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Diário do Nordeste

O Diário do Nordeste em análise de mass media

Publicado em 28 julho 2002

A realizadora da pesquisa que foi publicada no livro com o título Imagens Midiáticas do Carnaval Brasileiro: a Celebração Popular doa 500 anos do Brasil é cearense, de Juazeiro do Norte, fez Comunicação Social na PUC-Campinas, é mestra pela Universidade Metodista de São Paulo, tendo analisado como objeto de estudo o jornal Correio da Bahia, e agora faz doutorado também na Universidade Metodista, onde analisa a Rede Som Zoom Sat, ligada a bandas de forró, onde dá ênfase à nova indústria cultural atrelada a grupos de mídia. Atualmente realiza pesquisa apoiada pela Fapesp - Fundação de Apojo à Pesquisa do Estado de São Paulo, que faz o mapeamento dos grupos regionais brasileiros de mídia. Essa pesquisa começou este ano e ela vai analisar o Sistema Verdes Mares de Comunicação, considerado um dos maiores do, Nordeste, juntamente com o Grupo de Comunicação da Bahia. Esta pesquisa está apenas se iniciando e ela levará de dois a três anos para ser concluída. O livro Filosofia, Ética e Mídia está à disposição dos leitores na livraria Vozes, em Fortaleza. A obra foi publicada em 2001 pela Alínea Editora, de Campinas, São Paulo. Organizado pelo teólogo, filósofo e professor da pós-graduação de Filosofia da PUC-Campinas, José Transferetti. No capítulo escrito por Maria Eriça encontrarmos a análise da cobertura do Carnaval 2000 pelo Diário do Nordeste. Maria Érica é componente do grupo do núcleo de pesquisa da Universidade Metodista de São Paulo, coordenado pelo professor doutor José Marques de Melo, fundador da ECA-USP, que agora está na Universidade Metodista. Há três anos atrás ele realizou uma pesquisa, em nível nacional, intitulada as imagens midiáticas do Natal. Vários pesquisadores num certo período trabalharam com os principais jornais brasileiros para analisar como a mídia impressa retratava a imagem do Natal dentro de uma metodologia específica. Ocorreu então a idéia de se fazer uma pesquisa sobre o Carnaval. Foram escolhidos os principais jornais brasileiros: Folha de São Paulo, O Globo, O Estado de São Paulo e o Jornal do Brasil; e os jornais mezo-regionais, e como na Universidade Metodista existem pesquisadores de várias partes do país, foram analisados O Liberal, do Pará; A Crítica, do Amazonas, O Diário do Nordeste, etc. Foi uma análise de mais de uma semana de publicação, de 27 de fevereiro a 11 de março. Dois pontos foram estudados separadamente, o jornalismo e á publicidade que eram publicados. Foi feita uma análise de conteúdo, sem contato com o corpo editorial de nenhum, dos jornais, inclusive o Diário do Nordeste. O critério teve uma metodologia em que foi baseada a estrutura do trabalho. Sobre o comportamento do Diário do Nordeste na cobertura do Carnaval de 2000, Maria Érica esclarece: "Me chamou a atenção a publicação de um caderno especial sobre o Carnaval do ano 2000. Achei interessante porque se tratava de um caderno especial, que veio à parte das matérias, sem nenhuma publicidade. E uma coisa interessante também foi que o DN destacou o Carnaval não local, destacando mais o Carnaval regional, ou seja uma cobertura maior das praias do litoral cearense, sem deixar de lado a cobertura local no que diz respeito aos clubes, Carnaval de rua, as bandas alternativas. "Outra coisa que me chamou a atenção foi que o DN não circulou no dia 11." O que fica esclarecido com a não-circulação do jornal na segunda e terça-feiras de Carnaval, voltando às bancas na Quarta-feira de Cinzas. "Outro aspecto que me chamou a atenção foi à cobertura jornalística sobre o registro de fatos da atualidade, que se dividiam em informativos, opinativos e interpretativos e dentro da publicidade, os anúncios," ressalta Maria Érica. Numa análise sobre os eixos-temáticos, por exemplo, ela analisou cada matéria. O primeiro critério era a tradição versus a inovação. No Diário do Nordeste foi observado que prevalecia a tradição em vez da inovação. A pauta e as matérias foram sempre muito tradicionais, no sentido da exploração de pautas de cobertura de serviços, como o que vai e o que não funcionar durante o Carnaval em Fortaleza, qual o, horário do desfile dos blocos, os horários das partidas e chegadas de ônibus na rodoviária naquele período, também no aeroporto, agenda de clubes, como funcionam os hospitais e no aspecto regional as coberturas do Carnaval em Paracuru e Aracati, mas não houve nenhuma espécie de inovação, apesar de o Diário do Nordeste ter sido um dos poucos jornais no Brasil a dedicar um caderno especial com a cobertura da festa. "Tanto no jornalismo quanto na publicidade não houve inovação," reforça a pesquisadora. Ela esclarece que na publicidade os anúncios diziam: Venha para o carnaval em Aracati, apoio prefeitura municipal, ou Venha para o Carnaval de Camocim, participe do Carnaval mais agitado do Ceará; e as formas gráficas eram letras garrafais, associando a objetos do próprio Carnaval, sem nenhuma inovação; porém no jornalismo, se observou que as matérias eram mais informativas que persuasivas, isso ia de encontro ao tradicional informativo. Outra coisa que chamou muito a atenção foi à cobertura sobre Carnavais alternativos, por exemplo, matérias com o perfil para quem não gosta de Carnaval em blocos, clubes e praias, oferecendo as opções de um Carnaval religioso, retiros, etc. Dentro da tradição versus inovação temos os sub-temas: celebração, simbologia, natureza da festa. Então havia informação de muita celebração e muitos ritos, prevalecendo a motivações. Dentro da simbologia, muitos cenários, no que diz respeito praias, enfatizando a questão geográfica mesma e a natureza. Eram os elementos e a estrutura da festa, mas no sentido esclarecedor geográfico. Não foi feita uma análise comparativa com os outros anos. A pesquisa foi apenas nacional, pois havia pesquisadores fora do Brasil que estavam acompanhando a repercussão do Carnaval brasileiro publicado em jornais estrangeiros. Foram analisados, El País, da Espanha, além de jornais da Alemanha e do Japão. A pesquisa acabou sendo compilada e saiu uma publicação, que é um anuário da Unesco divulgando todos os resultados em nível nacional. Para Maria Érica, "foi bom o resultado enquanto pesquisa porque respondeu perguntas como: qual o grau de fidelidade com que o Carnaval celebrado nas ruas, praças e clubes é retratado pela mídia? Quais as singularidades que o caracterizam como evento cultural? etc." Respondendo a primeira pergunta em relação ao Diário do Nordeste, Maria Érica diz que o resultado foi que ele retratou muito bem o Carnaval não local. Realmente no caderno especial ele acabou destacando muito bem a esfera regional, fugindo a sua característica de jornal local. Quanto à cobertura nacional ela foi um pouco inferior à cobertura regional. Ele se limitou à cobertura de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Olinda. Foram notas curtas indicando os ganhadores dos carnavais dessas cidades. Concluiu-se que o Diário do Nordeste é um jornal tradicionalista, mas não no sentido conservador, mas um jornal que poderia inovar no sentido de trazer mais ousadas, porém a pesquisadora ressalta o aspecto da criatividade e a contradição entre esses dois aspectos. "Criativo se você comparar que em relação aos outros ele dá ênfase aos cultos religiosos, aos carnavais alternativos e o fundamental, que os pesquisadores concordaram em uníssono, que apesar do jornal ser local teve uma cobertura regional muito enfática nesta época, fugindo da característica local," diz a autora.