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Gestão Ambiental

O ecossistema de inovação na cidade de São Paulo cresce rapidamente

Publicado em 17 dezembro 2018

O ecossistema de inovação na cidade de São Paulo cresce rapidamente, nucleado por hubs de empreendedorismo tecnológico, universidades e por corporações que enxergam na parceria com startups oportunidades de negócios.

Essa expansão está constituindo uma paisagem urbana particular, em que prevalecem a mobilidade compartilhada e o uso de aplicativos para solicitação e pagamento de serviços, entre outras inovações baseadas em tecnologias digitais.

Parte dessa nova geografia paulistana foi percorrida por 54 empresários, pesquisadores e investidores de todo o país, a convite da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), entidade vinculada à Confederação Nacional da Indústria (CNI), no âmbito do Programa de Imersões em Ecossistemas de Inovações. A iniciativa teve o apoio da FAPESP.

“É a 14ª edição do programa e a terceira realizada no Brasil. O objetivo é contribuir para fomentar política de investimentos mais eficazes, incentivar a inovação e aprimorar o sistema de financiamento”, disse Gianna Sagazio, diretora de Inovação da CNI e superintendente nacional do Instituto Euvaldo Lodi (IEL).

Ao longo de três dias, o grupo visitou dezenas de empresas, incubadoras, aceleradoras, hubs de empreendedorismo, entre outros, em um percurso entremeado por seminários sobre temas estratégicos para a consolidação do ecossistema.

O ponto de partida foi um encontro na sede da FAPESP, onde participantes foram apresentados às soluções do Sebrae-SP para startups e ao Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), que apoia, com recursos não reembolsáveis, iniciativas de pesquisas inovadoras de pequenas e médias empresas.

“A FAPESP recebe em torno de mil solicitações por ano e seleciona cerca de 250. Impressiona o número crescente de empresas com projetos nas áreas de manufatura avançada e tecnologias digitais”, disse Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fundação.

A FAPESP também sediou o primeiro seminário, com o tema “Hubs de Startups”, do qual participaram a 100 Open Startups, Endeavor, Anjos do Brasil e Baita Aceleradora.

Operando com o conceito de open innovation (inovação aberta), a 100 Open Startups articula grandes corporações e startups por meio de metodologia que envolve desafios tecnológicos e ranking das melhores empresas com soluções para 20 áreas temáticas. “Em três anos, 439 startups fecharam acordo com mais de 300 empresas”, disse Bruno Rondani, CEO da 100 Open Startups.

A Endeavor tem foco em iniciativas que promovam o crescimento de startups. “Empreendedores de alto impacto são os grandes protagonistas”, disse Camilla Junqueira, diretora-geral da Endeavor, citando o exemplo da Ebanx – startup de processamento de pagamentos com clientes como Alibaba e Airbnb –, que cresceu mais de 700% nos últimos três anos.

O roteiro no ecossistema paulistano de inovação incluiu o Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), gestor da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica de São Paulo USP/Ipen – Cietec, no campus do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), na Cidade Universitária.

Criado há 20 anos, o Cietec tem 112 empresas incubadas, 85 delas residentes, entre as quais Reciclapac e Alchemy, ambas apoiadas pelo PIPE-FAPESP, e a 3D Criar.

“As incubadas faturaram mais de R$ 35 milhões por ano e geraram 557 empregos em 2017”, disse Claudio Rodrigues, diretor-presidente do Cietec. O Centro prepara o início das operações do Cietec II, em área de 20 mil metros quadrados também cedida pelo Ipen. “A meta é chegar a 200 empresas”, disse.

Investimento de risco

A visita ao Cubo, hub de empreendedorismo do Itaú Unibanco em parceria com a Redpoint eventures, foi uma das mais longas. Instalada em um prédio de 12 andares na Vila Olímpia, em São Paulo, a iniciativa conecta 80 startups a 20 empresas mantenedoras, entre elas Accenture, Dasa, TIM, brMalls, Kroton, e investidores.

“As empresas selecionadas têm que apresentar soluções reais para o mundo real com produtos escaláveis”, disse Flavio Pripas, ex-diretor do Cubo e atual corporate venture officer da Redpoint eventures.

Desde a criação do Cubo, em 2015, startups residentes fecharam 728 contratos com grandes empresas, 65 deles com o Itaú Unibanco. Apesar dos bons resultados, a conexão de grandes empresas com startups não é simples, a começar pelo cumprimento de exigências para a contratação desses fornecedores, na maior parte das vezes recém-chegados ao mercado. “É preciso simplificar esse processo”, disse Pripas.

Para empreendedores, tampouco é simples atrair investimentos de venture capital. “Investir em startup se compara a uma curva em formato de J, longa e profunda. É preciso resiliência”, disse Erich Acher, sócio-fundador da Monashees, fundo de venture capital criado em 2006, durante seminário sobre essa modalidade de investimento, realizado no Cubo.

“Buscamos empreendedores de alto impacto que, com tecnologia e venture capital, revolucionam o mercado e o país. Já investimos em 81 empresas, inclusive na 99 [a primeira “unicórnio” do Brasil, cujo controle foi adquirido em janeiro de 2018 pela chinesa Didi Chuxing . Foram 12 anos para o primeiro retorno.”

Unicórnios são startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão.

O pragmatismo dos investidores privados fez com que a SP Ventures fosse constituída, em 2007, como seed funding do setor público. “Qualificamo-nos como gestor regional do Fundo Criatec do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)”, disse Francisco Jardim, CEO da SP Ventures. Nesse primeiro fundo, foram apoiadas oito empresas, metade na área de agronegócios.

Em 2013, a SP Ventures deixou o BNDES, compôs o seu segundo fundo com aporte de recursos da Desenvolve SP, Finep, FAPESP, Sebrae-SP, CAF e Jive Investments e priorizou investimentos nas Agtechs – empresas de tecnologias agropecuárias. Apesar das dificuldades na relação com órgãos reguladores e com as universidades, Jardim afirma que a SP Ventures está conseguindo criar alguns unicórnios, já que a agricultura brasileira dá escala para grandes negócios.

Andrea Calabi, coordenador do projeto de implantação de ambientes de inovação e criatividade no Estado de São Paulo, implementado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) com o apoio da FAPESP, ponderou que a articulação entre empreendedores, startups, venture capital e as universidades deveria ser provida pelo setor público, citando o exemplo da FAPESP.

Participaram do seminário sobre Venture Capital também a Dgf-Investimentos e a e-Bricks Ventures.

A caminho do mercado

O roteiro do programa de imersão no ecossistema paulistano de inovação incluiu visitas à Melicidade, sede do Mercado Livre; Eretz bio, incubadora de startups da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein; ao Google Campus; ao hub de inovação Wayra, aceleradora de startups criada em 2011 pela Telefônica; à Estação Hack Facebook; e ao InovaBra Habitat, ambiente de coinovação do Bradesco.

O roteiro encerrou no iDexo, instituto sem fins lucrativos mantido pela Totvs, Banco ABC e Salute, para conectar startups, empreendedores e desenvolvedores. “Prestamos serviços para grandes empresas, contratando serviços de startups”, disse Bianca Guimarães, community manager do iDexo. A visita encerrou com um seminário sobre Corporate Ventures.

“O programa foi impactante. Não tínhamos noção do dinamismo e de quão rápido essas empresas estão mudando a cidade de São Paulo”, disse Cândida Oliveira, coordenadora do Programa Imersões em Ecossistemas de Inovações.

Taynara Tenório Cavalcanti Bezerra, engenheira da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), no Amazonas, participou do programa que lhe permitiu conhecer o ecossistema paulista e iniciar contatos que permitissem levar a “cultura de inovação” para Manaus.

O ganês Salomon Kweku Sagoe Amoah, pesquisador do Laboratório CertBio, em Campina Grande, na Paraíba – instituição certificada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e acreditada pelo Inmetro para análise de toxicidade em prótese mamária e em material volátil –, aderiu ao programa com um interesse específico: buscar alternativas para levar ao mercado um biomaterial desenvolvido pelo laboratório e já patenteado.

“A visita ao Eretz bio foi muito importante. Não tínhamos noção da dimensão dessa área. Precisamos mapear grupos, empresas e incubadoras que possam nos ajudar nessa empreitada”, disse Amoah.