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Dinheiro Rural

"O Brasil é respeitado no mercado de agtechs..."

Publicado em 01 fevereiro 2018

A agricultura digital já é uma realidade no País e a tendência, é que ela se desenvolva ainda mais. Não é à toa que empresas como a americana Climate, da Monsanto, aportou no Brasil ió no final de 2016. O País é um grande celeiro para o consumo e a ~ produção de inovação tecnológica no agronegócio. E nesse ambiente que nasceram startups, como a especialista em irrigação Agrosmart; a Promip com o seu controle biológico de insetos e doenças; a Strider no monitoramento digital de pragas, e a Aegro, com uma ferramenta de gestão digital descomplicada para as fazendas. Todas elas foram financiadas pelo fundo de capital de risco SP Ventures, com sede em São Paulo. "Estamos investindo em 15 startups agrícolas", diz Thiago Lobão, sócio e um dos diretores do fundo. "Teremos outros investimentos no agronegócio que vamos anunciar ainda neste ano". Hoje, a SP Ventures é a que mais investe em startups agrícolas. Por trás dela está o Fundo de Inovação Paulista (FIP), que conta com investidores institucionais do governo federal e de São Paulo, como o Desenvolve SP, o Finep, a Fapesp e o Sebrae-SP, além de investidores privados, como o espanhol Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) e a paulistana Jive Investments. Segundo Lobão, o aumento de investimentos em agtechs no País é certo. A ideia é sair de um fundo de R$ 107 milhões na SP Ventures para R$ 300 milhões em 2018. Confira o que está por vir:

Para onde vai a SP Ventures em 2018? Querernos criar um diálogo entre o mundo do agronegócio e o mundo das finanças. Para nós, essa é urna das principais pontes do negócio.

Por quê? Porque hoje existe urna dispa·1·idade da cadeia agrícola corno rnercado de capitais. O que se tem muito é urna cadeia de crédito bem desenvolvida. Mas existe 'Urna série de outros produtos financeiros no rnercado, para diversos setores produtivos. A ideia é fazem com que esses mesmo instrumentos financeiros figurem cada vez mais dispordveis para os produtores rurais.

De quais ferramentas o sr. se refere? Fundos de participação, por exernplo. São fundos que o porcentual de empresas. Hoje, já há alguns fundos comprindo participações em opemções agrícolas, interessados no setor de insumos. Com isso, a SP Ventures passa a ser o primei1·o fundo a se especializar· no agronegócio. A ideia é dar· ·rnais musculatura a esse tipo de investimento. Chamamos isso de capital empreendedor, que é -um me·rcado muito promissor.

Qual o retorno nesse segmento? Hoje, o investimento de capital privado no Brasil está dando algo em retorno de 25% a 30% ao ano. Mas, no caso de investimentos em empresas de inovação e tecnologia no agronegócio, podemos ú· além disso. O retomo pode chegar até 45% ao ano pm· cada real investido.

O agronegócio tem chamado a atenção dos investidores? Sim, o Brasil tem muita vocação. Do ponto de vista da pesquisa científica, do desenvolvimento de tecnologia ag1·ícola, o País é muito frente. Não somente pelo tamanho do mercado, mas por ter uma ciência aplicada compamda ou supe1-ior a de out-ros polos de desenvolvimento global.

Qual a posição do Brasil no mercado global de agtechs? Não temos um posição clara, mas o Br-asil está entre os quat·ro mais importantes do rnundo em agtechs, junto com os Estados Unidos, Ismel e o Canadá. Claramente, o mercado americano é o principal no mundo. Isr·ael parece está na segunda posição, talvez em quantidade de startups. Agora, se pegarmos a cadeia alimentícia e olharmos as soluções para restaurantes e até mesmo a cadeia logística que envolve o agronegócio, temos também a China e a Eur-opa se destacando bem. Mas, se olhannos soluções para dentro da, eu diria que o Brasil é ~tm grande cornpetidor.

O que tem levado as agtechs brasileiras a ganhar o mercado lá fora? Isso é su1·p1·eendende e não acontece em outro setm·. É muito difícil desenvolver uma fintech e ir lá bater na porta do mercado euro europeu, po1· exemplo. Ou mesmo ir nos Estados Unidos e dizer que sua fintech é melhor- que as deles. Mas, ao criarmos uma solução agrícola, exportamos ·isso facilmente. O Brasil é respeitado no mercado de agtechs porque tem apresentado muitas tecnologias dis1·uptivas. Pm· exemplo, os protocolos de conectividade da Ag1·osrnart, a lógica agronômica adotada pela Aegro, ou a modelagem agronômica trás dos mapas de fertilidade do sistema da Ince1·es. Temos urna tecnologia de ponta igual ou até supe1ior às agtechs americanas, por exemplo.

Qual o futuro desse movimento? O Brasil pode set· o grande polo de tecnologia e inovação agrícola global. Eu acho que de fato isso vai acontecer. Acredito que, assim como existe nos Estados Unidos o polo empreendedm· do Vale do 8-ilício, o Brasil tem polos impoTtantes se consolidando como chamariz de desenvolvedores de tecnologia. Não temos um só vale, mas vá1-ios, onde as aplicações de tecnologia ag1icola estão nascendo. Ternos a Esalq, na r-egião de Piracicaba, no inte1·ior de São Paulo. Nessa região também há o~dms iniciativas, como o Agtech Garage, o Pulse da Raízen e a Usina de Inovação. A r·egião deve se c01~{igumr corno um celeiro de desenvolvimento para ct internet das coisas (IoT). Há também polos na cadeia de biotecnologia, corno Jaboticabal, também em São Paulo. Em outras partes do País, mais iniciativas estão despontando, como o Agrihub de Cuiabá, uma iniciativa da Federação de Ag1icultum e Pecuá1-ia do Estado de Mato G?·osso. Temos movimentos acontecendo em Londrina, no Paraná. A cooperativa Frísia está para esse mercado digital. Na agropecuária ela é um exemplo. Na Bahia também há coisas interessantes acontecendo. Hoje, por todos os cantos do País vemos sementes de uma agricultura cada vez ·mais digital.

O País pode passar os Estados Unidos nesse movimento? Não sei. Mas hoje posso dizer que o Brasil e os Estados Unidos competem pela liderança no comércio de commodities agrícolas. E se existe abe1·tuTa e um g1·ande volume de dinheiro no mercado do agronegócio tradicional, é natural que tenhamos um desenvolvimento equiparado ao dos Estados Unidos.

Onde estão as oportunidades para mais inovações nesse setor? Na área de tecnologia da informação há um espaço muito legal para startups agrícolas. O foco é em rastreabilidade de e cornmodities. Existe espaço maior grande o comércio digital. Se olharmos a cadeia de biotecnologia temos um espaço gigante em negócios que envolvam a genôrnica de plantas. Principalmente em inovações facadas em estresse abiótico, com variedades que consigam manter ou superar a atual produtividade, com menos uso de água ou de fertilizantes, por exemplo. Na pecuária também há espaço pam inovação. Um exemplo é o sensorearnento no campo. É preciso ir além dos brincos de identificação dos animais e criar equipamentos de inte1·net das coisas que vão ajudar a monitorar o rebanho brasileiro.