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A Tarde (BA) online

O dilema da inovação farmacêutica

Publicado em 23 fevereiro 2010

Por Cláudio Bandeira

A inovação farmacêutica tem esbarrado em um dilema: é melhor investir nos inúmeros fármacos já existentes dando-lhes melhor eficácia e diminuindo seus efeitos colaterais, ou investir em novas moléculas visando novos alvos terapêuticos?

Alguns fatores justificam o dilema. A descoberta de fármacos é um processo altamente complexo e dispendioso, que exige esforços integrados envolvendo pesquisa científica multidisciplinar, tecnologias avançadas, P&D e gestão. Quando se trata de medicamentos oriundos da biodiversidade, a complexidade é ainda maior porque isso significa garimpar biomoléculas inovadoras na imensa diversidade química dos inúmeros ecossistemas.

O fato é que muitos fármacos disponíveis para diferentes doenças não as curam efetivamente, apenas tratam seus sintomas. Isso se explica, em parte, porque várias doenças são processos patológicos desencadeados por várias disfunções do sistema biológico, ou seja, é um processo multifatorial e os fármacos geralmente atuam sobre um determinado alvo deste sistema complexo, e não no sistema biológico como um todo.

E no Brasil, apesar de sua enorme biodiversidade, o potencial micro e macromolecular de plantas, microrganismos, insetos, organismos marinhos, entre outros, é ainda pouco explorado como protótipos de fármacos.

Esse contexto estimulou o Programa Biota-Fapesp a realizar o Biota-Fapesp International Workshop on Metabolomics in the Context of Systems Biology: a Rational Approach to Search for Lead Molecules from Nature. Organizado pela equipe do BIOprospecTA, subprograma do Biota-Fapesp dedicado à bioprospecção, o evento será realizado nos dias 25 e 26 de fevereiro, das 9h às 18h, na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

Fonte: Fapesp.