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Forbes Brasil

O centro da IA no Brasil

Publicado em 01 março 2020

Por Angelica Mari

São Carlos (SP) está prestes a começar um novo capítulo de sua história com o início das operações de um dos mais avançados centros de inteligência artificial (LA) do país, que promete criar mais oportunidades para startups e grandes empresas interessadas em acessar a expertise local. Com 250 mil habitantes, 162 anos de fundação e a 230 quilômetros de São Paulo, a cidade tem um doutor para cada 100 moradores, segundo pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), média quase dez vezes maior que a nacional.

A tradição intelectual ganhará novo fôlego com o núcleo do centro de pesquisas de IA financiado pela IBM, pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela USP, que focará em aplicações de IA em áreas como processamento de linguagem natural, aprendizado de máquina, óleo e gás, agronegócio, meio ambiente, finanças e saúde. Segundo Fernando Osório, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP e integrante do comitê gestor do centro, que começa suas atividades em março, o local é uma espécie de oásis da academia brasileira. “ Estamos passando por uma crise de financiamento em pesquisa, mas a área de IA está protegida e privilegiada, tanto em nível estadual quanto federal ”, aponta.

O ICMC registrou um aumento de 25% no interesse em mestrandos em IA, e São Carlos tem evitado o “ brain drain ” (fuga de cérebros)  isso beneficia startups de alto crescimento como a desenvolvedora de software de gestão fiscal Arquivei e a constru tech Ambar, bem como empresas menores como a Onii, que faz uso de tecnologias emergentes (como veículos autônomos) em sua oferta de mercadinhos self-service para condomínios, e a Inf fino, brechó online que usa machine learning para detectar a autenticidade de bolsas de luxo. O papel do setor privado O fundador da Ambar, Bruno Balbinot, diz que a presença da USP e da Universidade Federal de São Carlos é importante para a criação de know-how, mas o setor privado também exerce um papel essencial. “ Sem empreendedores, capital de risco e demanda de mercado, a universidade vai ficar só produzindo papers ”, pondera. A professora do ICMC Solange Rezende, uma das maiores autoridades em processamento de linguagem natural no pais, diz que a academia quer aplicar sua pesquisa no mundo real. “ O que faltava era a proximidade com o empreendedorismo, e agora temos essa interação ”, comemora.

O novo lab se posiciona como um interlocutor entre as pontas do ecossistema. Empresas baseadas lá incluem iFood, Deloitte e Serasa Experian, e outras, como Roche, Fleury e Electrolux, encomendam projetos. “ Nossa fábrica de São Carlos é uma das mais modernas do grupo, e no contexto de indústria 4.0 falamos muito em usar os dados que vêm das fábricas. Ter acesso a pessoas capacitadas para isso é essencial ”, diz Antonio Manda lozzo, diretor de transformação digital na Electrolux. Segundo Anderson Criativo, CEO do O novo lab, a evolução intelectual de São Carlos deve atrair ainda mais empresas carentes de expertise. “ A união de players que atraem o interesse do mercado para iniciativas de inovação e atores que desenvolvem pesquisa em uma área tão estratégica como IA posicionam a cidade como centro de referência e um dos principais ecossistemas de inovação do Brasil. ”