Notícia

Jornal do Comércio (AM)

O capitalismo é vigoroso

Publicado em 24 novembro 2011

Um Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) generalizado - anteriormente um sonho de uns poucos radicais - tornou-se uma realidade iminente. A expectativa é de que vários dos países mais influentes endossem a idéia. Coreia do Sul, África do Sul, Brasil e índia, países que já adotaram o IOF com sucesso, deverão estar entre eles. Os críticos argumentam que o novo imposto irá afetar negativamente todos nós, por reduzir nossa capacidade de gerar riqueza e emprego. Eles dizem que não podemos arcar com esse tipo de medida em um momento em que estamos sofrendo uma das maiores crises da história do capitalismo. Esses pessimistas deveriam ter mais fé no sistema capitalista.

Apesar de todos os defeitos, o capitalismo comprovou ser o sistema econômico mais vigoroso que a humanidade inventou e apresenta enorme capacidade de adaptação, o que tem permitido que ele sobrevivesse a numerosas mudanças, muitas das quais - Um número expressivo de pessoas acreditou - iriam destruí-lo. O sistema decepcionou seus críticos da esquerda por sobreviver à ascensão dos supostos "coveiros" do capitalismo - os países que adotaram o sistema econômico centralizado - e a três séculos de crises econômicas cíclicas, as quais, segundo previsões de Karl Marx, seriam cada vez mais frequentes e intensas, até que finalmente o destruiriam. Todavia, o sistema econômico baseado na liberdade de escolha e no livre mercado é vigoroso e resiliente.

Amazônia está no limite

A Amazônia está próxima do ponto de não retorno para sua sobrevivência em razão da combinação de fatores que incluem aquecimento global, desflorestamento e queimadas que minam seu sistema hidrogeoló-gico. A advertência é do ambientalista Thomas Lovejoy, atualmente professor da George Mason University, na Virgínia, EUA, no simpósio internacional FAPESP Week, em Washington. Ele crê que restam apenas cinco anos para inverter as tendências e evitar problemas mais graves. O aque-dimento da temperatura média do planeta já está na casa de 0,8 grau centígrado. Ele acredita que o limite aceitável é de 2 graus centígrados, que pode ser alcançado até 2016 se nada for feito para reduzi-lo. Lovejoy também opina que 20% de desflorestamento em relação ao tamanho original da Amazônia é o máximo que ela conseguirá suportar - o atual índice já é de 17% (em 1965, era de 3%). Em sua palestra, Lovejoy saudou vários, cientistas brasileiros como exemplos de excelência em suas pesquisas. Entre outros, Enéas Salati, que já dirigiu o INPA, Carlos Nobre e Carlos Joly.

Aquecimento global

Tudo o que a humanidade fizer para proteger o planeta Terra contra os fatores que o tiraram de seu equilíbrio e provocaram o aquecimento global, é válido e deve ser apoiado, na opinião de um dos mais respeitados ambientalistas da atualidade, James Love-lock. Em sua percepção, a expressão aquecimento global compreende fenômenos como: secas prolongadas que dizimam safras de grãos, grandes inundações e vendavais, falta de água, erosão dos solos, fome, degradação de 15 entre os 24 serviços listados na Avaliação Ecossistêmica da Terra, da ONU, responsáveis pela sustentabilidade do planeta (água, energia, solos, sementes, fibras etc). Para ele, "a questão central nem é salvar a Terra, ela se salvará a si mesma e, se for preciso, nos expulsará de seu seio. Mas como nos salvaremos a nós mesmos e à, nossa civilização? Esta é a questão básica que a maioria dos humanos não está de fato se importando, ou compreendendo. Será que as lideranças planetárias serão capazes de encontrar soluções antes que seja tarde demais?" Afinal, a nave espacial Gaia é o nosso único lar.

Direito à Informação

Durante 60 anos a ONU apregoa que o direito à informação é parte essencial do direito à liberdade de expressão, garantido no artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O compromisso do governo brasileiro com a transparência ativa - especialmente em relação a documentos que revelam violações de direitos humanos - e com o acesso à informação pública ganhou nova dimensão com a sanção presidencial da Lei de Acesso à Informação e da Lei que institui a Comissão da Verdade. Porém, a aprovação da Lei de Acesso à Informação é apenas o passo inicial para a promoção desse direito. A liberdade de informação é proteção fundamental para a democracia e uma maneira democrática de igualar todos os indivíduos. Ela pode beneficiar não só grupos da sociedade civil, jornalistas e empresas, mas, de fato, toda e qualquer pessoa.