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O cuidado precisa continuar: vacinados podem transmitir variantes do coronavírus

Publicado em 01 agosto 2021

Por Italo Wolff

Estudos sobre cepas variantes da Covid-19 apontam que máscaras e isolamento social serão necessários por muito tempo

A vacinação provocou uma queda no número de novos contágios e mortes por covid-19 no Brasil. As estatísticas do Ministério da Saúde revelam que, do meio de abril até o fim de julho, a média móvel de mortes caiu de 3 mil para pouco mais de mil mortes diárias. Segundo cientistas, o único fator que pode explicar essa redução é a vacinação – já que as medidas não farmacológicas (isolamento e uso de máscara) permaneceram praticamente iguais.

No período de dois meses, o país passou de 20% para 42% de pessoas vacinadas com pelo menos uma dose. Na maioria das cidades de Goiás, por exemplo, começou-se a aplicar doses do imunizante da Pfizer e a faixa etária dos idosos foi protegida com duas doses. Dados do LocalizaSUS revelam que, de 25 de junho a 25 de julho, com a vacinação de mais de 96 milhões de brasileiros com uma dose, houve redução de 40% novos casos diários.

Um estudo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e da Universidade Harvard, dos Estados Unidos, aponta tendência de queda proporcional de mortalidade em idosos com mais de 70 anos com o avançar da vacinação contra a Covid-19 no Brasil. Segundo pesquisadores, a imunização já evitou a morte de 43.082 pessoas pela doença em 2021 no País.

Os resultados mostram que a proporção de idosos no total de óbitos por coronavírus caiu de 28% em janeiro para 12% (entre quem tem mais de 80 anos) e 16% (entre quem tem de 70 a 79 anos) em maio. As mortes por outras causas permaneceram estáveis no período. Para o coordenador do estudo, o epidemiologista Cesar Victora, da UFPel, o Brasil já teria ultrapassado o número de 600 mil mortes de Covid-19 sem a vacinação.

Ainda assim, nenhuma vacina é 100% eficiente e a imunização é uma medida de controle da doença que funciona coletivamente. Isso quer dizer que, embora receber uma vacina torne o indivíduo menos propenso a contrair a doença, a estratégia só é realmente eficaz enquanto programa de saúde pública. Ainda em outras palavras: quando grande parte da população é vacinada, fica estatisticamente evidente que alguns imunizados vão contrair a Covid-19 e mesmo morrer em decorrência da doença, ainda que esse grupo seja muito pequeno.

O fenômeno, entretanto, coloca em risco toda a campanha de proteção coletiva. Indivíduos que recebem a vacina e ainda assim morrem pela doença são extremamente raros, mas eles podem ser pinçados pelas mídias sociais ou por veículos de comunicação e receber o holofote da atenção pública, levando toda a população a pensar que essas exceções à regra justificam a alegação de que a vacina não funciona.

“Quando observamos os dados de mortalidade, principalmente no município de São Paulo, onde existe um acompanhamento bastante rigoroso por data de ocorrência, nós vemos que começou a cair, primeiro entre os acima de 80 anos, depois entre os 70 e 79 e agora entre 60 e 69 anos”, contou ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição o epidemiologista e professor Paulo Lotufo, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP.

Segundo Paulo Lotufo, 80% das mortes relacionadas à Covid-19 ocorreram com pessoas acima de 70 anos até o início de janeiro deste ano. A proporção mudou, entretanto, devido a imunização dos grupos prioritários, como os idosos. “Estamos vendo que realmente está tendo uma queda aqui em São Paulo, tanto nos hospitais particulares quanto nos hospitais públicos”, comentou o professor.

De acordo com Paulo Lotufo, acreditando nas informações que são fornecidas sobre a produção e chegada de vacinas, é possível projetar que, em meados de setembro, todas as pessoas acima de 18 anos terão recebido a primeira dose. Ele ressalta que, mesmo assim, ainda serão necessários cuidados em relação à transmissão da doença, pois existe a possibilidade das variantes. “Nenhuma vacina é 100%, existe a chance de transmissão”, completa.

Segundo informações de André Julião, da Agência Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), dois surtos de transmissão da variante alfa do novo coronavírus mostram que mesmo vacinados ainda podem transmitir o vírus e desenvolver Covid-19. A vacinação, entretanto, previne casos graves.

A conclusão é baseada no sequenciamento genético das cepas que contaminaram moradores e funcionários de duas casas de repouso de Campinas, no interior paulista. Os infectados, com média de idade acima de 70 anos, tomaram uma dose da vacina da AstraZeneca ou as duas da CoronaVac. Foi registrado um único óbito, de uma pessoa de 84 anos com Alzheimer.

O estudo, apoiado pela Fapesp, foi publicado na plataforma Preprints with The Lancet, ainda sem revisão por pares. “Os resultados mostram que pessoas que foram vacinadas podem se infectar com a variante alfa e, independentemente de ter a doença ou não, transmitir o vírus a quem ainda não foi vacinado. Isso é preocupante porque pode gerar um gargalo de seleção para linhagens que podem voltar a causar a doença mesmo em pessoas vacinadas. E mostra a importância de manter medidas de distanciamento social e o uso de máscara”, conta José Luiz Proença Módena, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp), que coordenou o estudo.

Em um trabalho anterior, o grupo havia mostrado que o soro do sangue de pacientes vacinados com a CoronaVac criava menos anticorpos para a variante gama (P.1) do que para a linhagem original do vírus, indicando, portanto, que os vacinados poderiam potencialmente se infectar. Estudo publicado em abril por pesquisadores da Universidade de Oxford mostra que a variante alfa pode infectar mesmo imunizados com as vacinas da Pfizer e da AstraZeneca.

“Nosso trabalho é um dos primeiros relatos de uma dinâmica de transmissão de uma variante de preocupação do SARS-CoV-2 em pessoas vacinadas. Ao mesmo tempo, com uma taxa de agravamento da doença muito baixa, muito menor do que esperaríamos de uma população com uma média tão alta de idade. Portanto, mostra um efeito protetor da vacinação para o desenvolvimento de COVID-19”, explica Módena.

O estudo ressalta, no entanto, uma dinâmica de transmissão sustentada do vírus. Os surtos foram contidos por conta de um diagnóstico rápido e o isolamento imediato dos infectados pelo Departamento de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Campinas. Com isso, pouco mais da metade das populações estudadas foi infectada.

Os pesquisadores mediram a carga viral em vacinados infectados nos dois locais, mas não houve diferenças significativas entre as duas vacinas. Além disso, avaliaram a quantidade de anticorpos neutralizantes para a variante alfa nos que testaram positivo.

“Não encontramos correlação do quadro da doença com o título [quantidade] de anticorpos neutralizantes. Quem teve sintomas tinha mais anticorpos do que os assintomáticos, provavelmente uma resposta à infecção e não às vacinas. Isso quer dizer que a proteção não depende necessariamente apenas de anticorpos, mas de outros componentes da resposta imune induzida pela vacinação”, explica o pesquisador.

A variante alfa, anteriormente chamada de B.1.1.7, foi detectada pela primeira vez no Reino Unido em setembro de 2020 e foi responsável pela segunda onda da pandemia naquele país e em outros da Europa. No Brasil, foi reportada pela primeira vez em dezembro de 2020 e sua presença comprovada em mais de dez Estados.

No estudo atual, foram sequenciados genomas do novo coronavírus de moradores e trabalhadores de dois lares de idosos de Campinas. Em um dos surtos, em um convento de freiras aposentadas, 15 das 18 residentes e sete dos oito funcionários foram vacinados com uma dose da vacina ChAdOx1, desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford. A média de idade era de 73 anos. Foram 16 casos registrados, metade deles classificados como leves e a outra metade como assintomáticos. Não houve casos moderados ou severos e nenhum exigiu hospitalização.

No outro local, uma casa de repouso para homens e mulheres, 32 dos 36 residentes e dez dos 16 funcionários tomaram as duas doses da CoronaVac, do laboratório SinoVac em parceria com o Instituto Butantan. Em 18 dos 22 casos (75%) o quadro foi assintomático e, nos outros quatro, leve. A média de idade dos pacientes era 77 anos. No mesmo asilo, dias antes das coletas para o estudo, um residente de 84 anos com Alzheimer apresentou sintomas de COVID-19, depois confirmada, 21 dias depois de tomar a segunda dose da vacina. Ele morreu após cerca de 20 dias internado.

Os autores ressaltam que o resultado aponta, sim, uma proteção das vacinas para quadros graves de COVID-19, mas que é preciso vacinar a maior parte da população o mais rápido possível. Outra mensagem é que pessoas vacinadas devem continuar adotando medidas não farmacológicas, como uso de máscara e distanciamento social.

Segundo o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, a variante Delta, originada na Índia, é muito mais contagiosa e tem potencial para vencer a imunidade propiciada pelas vacinas. A diretora da agência, Rochelle Walensky, admitiu na terça-feira que pessoas vacinadas infectadas com a variante Delta podem ser mais graves do que outras cepas do vírus.

No documento, a agência expõe uma perspectiva mais ampla e ameaçadora dessa variante. Segundo documento cuja cópia foi obtida pelo The New York Times, a cepa Delta é mais transmissível do que o vírus causador da Mers, Sars, Ebola, ou um resfriado comum, gripe sazonal e a varíola, e é tão contagiosa quanto a catapora.

“A medida mais imediata a ser tomada pela agência é reconhecer que a guerra mudou”, diz o documento. “O CDC está bastante preocupado com dados que vem recebendo que mostram que a Delta é uma grave ameaça e exige uma ação agora”, afirmou a autoridade.

Foram registrados 71 mil novos casos por dia em média nos Estados Unidos desde quinta-feira. E os novos dados sugerem que pessoas vacinadas estão propagando o vírus, contribuindo para o aumento dos casos, embora provavelmente bem menos do que aquelas não vacinadas.

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