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Jornal da Ciência online

O desafio dos portais acadêmicos

Publicado em 02 setembro 2019

Por Bruno de Pierro | Revista Pesquisa FAPESP

Falta divulgação acessível de resultados científicos na maior parte dos sites de universidades brasileiras

O reconhecimento público de cientistas e de suas contribuições para a sociedade depende, em boa medida, dos esforços de comunicação das universidades públicas, hoje responsáveis por mais de 95% da produção científica brasileira. Porém a divulgação de resultados de pesquisas não parece ser uma prioridade para a grande maioria das instituições, conforme aponta um levantamento preliminar feito em junho por um grupo da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná. Salvo exceções, observou-se que a maior parte das informações veiculadas nos sites oficiais de aproximadamente 300 instituições de ensino superior municipais, estaduais e federais trata de assuntos de interesse da própria comunidade acadêmica, como assinaturas de convênios, lançamento de editais e solenidades. “Por mais que os reitores tenham de prestar contas de suas atividades de gestão, há um desequilíbrio nos conteúdos veiculados pelas assessorias de imprensa das universidades”, afirma André Azevedo da Fonseca, professor e pesquisador do Centro de Educação, Comunicação e Artes da UEL e coordenador da pesquisa.

Para ele, as assessorias deveriam se ocupar mais da divulgação dos resultados de trabalhos acadêmicos desenvolvidos por professores e alunos do que de assuntos de interesse exclusivamente interno. “É preciso mobilização das universidades para comunicar a sociedade sobre a importância da pesquisa científica na vida das pessoas”, diz Fonseca, que utilizou as conclusões do levantamento para embasar o desenvolvimento do portal Brasil Ciência que será lançado oficialmente em setembro. Trata-se de uma plataforma para apoiar a divulgação de notícias sobre pesquisas realizadas em instituições públicas do país. “O objetivo é fazer uma curadoria dos press releases publicados nos sites das instituições, facilitando o acesso da imprensa e da sociedade em geral a esses conteúdos”, explica Fonseca. Entre as iniciativas divulgadas de maneira experimental no site, há um sistema de bombeamento de água usando energia solar, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Piauí, e um projeto de reintrodução de animais na natureza conduzido por grupos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

Entre as exceções apontadas por Fonseca estão as universidades de São Paulo (USP) e Estadual de Campinas (Unicamp), cujos sites dedicam espaço considerável para a divulgação científica, segregando, por meio de editorias, as notícias sobre pesquisas daquelas voltadas exclusivamente ao público interno, diz Fonseca. De acordo com ele, o levantamento se concentrou nos portais, por considerá-los a principal ferramenta de acesso a informações oficiais sobre cada universidade. Os sites das duas instituições paulistas costumam dar destaque para manchetes que atraiam a atenção do público e de jornalistas. “Recentemente, divulgamos reportagens e conteúdo audiovisual para explicar à população a importância do investimento público em pesquisa e desfazer mitos sobre a universidade pública”, diz o jornalista Luiz Roberto Serrano, superintendente de Comunicação Social da USP, órgão responsável pelo Jornal da USP, publicado em versão on-line, e a Rádio USP, cujos conteúdos alimentam o portal da universidade. O objetivo, explica ele, foi ajudar a combater a onda de desinformação sobre instituições de ensino e pesquisa.

Leia na íntegra: Revista Pesquisa Fapesp