Notícia

Correio do Povo (Porto Alegre, RS)

O ceticismo dos brasileiros

Publicado em 08 julho 2007

Uma pesquisa patrocinada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e coordenada pelo cientista político Jose Álvaro Moises, da Universidade de São Paulo (USP), apresenta resultados preocupantes e merecedores de reflexão pela sociedade e pelas autoridades. Trata-se do grau de confiabilidade das nossas instituições por parte da opinião pública, de como os brasileiros vêem as estruturas representativas. O levantamento de dados foi efetuado em junho de 2006, com um total de 2004 entrevistados em todo o país.

Entre os dados a serem levados em conta, alguns são positivos e outros deixam muito a desejar. É salutar por exemplo, constatar que o número dos que apóiam o sistema democrático subiu de 51% em 1989 para 68,1% em 2006 Todavia, lia outros indicadores passíveis de gerar inquietudes São 51,8% os que admitem que o governo possa passar ao largo do ordenamento jurídico, do Congresso e das instituições para resolver problemas graves Há, também, o índice de 81% de pessoas que desconfiam de todos os partidos. Não menos grave é o fato de 31,5% dos entrevistados acreditarem que o país pode funcionar sem partidos e 28,7% estarem convictos de que o Brasil não precisa do Congresso Nacional, o que pode explicar o descrédito da instituição.

Uma atenta leitura desta pesquisa pode ajudar para que os políticos e os partidos revejam suas práticas  e coloquem os interesses público e nacional acima de suas conveniências. O país já viveu um regime de exceção durante 21 anos e nossa democracia, apesar de todos os percalços, foi uma conquista, com o restabelecimento da participação do eleitor e o advento de uma Constituição progressista, avançada, guardiã da cidadania.

Efetivamente, nossos problemas são muitos, notadamente os relacionados com aspectos éticos e morais, pois, a todo momento, o cidadão fica sabendo de desvios de condutas dos nossos representantes Contudo, é preciso frisar que a palavra final sempre pertencerá ao eleitor Cabe a ele escolher candidatos que possam

honrá-lo e fiscalizar o mandato de seu representante.