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O desafio da zika: A dificuldade no diagnóstico - Biomedicina - Biólogo

Publicado em 03 dezembro 2019

Por Carlos Fioravanti | Revista Pesquisa FAPESP

O desafio da zika: Não há consenso científico de que algum dos 48 testes laboratoriais aprovados consiga diferenciar as infecções das causadas pelo vírus da dengue.

Em 2015, emergiu no Brasil uma doença até então obscura, a zika, cujas origem e consequências, principalmente a microcefalia, logo se tornaram conhecidas. Oficialmente, o número de casos registrados da doença caiu bastante nos últimos quatro anos, de 216 mil em 2016 para 2,3 mil de janeiro a março deste ano.

O tamanho real da epidemia, porém, é desconhecido, já que os testes mais usados – os rápidos e os sorológicos – nem sempre identificam corretamente o agente causador da doença. A dificuldade se deve à grande semelhança genética entre o vírus da zika e o da dengue, que dificulta a tarefa de distinguir um do outro.

É a chamada reação cruzada, uma limitação das ferramentas de diagnóstico conhecida há pelo menos 20 anos. Para complicar, alguns sintomas clínicos das duas doenças são similares, como febre e dor muscular, e ambos os vírus são transmitidos pela mesma espécie de mosquito, Aedes aegypti.

Diferenciar o vírus da zika é importante para fazer o diagnóstico laboratorial da doença, conhecer seu ritmo de propagação na população e tomar medidas de prevenção.

Desde 2016, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a partir de informações dos próprios fabricantes, aprovou para a venda 48 testes de identificação do vírus da zika. Estes são comercializados por nove empresas nacionais (privadas ou públicas) e 16 importadoras. Tiveram chancela da Anvisa 5 testes rápidos, 36 sorológicos e 7 moleculares.

Os exames rápidos dependem da quantidade de anticorpos produzidos contra o vírus, bastante baixa nos primeiros dias após a infecção. Do mesmo modo, os testes sorológicos detectam anticorpos cuja produção foi estimulada pela presença do vírus no organismo, principalmente as imunoglobulinas do tipo G (IgG) e M (IgM), que podem ser detectadas depois de cinco ou sete dias após o início dos sintomas.

Produzidos por células de defesa, os anticorpos permanecem no sangue, embora nem sempre seja possível identificar qual patógeno ativou sua produção. Esse tipo de exame pode ser feito a partir de uma semana após o contágio e custa menos do que o molecular.

Testes moleculares

Denominados RT-PCR, sigla para reação de transcriptase reversa, seguida de outra, em cadeia da polimerase, os testes moleculares registram trechos específicos de cada vírus. São o mais preciso de todos, mas têm de ser feitos em no máximo uma semana após a infecção, quando o vírus ainda pode ser encontrado no sangue, e por equipes especializadas.

Em laboratórios privados, o preço dos testes para diagnóstico de zika varia de R$ 10 a R$ 600, dependendo da metodologia empregada.

De acordo com os fabricantes, os testes diferenciam os anticorpos produzidos pelo organismo em resposta ao vírus da zika dos resultantes da infecção por dengue. Mas há indícios de que os resultados nem sempre são confiáveis.

“Os testes sorológicos disponíveis não parecem ser satisfatórios para diferenciar infecções causadas pelos vírus da zika e da dengue”, diz o infectologista Guilherme de Sousa Ribeiro, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), de Salvador.

“Os fabricantes deveriam fornecer informações mais detalhadas sobre os testes e as amostras que usaram para validá-los.”

>> Para ler todo o texto, acesse o artigo completo da Revista Fapesp > O desafio de diagnosticar a zika

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