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O custo da produção científica nas universidades brasileiras

Publicado em 13 setembro 2013

Análise de Marcelo S. Alencar publicada no Portal NE10

A combinação dos resultados do SIR World Report 2013, produzido pela SCImago Institutions Rankings, que trata da produção científica de instituições de ensino superior no mundo, com os dados orçamentários de algumas instituições resulta em cenários interessantes para avaliação das instituições nacionais pelos contribuintes.

A Universidade de Campinas, fundada em 1966, tem 1.750 docentes e um total de 22.173 alunos. Ela está na posição 135, com 17.130 produções científicas. A dotação orçamentária da Unicamp é de US$ 401 milhões, mas ela ainda recebe ainda US$ 144 milhões de fontes externas e US$ 417 milhões da Fapesp, além dos recursos do CNPq e Capes. Assim, o total de recursos destinados à Unicamp é superior a US$ 962 milhões, equivalente um terço do valor recebido pela USP.

Para a Unicamp, o índice de artigos por pesquisador é 1,96; o custo de produção é de U$ 115 mil por artigo publicado, para o orçamento oficial, e sobe para US$ 280 mil, ao se considerar as verbas extras de pesquisa. Portanto, a Unicamp é mais eficiente que a USP para produzir artigos por pesquisador, além de ter um custo de produção um pouco menor para a sociedade.

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), fundada no governo de Eurico Gaspar Dutra, em 1946, tem três campi e conta com 35.702 alunos e 2.140 professores. Sua posição na lista da SCImago Institutions Rankings é 547, com uma produção de 5.429 artigos científicos. O orçamento da UFPE é de US$ 454 milhões para o exercício de 2013.

O custo de produção da UFPE, considerando a base da dados da Scopus, é superior a US$ 415 mil por artigo científico publicado, mais elevado que os custos da USP e da Unicamp, considerando apenas o orçamento oficial da universidade. O índice per capita de publicações é 0,49, bem mais baixo que aqueles da USP e da Unicamp.

A Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), criada em 2002 a partir do desmembramento da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), fundada em 1957, é composta por uma comunidade acadêmica de 21 mil estudantes e 1.400 professores, com seis campi e orçamento inicial de US$ 167 milhões para 2013. A UFCG ficou na posição 917 a lista, com 2.769 produções científicas.

Para o UFCG, o custo de produção, considerando o orçamento publicado, chega a pouco mais de US$ 300 mil por artigo publicado, menor que aquele da UFPE, mas equivalente ao custo de produção da USP, que leva em conta a verba adicional das fundações e agências de pesquisa. O índice de produtividade científica por pesquisador é 0,40, menor que aquele da UFPE.

Evidentemente, fossem considerados esses cálculos, a lista produzida pela SCImago Institutions Rankings teria uma outra classificação, e a sociedade poderia avaliar com mais cuidado em quais instituições seu dinheiro rende mais. Claro, em toda instituição há ilhas de excelência, que provavelmente concentram a maior parte da produção e têm a maior produtividade. Vale a pena investir nelas.

(NE10)

http://ne10.uol.com.br/coluna/difusao/noticia/2013/09/12/o-custo-da-producao-cientifica-nas-universidades-brasileiras-442097.php