descritivas, mas lembro que Lacan trabalha com espaço/tempo, conceito derivado da Teoria da Relatividade.

 

O INTERPRETANTE DE CHARLES SANDERS ´PEIRCE

Mas o que queda elidido dessa operação quaternária – sujeito, objeto, espaço, tempo - que pode ser reduzida á um par – S barrado punção de a – é que se faz necessário algo para articulá-los. Um Interpretante. A partir da intervenção de François Recanati em seus seminários 19 e 20 – intervenções que não estão traduzidas nem são encontradas nos Seminários de Lacan publicados em português (o autor usa as versões criticas de Ricardo Rodriguez Ponte para o espanhol) - Lacan passa a trabalhar também com as operações semióticas do triângulo de Pierce: composto pelo Objeto, seu Representamen (seu signo ou significante) e seu Interpretante (outro significante).

Em “Semiótica”, Charles Sanders Pierce estabelece uma lógica, que vai interessar muito á Lacan, composta de elementos triplos – denominados triádicos – que se relacionam entre si ( Objeto, Representamen e Interpretante) e com três outros elementos ( Existente Concreto,  Qualidade e Lei) denominados Correlatos, também em numero de três, de múltiplas maneiras. O que interessa a Lacan é testar as possibilidades de aproximação deste ternário com os Registros do Imaginário, Real e Simbólico, já nesta época de seu ensino amarrados pelos nós Borromeus: Primeira definição de signo em Pierce

Signos são divisíveis conforme três tricotomias. A  primeira, conforme o signo em si mesmo for uma mera qualidade, um existente concreto ou uma lei geral. A  segunda, conforme á relação do signo para com seu objeto consistir no fato de o signo ter algum caráter em si mesmo, ou manter alguma relação existencial com esse objeto ou em sua relação com um Interpretante; a terceira, conforme seu Interpretante  representá-lo como um signo de possibilidade ou como um signo de fato ou como um signo de razão.

Segunda Definição de Pierce:

«Defino al Signo como algo que es determinado en su calidad de tal por otra cosa, llamada su Objeto, de modo tal que determina un efecto sobre una persona, efecto que llamo su Interpretante, vale decir que este último es determinado por el Signo en forma mediata. Mi inserción del giro “sobre una persona” es una forma de dádiva para el Cancerbero, porque he perdido las esperanzas de que se entienda mi concepción más amplia en cuestión»

Destaco da citação acima o Signo/representamen como algo que determina um efeito chamado Interpretante (este por sua vez determinado pelo Representamen de forma mediata – ou seja, dependente da intervenção de terceiros, outros Interpretantes). Oscar Zeilis e Gabriel Pulice, psicanalistas argentinos que publicam conjunto de artigos sobre o tema na Revista Imago Agenda, esclarecem algumas questões que serão importantes ao longo do trabalho:

Observamos la importancia de esta última aclaración, porque apunta a lo recién señalado acerca de que, en la concepción peirceana, no es necesario suponer un sujeto consciente tal como lo entiende la psicología clásica, y por tanto, el interpretante puede funcionar por fuera de la conciencia, lo que nos permitirá pensar el acto de semiosis como factible de realizarse en procesos inconscientes y, de modo general, entenderlo como una propiedad semiótica y no psicológica. Para no producir confusiones, además, Peirce muchas veces reemplaza, al describir el diagrama, la palabra signo por representamen. Veremos enseguida que en este modelo, la relación signo-interpretante también se podrá leer, por ejemplo, como el encadenamiento de un significante a otro significante. Pero antes veamos cuál es su definición de semiosis: «Por semiosis entiendo una acción, una influencia que sea, o involucre, una operación de tres elementos, como por ejemplo un signo, su objeto y su interpretante, una relación tri-relativa, que en ningún caso se puede resolver en una acción entre dos elementos» (Peirce, 1998). Vale decir, plantea una relación triádica genuina y no reductible.

Destaco da citação acima que o Interpretante funciona em processos inconscientes (encadeamento de um significante a outro significante), que a relação entre os três elementos é irredutível á qualquer relação diádica e de que não se trata de propriedades psicológicas, mas de uma ação ou influencia da natureza de uma operação lógica semiótica. Lacan, no Seminário 19, Versão Ricardo Rodriguez Ponte:

«Lo que el otro día fue puesto en el pizarrón bajo el nombre de “triángulo semiótico”, bajo la forma de representamen, de lo interpretante, y aquí del objeto, para mostrar que la relación es siempre ternaria, a saber, que es la pareja Representamen / Objeto, que es siempre a reinterpretar, es eso de lo que se trata en el análisis».

Destaco da citação acima que, do que se trata em analise, diante de uma relação sempre ternária, é reinterpretar constantemente a dupla Representamen/Objeto. Um, pouco mais adiante, mesmo seminário:

«¿Qué hace falta sustituir en el esquema de Peirce, para que armonice con mi articulación del discurso analítico? Es simple como los buenos días: a efectos de lo que se trata en la cura analítica, no hay otro representamen que el objeto a, objeto a del cual el analista se hace el representamen, justamente, el mismo, en el lugar del semblante» (Lacan, 1971-1972).

Destaco que a única coisa que Lacan indica necessário substituir, entre seu esquema ternário e o de Pierce, é que o objeto a é nomeado como único ( no hay otro) representamen que conta para a cura analítica.  Alocado como Representamen, não como Objeto.

Para surpresa de muitos, Lacan não diz:“ para os efeitos da cura em psicanálise, o objeto a ocupa o lugar de Objeto na tríade de Pierce”. Ao revés, diz que o objeto a ocupa o lugar de Representamen. E isso tem consequências que precisam ser exploradas. Repito, o lugar do Objeto é deixado vazio e o objeto a é alocado no lugar do Representamen.

Me interessa explorar o elemento denominado Interpretante, assim descrito por Umberto Eco:

El Interpretante pode adoptar formas diferentes. Enumeremos algunas de ellas:

(a) puede ser el significante equivalente ( o aparentemente equivalente) em outro sistema semiotico. Por ejemplo, pude hacer coresponder um desenho com uma palavra

(b) pude ser el indicio directo sobre el objecto particular, que supone um elemento de cuantificacion universal ( todos lós objectos como este).

(c) puede ser uma definicion cientifica ingenua del próprio sistema semiotico ( por ejemplo, sal por cloreto de sódio e vice versa).

(d) pude ser uma asociacion emotiva que adquiera uma conotacion fija ( perro por fidelidad)

(e) pude ser la traducion de um termino de um lenguaje a outro, su substituicion mediante um sinonimo

Um significante visual – imagem – correspondendo a um significante auditivo – palavra. Um método de correlação entre sistemas semióticos distintos. Um método de tradução de um plano (visual) a outro (plano auditivo) por um significante equivalente ou sinônimo. Um regime geral de equivalências que se da por tradução, que pode conter uma definição cientifica ou ingênua e que seja motivado por uma associação emotiva que adquira conotação fixa.  Que pode se dar do plano falado ao plano escrito. Entre plano perceptivo e plano motor. Entre o plano biológico e o plano psicológico. Entre o plano somático e o plano psíquico. E, portanto que se aplica entre os planos Imaginário, Simbólico e Real.

 

Um exemplo, o mais intuitivo embora o menos produtivo, seria o de equiparar Objeto (Existente Concreto) ao Real, Representamen ( Qualidade) com Imaginário e Interpretante ( Lei) com Simbólico. Mas isso é só um exemplo simplório. Um recurso para fins didáticos por assim dizer. Lacan deixa bem claro que o objeto a se aloca como Representamen e não como Objeto, o que impediria ao menos a realização dessa correlação, embora não impedisse as demais tricotomias.  O que interessa, e muito, é que Lacan começa aqui a rever o fundamento de que o  par mínimo, para operar com a lógica dos Significantes e para a produção de significação, seja somente S1 S2. Ele passa a contemplar a possibilidade de operar com um S3: “para mostrar que la relación es siempre ternaria, a saber, que es la pareja Representamen / Objeto, que es siempre a reinterpretar, es eso de lo que se trata en el análisis».

E isso significa ter que pensar em como, quando e onde será colocado o terceiro elemento, o Interpretante.

 

Essa operação lógica é pensada, testada, estudada ainda por poucos autores, mas tem se revelado importante para superar os impasses estruturais das poucas, mas porém relevantes, operações diádicas que Lacan produziu, entre as quais o par mínimo necessário para significação (S1 S2). Operações que terminam por induzir á interpretações que  implicam num raciocínio diádico, de antítese ou antinomia, que elidem um terceiro termo. Especificamente o tempo lógico em beneficio do tempo cronológico em Alienação e Separação. Primeiro um e depois o outro. No caso do Édipo, a antítese entre pai e mãe.  Édipo e Alienação e Separação são algumas das operações que ganhariam muito se pudessem ser repensadas com a inclusão do Interpretante.  De fato, o interpretante está sempre operando, mas fica em regra elidido da operação.  Quem ou o quê vincula um S1 a um S2? O que os mantém ligados ou os separa senão um S3? O mesmo vale para S e A.

 

Neste sentido – um Interpretante elidido – uma primeira possibilidade é o imaginário do analista ou do autor de um texto qualquer. O aspecto imaginário de seu desejo, daquilo que o anima a escrever. Um exemplo comum em textos psicanalíticos que tratam dos processos de alienação e separação é a leitura desses processos com fundamento no critério do tempo linear. Porém, este Interpretante – o tempo linear – fica subposto (talvez por uma associação emotiva que adquire conotação fixa. Uma constante de nosso tempo é o tempo como uma constante, flecha que vai de a a z.)

 

O que era processo lógico se transforma em evento. Primeiro evento: estou alienado. Condensado no ser.  Segundo evento: busco o sentido, me separo do ser (me desalieno por assim dizer),constituo a serie metonímica de meus objetos. Terceiro evento: objeto extraído, com a ajuda necessária de meu analista. Quarto evento: constituo meu desejo de saber, o Outro deixa de existir e sigo pela vida sem o fantasma, embora com um resto de gozo indizível. Quinto evento: fim de analise, passe, nomeação. Elisão da concepção de tempo do autor como Interpretante desta sucessão de eventos. O que é elidido nesse resumo algo canhestro de alguns escritos psicanalíticos é o tempo lógico como Interpretante desse processo. O que é elidido é um S3. Se o Interpretante aqui é o tempo lógico, estas operações são processos e não eventos, e são processos sujeitos á antecipação e retroação, e, ainda que possa se vislumbrar um final, o processo é necessariamente recomeçado, relançado. A posteriori.

 

Um Ideal a ser perseguido talvez, mas ideal. E do Outro. O analista nessa tem seu percurso determinado por um Outro (tesouro dos significantes do analista, lugar aonde se depositam, não só os textos de Lacan,  mas também os de todos os comentadores de sua obra). Que pode ser inconsistente e/ou incompleto, mas que necessariamente existe. Mais uma vez Pierce:

Um Signo( significante) é um Representâmen com um Interpretante mental

 

E esse mental pode ser inconsciente. Opera com mais eficácia assim, como sabido desde Freud.  O significante é o que representa o sujeito para outro significante.

O significante é o que representa o sujeito para outro Interpretante. E esse Interpretante, nesta hipótese, oficia como Imaginário.Um exemplo pode esclarecer como operar com o Interpretante de Pierce. Se a Balança pode ser o signo da Justiça (balança como representamen/signo do objeto Justiça), o significante Justiça pode assumir função de significação pelo Interpretante Igualdade.  A Igualdade esclarece, filtra, interpreta o que é justiça ou injustiça; conferindo significação, ela passa a ser o Interpretante da Justiça.

  1. Que registra, no ato mesmo de seu encadeamento, as impossibilidades advindas das escolhas que faço quanto aos Interpretantes a serem utilizados.

Mas o que é Justiça? Posso perfeitamente em determinado espaço/tempo considerar que é Igualdade e em outro espaço/ tempo considerar que é Equidade. Desde que sejam em espaços/tempos diferentes – ou seja, desde que sejam espaço/tempo lógicos constituídos por cadeias significantes distintas embora possam ser sincrônicas - realizo a distribuição de Justiça de dois modos distintos. Me aproximo da coisa em si, e assim atinjo a Justiça, abordo um fragmento do Real por assim dizer. Mas o que é Justiça? Que tal o Justo agora ser Isonomia (distribuição de Justiça por Equiparação), Interpretante distinto dos anteriores? E o que é Equiparação? A remissão infinita do significante por outro Interpretante  se renova e se relança. O que me interessa aqui é marcar que nesta remissão infinita o referente – a coisa em si- é perdido.  Atinjo a Justiça como objeto, e objeto bastante concreto em seus efeitos, mas não o Justo como coisa em si - Substância do Justo (Substancia do Gozo). Propriedade da linguagem. Impossível de domesticar, de controlar. Um impossível lógico.  A coisa em si, e não o objeto, é que está irremediavelmente perdida.  Estamos todos subordinados aos efeitos inconscientes da linguagem.

Linguagem que possui capacidade ontológica – cria espontaneamente entes, os quais nos enlouquecem, na medida em que tentamos apreende-los e captar o que seria o seu ser - e capacidade hermenêutica – produção incessante de sentidos. Quanto a capacidade ontológica da linguagem, Pierce:

«Si hay algo real —esto es, algo cuyas características sean verdaderas de ello independientemente de si tú o yo, o cualquier hombre o número de hombres las pensamos como siendo características suyas o no— que se corresponda suficientemente con el objeto inmediato —el cual, puesto que es una comprensión, no es real—, entonces , ya sea identificable con el Objeto estrictamente así llamado o no, debería denominarse, y normalmente se denomina, “objeto real” del signo. Por alguna clase de causación o influencia debe haber determinado el carácter significante del signo».

Nesse diapasão de argumentos, o objeto a é um operador lógico (um Interpretante) utilizado para deter a remissão infinita da significação – o desejo é sua interpretação-  bem como para determinar –pesquisar a causa - o elemento que influencia o caráter significante do Representamen, seu “objeto real”. Em psicanálise, esse objeto – esse referente - é a pulsão.

A pulsão como “objeto real” - elemento que influencia – interfere – e portanto determina – causa - o caráter significante, confere significação. Mas o que é a pulsão? Pulsão atualmente é esclarecida pelo Interpretante gozo. Mas o que é gozo? E o circuito de significação se renova e se relança pela necessidade de novos Interpretantes. Ademais, Pierce coloca no condicional (se, então) : se há algo real, então deve haver uma classe de causação ou influência que determina esse caráter de “real”.   Nem na Biologia – considerada com a ciência que cuida das substancias do organismo vivo – existe um objeto que escape a alguma forma de apreensão significante– que possua características verdadeiras independentes de qualquer operação psíquica (mental) acerca dele. Que seja coisa em si, que demita a necessidade de Interpretantes. Da revolução dos genes o que sobrou foi uma tremenda polêmica acerca do que é a unidade de seleção genética ( a esse respeito, Elliott Sober, “ The Nature of Selection”). .

  1. O Édipo esclarece, funciona como Interpretante do que é patológico ou não; de certa forma determina objetos - a sexuação (o polo do objeto na formula lacaniana da fantasia) -  seu conteúdo, seja ele qual for, masculino ou feminino ou.....( o que depende da articulação entre conjunção e disjunção, entre S e a, melhor exemplo para disjunção é o assexuado)  - e seus signos/ representamen, as Estruturas Clínicas, os sujeitos neuróticos, psicóticos e perversos. ( a, o objeto, em conjunção com o Sujeito).

Mas Freud não utilizava a linguística como chave de leitura, e tratava o tempo - como categoria epistemológica - de modo linear e concreto– progressão e regressão. Retirada do investimento no objeto, segue-se a regressão pela introjeção, no eu, de atributos do objeto, identificação. O Édipo seria uma regressão positivada, necessária para o bem da civilização. Quanto ao espaço, dava validade universal ao conteúdo cultural de sua Viena – desta forma limitando o Édipo a uma circunscrição específica e psicologizada, cujos pormenores irão abastecer a literatura psicanalítica de  teses e proposições em relação ao seu conteúdo  - edipiano.

Me parece que quando Lacan formula a Metáfora Paterna ele busca sair dos  impasses de um Édipo excessivamente pormenorizado e limitado ao seu conteúdo de época . Do sal por cloreto de sódio. De um hábito arraigado de pensamento suposto materialista e da imensidão da imaginação psicanalítica dos autores de então. O Édipo como interditor do incesto, promotor da exogamia – o abandono do objeto incestuoso - e do Ideal do Outro, cujo herdeiro é o supereu é o Édipo freudiano que foi preservado por Lacan. O conteúdo do Édipo freudiano pode ser atualizado tanto quanto se faça necessário.

Lacan preserva, ou tenta – vide os três tempos do Édipo - a estrutura revelada por Freud e a eleva, a transpõe, para o lugar de Paradigma. Paradigma dos ideais e dos objetos. De Interpretante. O Édipo passa a ser uma potente chave de leitura (tradutor privilegiado) dos fenômenos que constituem a subjetividade, independente de sua época e de seu conteúdo, com a ressalva de que não seja o único – pode haver neurose sem Édipo.

A metáfora paterna lacaniana é sem conteúdo, independe de conteúdo, uma instância terceira que representa a ordem simbólica. Esta memória virtual de possibilidades e impossibilidades que só se localiza no espaço /tempo por uma abordagem topológica – abstrata - que não cabe aqui abordar. O Édipo em Lacan sofre relevantes modificações - as posições epistemológicas dos dois são muito diferentes. Para Lacan, um Édipo idêntico a ordem da linguagem. Um discurso estruturado e transmitido pelas línguas de origem  indo-européias. Um discurso que forma sujeitos e constitui objetos.

Importante frisar que os objetos também são constituídos pela linguagem. Existe uma tendência – uma espécie de nominalismo ingênuo - a supor que, primeiro está a coisa em si (que somente pode ser parcialmente apreendida, a deixar um resto que se imagina fora da linguagem) e, sobre ela, se apõe o nome, o significante, a palavra. O referente determinando a referencia.  O Objeto determinando o Representamen e o Interpretante sendo recalcado.

Mas dessa forma necessariamente o Édipo passa a ser a coisa em si, o referente dos interpretantes. E é absurdo supor que em psicanálise se trate da coisa em si. Do pai em si. Mesmo que através do recurso ao pai totêmico. Em semiótica isso se denomina a falácia do referente (vide Umberto Eco). A linguagem constitui os objetos, inclusive o a. A referência determina o referente.  A coisa só se torna Objeto pela relação entre Representamen e Interpretantes. Se antigamente se supunha que a linguagem possuía limite – e este era notado com a formula 2x102.000.000, atualmente se afirma o caráter infinito da linguagem.

Se a linguagem é infinita, esse infinito se dá em um espaço/tempo que pode determinar a revisão da hipótese freudo/lacaniana que supõe existir um resto concreto que escapa á representação. Essa suposição determina uma forma de conceber o objeto a que não é sustentada pelo texto lacaniano, embora seja promovida por seus comentadores.

O objeto a não se refere a um Existente Concreto como coisa em si - cujo Interpretante seria um gozo inefável, inaudito, impossível, um gozo adjetivado porque substantivado num pedaço do corpo imune a ser representado - conforme explicitado pelo próprio Lacan nos trechos que citei. A psicanálise também esta afeita aos efeitos da tradição, uma tradição cuja revisão e tradução se faz necessária constantemente. .

Porque o que é transmitido pelo Édipo é essa conotação fixa superegóica do tu farás ou tu não farás, do tu deves ser ou tu não deves ser, tu desejarás ou tu não desejarás. Pensarás desta forma ou daquela, e transmitirás assim ou não transmitirás. Na psicanálise são admitidos outros Interpretantes: Roudinesco constata em seu dicionário que, nos Estados Unidos, o mito de Narciso ocupou o lugar de Édipo. Da mesma forma, o psicanalista americano Fred Pine inventariou a produção teórica e clínica estadunidense e concluiu pela descrição de quatro Interpretantes: “quatro psicologias” – Drive, Ego, Self and Object – cada uma delas autônoma em relação as demais, embora possam ser operadas na clínica em conjunto. O Édipo pode ser pensado como o mecanismo que ordena as pulsões ( Drive), determina as relações de objeto( Object relations) , constitui o eu ( Ego Psychology)  e produz uma vivência subjetiva ( agency) de masculinidade ou feminilidade ( Self experience).

O que me interessa marcar aqui é que o sujeito sai destas operações lógicas com o fantasma constituído. Mas com qual conteúdo? Ao contrario do Édipo mítico, a criança sai deste processo sem ter conseguido matar o pai ou fazer sexo com a mãe. Sai domesticada. Domesticada pelo que não aconteceu. Para Freud o inconsciente é composto de representações de coisa, resíduos mnêmicos de imagens e eventualmente traços auditivos. Coisa entendida como aquilo que efetivamente aconteceu e deixou marca, como evento.

Numa conferencia sobre Psicanálise e Neurociência Miquel Bassols da um exemplo que ainda comove. O bombeiro que, sonhando depois do atentado de 11 de setembro, repete o movimento de sua mão em direção da mão da criança, estendida em sua direção, que não chegou a tocar a sua e que, portanto, não conseguiu ser salva por ele. Sonho de angustia, um encontro que não aconteceu, algo que não se realizou. E que traumatiza. Quando se usa o significante gozo e se o associa com o significante Coisa já se está no plano da linguagem. E já há Interpretante, esse que associa. Eu sou aqui, meu eu é, neste trabalho, o operador Interpretante – eu, esse condensado de identificações, metáfora/ sintoma( polo do Sujeito), gozando pela escrita ( polo do objeto), imaginando as possível reações ao que digo.

Meu Imaginário opera, vincula Simbólico e Real ( S barrado e a). E meu inconsciente me surpreende, assumindo esse lugar que imagino dominar.  Se a estrutura é em nó borromeano o Imaginário do analista ou do autor de um texto qualquer não se dissolve pura e simplesmente. É uma impossibilidade estrutural.  Também posso usar o interpretante denominado Real, para indicar o “impossível de dizer” (resto irrepresentável, Ding) e imajar um lugar aonde se localize o significante “Coisa”, representamen do objeto Coisa, cujo Interpretante seja um gozo inominável. Mas não saio do plano da linguagem. Nem do plano da imagem. É impossível abordar a coisa em si de outra forma que não essa do plano linguageiro. E é nesse plano, da linguagem, e tendo como referência a categoria do Real, que se pode escrever e formalizar, operar com letras - a fórmula da fantasia, S barrado punção de a – para  um sujeito alienado a um conjunto de significantes – Ideal do Outro -  e em conjunção e disjunção a um conjunto de objetos – causa de desejo. Agora, desejo de quem? Desejo do Outro.

Um fato de estrutura que faz com que cada um tenha que se haver com o descolamento -  aqui sim - a separação entre o Ideal do Outro e a causa de desejo. E para tanto precisa haver (olha o mandamento do ideal do eu)  a extração do objeto, a queda desse objeto vindo do Outro – e que é constituído pela alienação ao Ideal do Outro. Sutil diferença aqui, mas fundamental, pois quem produz o objeto que substitui a mãe interditada é o Outro. Ele quem indica, faz índice, do que pode ser “escolha de objeto”. A alienação e a separação não são necessariamente sucessivas, o tempo lógico se aplica. Nesse caso, eu me separo do objeto proscrito (supereu) e me alieno ao objeto prescrito (ideal do eu) pelo Outro por identificação.  Essa é uma hipótese lógica decorrente da operação de inverter o sentido da fórmula S barrado punção de a – ela passa a correr no sentido de a punção de S barrado.

É admissível entender os processos de Separação e Alienação como produtores de um sujeito dividido entre a  busca de sentido, pela constituição de um deslocamento metonímico de objetos em serie – primeiro o proscrito, depois o próprio eu ( podes me perder?) e depois outros prescritos - investidos e a cristalização do ser por uma condensação metafórica de significantes que o aliena.Uma lógica do desfalque. Sou onde não penso, Alienação. Penso onde não sou ( e todo pensar é pensar em algo, um objeto), Separação. Momento de constituição do fantasma.  Um  equilíbrio precário, um sujeito dividido entre o ser e o sentido.

De todo modo, independente de todas essas hipóteses, o que me parece relevante é marcar o Édipo como um Interpretante -  não como  um Universal Antropológico – capaz de produzir identificações e escolhas de objeto, em uma dialética afirmada por Lacan como a do ser e do ter.  O Nome-do-Pai lacaniano  pode ser pensado nesta hipótese de trabalho como o Interpretante de referência – e não como referente – para a garantia da eficácia simbólica, essa instância terceira que legisla, que determina, que memoriza, constitui e separa. Que faz norte ou bússola.  E esta independe do pai, pode ser a instituição, pode ser a mãe, a tia, o primo, o Estado, a Lei. Em Função e Campo da Fala Lacan assim afirma:

“A lei primordial é aquela que, ao regular a aliança, superpõe o reino da cultura ao da natureza entregue a lei do acasalamento; essa aliança é idêntica a uma ordem de linguagem e a interdição do incesto é apenas seu pivô subjetivo”

Tratar o que e apenas o pivô subjetivo (conflito edipiano) como fato de estrutura ( O Nome do Pai) implica conceber a transferência e a direção do tratamento de modo muito distintos. O lugar do analista no Édipo freudiano necessariamente é localizado como sendo o destinatário das imagos e protótipos infantis transferidas. Ocupa o lugar do pai ou da mãe. E desse lugar “corrige” a neurose de transferência que se constitui. Educa. E, desse lugar interpreta, um analista hermeneuta - a essas representações de coisa inconscientes transferidas faz –se necessário acoplar representações de palavra. Delimitar, circunscrever e modificar a relação do eu ao objeto. O analista freudiano corre o risco de produzir inflação de sentido.  Acolher a demanda do analisando em encontrar respostas, em fechar as lacunas, em ser. Um ser que ama e trabalha melhor. Bom.

Antes de chegar ao umbigo do sonho – o núcleo impossível de interpretação,  Freud recomenda esgotar todos os sentidos possíveis de exegese.  Opera num espaço Ontológico da presença, revés da epistemologia lacaniana, marcada pela falta, um sujeito sem substancia e com um objeto que lhe causa por sua ausência. Uma Ontologia negativa, como afirmam  Dunker e Safatle, conferindo um estatuto filosófico para a Lógica da Castração. Lógica essa que decorre da estrutura pré-subjetiva da linguagem.

  1. Nesta hipótese, a questão seria pensar o lugar do analista como sendo o do Interpretante, mas a doutrina diverge quanto á isso. Palice, se sustentando na fala expressa de Lacan citada anteriormente, sustenta que é a do Representamen, na medida em que este se coloca no lugar (stands for) do objeto. Por esse viés, o analista interpreta indicando quais os interpretantes do analisando se repetem na demanda. Visa os Interpretantes para atingir o objeto.

A interpretação pelo equivoco, pela escansão, pela citação, pelo enigma, pela evocação, pelo ponto de falta, pelo ponto do sujeito, pela busca dos significantes insensatos que se repetem na demanda do analisante  – modos propagados por Lacan em vários momentos distintos de seu ensino para desfazer os nós de significação, as cristalizações do ser e do sentido ( as fixações freudianas) - diferem frontalmente da interpretação hermenêutica freudiana. As cristalizações podem ser lidas como cristalizações ontológicas, o sujeito sofre do excesso de ser e da inflação de sentido.

Com a fórmula da fantasia, parece possível decompor, pelo polo do sujeito, e de acordo com sua transferência, os conteúdos de seu inconsciente, e pelo polo do objeto, a pulsão que se manifesta pela repetição. Articular e desarticular hermenêutica e energética. Dissolver o Édipo em termos freudianos e ir avante. Atingir a pulsão, o que abre outro campo de questões, mas que se revela o caminho clinico mais eficiente para tratar do gozo – da economia pulsional do analisante mediante a desmontagem de sua fantasia – essa que articula seus objetos parciais dando-lhes estrutura significante. A fantasia como um Interpretante da pulsão.

A posição epistemológica de cada um, posições muito diferentes em Freud e Lacan, determina o que se concebe enquanto conceito e o que se opera enquanto pratica. Por exemplo, o que mantém S1 e S2 articulados pode ser pensado em termos de um Interpretante, o Imaginário, mas também pode ser pensado como tendo a pulsão (alterando o registro, de Imaginário para o Real) como Interpretante.

  1. A pulsão como “eco no corpo do fato de que há um dizer” – Lacan, seminário 23 – e a pulsão freudiana – estimulo interno que pressiona constantemente por expressão e representação -  necessariamente devem ser lidas como radicalmente distintas?

Ou podem sofrer um trabalho de síntese por um S3? Jacques Allain Miller funcionado como Interpretante de Lacan e Freud em “Silet – a Pulsão entre o desejo e o gozo”. Não acho que S3 deva funcionar com o Interpretante “síntese” – síntese faz o eu. Os universais antropológicos freudianos (ou Interpretantes Absolutos no dizer de Pierce)  – Édipo, masoquismo originário, pulsões como estímulos internos, para citar alguns – são colocados em questão por Lacan. A esse respeito é interessante notar a homologia entre o universal  antropológico de Melanie Klein – excesso de pulsão de morte – e o universal antropológico de Miller – excesso de gozo.

Lacan altera e decompõe constantemente tanto a energética quanto a hermenêutica freudiana, mas não as substitui por outros universais antropológicos ou Interpretantes Absolutos. A não ser que a linguagem seja considerada nesta categoria. A  leitura que procura marcar as diferenças entre os dois – Freud e Lacan - é tão necessária quanto a leitura que procura marcar as semelhanças entre eles.  Enriquece as possibilidades clinicas.

Por outro lado Lacan tenta o tempo todo salvar varias hipóteses freudianas. E quando mais sustenta seu discurso de retorno a Freud parece cada vez mais se distanciar dele. O falo lacaniano não é o falo freudiano e entre os dois as diferenças parecem inconciliáveis. ( a esse respeito,  Jacques Allain Miller na obra citada acima). Assim, se tomo Lacan como Interpretante de Freud produzo um tipo de questão. Se tomo Freud como Interpretante de Lacan tomo outro caminho de indagações.

E se leio Lacan sem me remeter a Freud produzo mais outro viés. Se leio tanto um quanto outro tomando como referencia – Interpretantes - os autores da filosofia ou da ciência do tempo de cada um deles produzo mais um outro tipo de leitura.  A que me parece mais interessante, ainda que a mais difícil. Mas se tomo os dois como Um – outro Interpretante - produzo uma sutura tremendamente perigosa para meu percurso clinico e teórico, porque me coloco na posição de tender ao Absoluto, na posição de certeza, na posição do didata. Governado pelo meu Imaginário, deixo de transcrevê-los, de cita-los, de indaga-los, de critica-los, de analisar seus textos, de constatar sua inconsistência ou incompletude e passo a correr o risco de somente me citar ou a seus apóstolos.

  1. Fazer analise é de certa maneira tentar subverter a própria posição epistemológica. Desconstituir e suspender as certezas -  torná-las meras hipóteses - diminuir o peso do que é. Ricardo Goldemberg afirma que fazer analise é fazer a experiência da falta de referência e da falta de referente. Da falta de referência, no polo do sujeito, de seu romance familiar, de suas imagos e protótipos.   Da falta de referente, no polo do objeto, saber que, independente de suas fantasias e dos objetos a ela vinculados, a pulsão ordena seu corpo e seu psíquico de um modo ou de outro. Funciona como seu Interpretante.

 

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