Notícia

Jornal da Unesp

O Cedem e a preservação da memória social

Publicado em 01 setembro 2014

Por Antonio Celso Ferreira

Referência nacional na preservação da memória social e próximo de completar 30 anos, o Centro de Documentação e Memória da Unesp prepara-se para passos mais ousados, buscando enraizar-se na Universidade como polo de documentação e pesquisas em Ciências Humanas e áreas transdisciplinares.

Pela importância do seu acervo, nosso centro só é comparável a outros como o Arquivo Edgard Leuenroth (Unicamp) e o Centro de Pesquisa e Documentação de História (FGV, Rio de Janeiro). Ambos foram constituídos como projetos estratégicos das respectivas instituições, contribuindo de maneira decisiva para a qualificação dos seus cursos de pós-graduação e mesmo de graduação. O acervo do AEL, que reúne principalmente fontes dos movimentos anarquistas da Primeira República (1889-1930), foi fundamental para a renovação da historiografia e dos estudos de ciências sociais e políticas produzidos na Unicamp, com impacto nacional e internacional. O CPDOC, com suas coleções documentais relativas às elites políticas brasileiras (arquivos de presidentes da República como, por exemplo, de Vargas – 19301954 –, e dos governos militares pós-64 e outras fontes do poder federativo), angariou também grande reconhecimento no Brasil e no exterior.

O Cedem, concebido inicialmente como órgão dedicado à preservação da memória da Universidade, transformou-se desde a década de 1990 em centro de memória social, quando passou a receber importantes acervos dos movimentos sociais brasileiros na República, particularmente das organizações comunistas, socialistas e anarquistas, além de documentos das lutas sindicais no campo e na cidade, feministas, dos movimentos negros e outros. Atualmente, reúne a maior e mais importante coleção de periódicos, cartazes e documentos textuais das lutas sociais do século XX, amplamente pesquisada por estudiosos brasileiros e estrangeiros. Apesar dessa importância, tem sido pequena a participação de pesquisadores da própria Unesp em seus arquivos.

Nos últimos três anos, elegemos como prioridade a reorganização do Cedem, com o objetivo de integrá-lo aos demais centros de documentação da Unesp. Durante esse período, suas instalações foram reformadas e hoje contam com ambientes apropriados para a conservação do acervo, salas para o atendimento aos pesquisadores e de projetos de pesquisa, além de um auditório para eventos. Constituímos também um Conselho Consultivo formado por docentes de vários câmpus da Unesp, envolvidos em atividades congêneres. Temos a expectativa de instalar, em breve, sala de videoconferência para reuniões e um link que permita a transmissão de nossos debates e atividades culturais, sempre muito concorridos, a toda a comunidade universitária. A localização privilegiada do Cedem na Praça da Sé, em São Paulo, concorre para o sucesso dessas atividades, que possibilitam estender o conhecimento produzido na Universidade para estudantes e profissionais dos diversos níveis e áreas de atuação. É justo que esses debates científicos, acadêmicos e culturais sejam também acompanhados pelas demais unidades da Unesp.

Nesses anos, com recursos da Fapesp, do FNDE e do PDI/Unesp, avançamos na digitalização das coleções de fontes e na implantação de medidas de proteção aos documentos digitais, atingindo uma marca considerável do conjunto. Nossa meta mais importante, contudo, será brevemente alcançada com a implantação de um novo Sistema de Gestão dos Acervos Permanentes, criado pela equipe do Cedem e executado por docentes e alunos do curso de Informática do Câmpus de Presidente Prudente. O novo sistema, além de permitir a consulta dos documentos por qualquer pesquisador em seu ambiente de trabalho, poderá ser utilizado pelos demais centros de documentação e museus da universidade.

A rede facilitará o estabelecimento de intercâmbios no conjunto da Unesp, por meio da criação de linhas de pesquisa e programas de estágio em torno do nosso acervo. Estamos convencidos de que a implantação dessa rede virtual poderá contribuir para renovação e aprimoramento das pesquisas de iniciação científica e de pós-graduação dos cursos de Ciências Humanas – História, Ciências Sociais, Geografia, Jornalismo, Ciências da Informação, Letras e outros –, tendo em vista o fato de que muitos deles não têm acesso a fontes originais de pesquisa. Desse modo, o Cedem poderá se consolidar como um centro aglutinador dos projetos de preservação e pesquisa da memória social em toda Unesp.

Antonio Celso Ferreira é coordenador do Centro de Documentação e Memória da Unesp.

Este artigo está disponível no “Debate acadêmico” do Portal Unesp, no endereço <http://goo.gl/GGRaoK>.