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Juntos!

O Brasil e as Universidades Públicas estão lascados! A nossa saída é a confiança na luta dos estudantes!

Publicado em 09 março 2021

Por Eduardo Carniel

O cenário social, político e econômico do Brasil está um caos. Bolsonaro tem cumprido um papel criminoso durante esta crise. Não existem estratégias para o combate à pandemia, pelo contrário, constantemente o governo incentiva à disseminação do vírus e é oposição à vacina e à ciência. Após um ano de pandemia, já superamos a marca das 250 mil mortes. Na última semana, os registros de óbitos diários pela covid-19 são os maiores até o momento. É evidente que na ausência de um plano urgente de vacinação para todes, não será possível parar o vírus e salvar vidas!

Em Campinas há filas nas UTIs. Se não adotarmos o Lockdown nos próximos dias enfrentaremos a barbárie no sistema de saúde na cidade. Com o desemprego atingindo 13,4 milhões de pessoas – sendo que desses é a juventude entre 18 a 24 anos a mais atingida pela condição – o cenário de miséria e fome se tornaram cada vez mais frequentes. Para que as pessoas tenham condições de adotar o isolamento social e se preservar, é preciso exigir a garantia de auxílio de renda e da proteção dos empregos, ou o direito à quarentena estará sendo negado para muitos!

Bolsonaro adotou uma postura negacionista desde o início da pandemia. A ciência e os profissionais de saúde foram os verdadeiros responsáveis pelo enfrentamento a covid-19. Contudo, Bolsonaro elegeu o conhecimento como seu principal inimigo. Em 2021 repete a ameaça do seu ex-ministro Abraham Weintraub prometendo cortar cerca de 17% do orçamento da educação. No entanto, o movimento estudantil demonstrou sua força nos atos de Maio de 2019 em um tsunami em defesa da educação pública contra os cortes. Temos história e não aceitaremos calados nenhum direito a menos!

O governo do Estado de São Paulo, por sua vez, adota uma postura de preocupação com a pandemia frente às câmeras, mas na prática adota uma série de medidas que em nada contribuem para a garantia da vida. Dória se coloca como defensor da vacina e da ciência, mas durante 2020 tentou diversas vezes reduzir o orçamento da USP, UNICAMP, UNESP e a FAPESP, ignorando o papel essencial que os cientistas e estas instituições cumpriram no combate à pandemia. A hipocrisia de Dória revela seu projeto e do PSDB para o ensino e a educação!

1. Avançar com a precarização do investimento público, e consequentemente da infraestrutura, do trabalho servidor e docente e da qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão. Com isso, abrir espaço para os interesses do capital privado nas universidades públicas e para o mercado dos grandes conglomerados da educação;

2. Fazer a manutenção do tradicional sistema excludente e do perfil elitizado dos estudantes nas estaduais paulistas, a partir do retrocesso na democratização do acesso, combinando expansão da demanda com o corte nas políticas de permanência. Assim, crescem os índices de evasão da universidade, reduzindo o efeito das conquistas das cotas, que a duras penas foram garantidas pela luta dos movimentos estudantil e negro, de dentro e de fora da universidade.

Como a Unicamp se localiza nisso tudo?

Em meio a este contexto trágico, a UNICAMP atravessa um processo de troca de reitoria. Você sabe como funciona a escolha? Qual a importância e como o movimento estudantil deve participar desse momento da vida universitária?

A escolha de um novo Reitor acontece de forma indireta e em três etapas: 1) é realizada uma consulta (via votação online) à comunidade acadêmica. Ela se dará nos dias 10 e 11/03 na Unicamp. Como nos órgãos representativos da universidade (CONSU e congregações, por exemplo) os docentes têm um peso maior na decisão – o voto desse setor tem o peso de ? (60%), enquanto os servidores técnico-administrativos e os estudantes dividem os outros ? (ou seja, 20% para cada categoria). 2) Após a consulta, que pode precisar de 2 turnos, o CONSU monta a lista tríplice. 3) Por fim, a lista é enviada ao governador, que é quem nomeia o novo reitor.

Podemos dar muitos exemplos, mas a consulta para reitor é um dos bons para demonstrar o quanto ainda é insuficiente a estrutura democrática das universidades públicas, nos relembrando da histórica reivindicação do movimento estudantil por paridade nas decisões institucionais. Apesar das limitações, nós do Juntos acreditamos que os estudantes devem participar ativamente deste momento da universidade, em especial através da mobilização dos estudantes para resgatar o legado de luta do movimento estudantil, bem como para debatermos os desafios da atual situação das Universidades públicas. É hora de expressarmos as nossas reivindicações para às 3 chapas concorrentes e todo o conjunto da comunidade universitária, dando um pontapé nas lutas de 2021 e dos próximos anos.

Com a paralisação das atividades presenciais, o ensino remoto nos impôs novos desafios. As dificuldades de acesso aprofundaram as desigualdades já existentes entre os estudantes. Os mais atingindos foram os mais pobres, negros, indígenas, mães e trabalhadores. Como resultado dessa realidade também estressante, a necessidade de assistência para saúde mental cresceu para muito além das capacidades atuais da SAPPE. Mesmo assim, existem propostas nos programas das 3 chapas, para a próxima Reitoria da UNICAMP, pela adesão permanente do ensino híbrido (presencial e via internet) num futuro próximo.

Na moradia, os estudantes não têm internet oferecida pela UNICAMP. As caixas d’água contém amianto em sua composição – que segundo o Instituto Nacional de Câncer “não foram identificados níveis seguros para a exposição às suas fibras” -, e diversas casas sofrem com problemas elétricos e estruturais graves. Nos somamos aos estudantes bolsistas na luta pela reforma em toda a moradia!

A incapacidade de alocar todos os estudantes que precisam de vagas vem sendo denunciada pelo ME desde 2016. Quando já se destacava entre as pautas da greve que conquistou cotas sociais e raciais na UNICAMP a demanda de ampliação com novas casas. Marcelo Knobel não cumpriu com o acordo com o movimento, e em 2020 ainda tentou impor novos critérios mais excludentes para as bolsas SAE. Também construiu uma forte agenda de ataques, como o contingenciamento de R$72 milhões no orçamento, a cobrança na pós lato sensu e diversas demissões de terceirizados. Também houve muita insatisfação com os planos de carreira e a sobrecarga de trabalho pela redução de pessoal, entre os demais servidores e docentes.

É neste contexto que Sérgio Salles (IG) e Eliana Amaral (FCM, e pró-reitora de Graduação na gestão do Knobel), Tom Zé (FEA) e Maria Luiza (FCM) e Mario Saad (ex-diretor na FCM) e Marco Aurélio Zezzi (IQ) disputam a cadeira para a Reitoria 2021-2024.

O que os reitoráveis defendem?

Em meio aos ataques às universidades públicas e ao povo, o movimento estudantil tem o desafio de combinar três tarefas:

A construção da unidade de todos os setores da universidade para derrotar as ofensivas de Bolsonaro e Dória;Defender o projeto que os estudantes almejam para a universidade pública. Queremos que a nossa universidade seja pública, gratuita, inclusiva, e com qualidade de ensino, pesquisa e extensão. A defesa da permanência e o legado das cotas sociais e raciais!

Estes três pontos precisam ser norteadores na nossa tomada de decisões na consulta para a Reitoria.

Após um estudo dos programas e o acompanhamento dos debates entre as chapas, está nítido o projeto dos candidatos. Infelizmente, nenhum deles apresenta a mesma concepção do movimento estudantil de como e a quem a Universidade deve servir. Todos estão alinhados a um programa de desmonte e privatização. Os candidatos visam expandir o INOVA Unicamp e o fundo patrimonial como iniciativas para maior captação de recursos de empresas e instituições financeiras. Contribuindo assim para a destruição do caráter público das universidades, da ciência e da extensão.

Já conhece as chapas? Ainda não? O Juntos apresentá elas a você:

A chapa Saad e Zezzi têm bastante apoio entre os servidores da área da Saúde Apesar do discurso deles ser de defesa da universidade pública nos debates e em propostas, Saad pessoalmente declarou voto no Bolsonaro em 2018. O programa deles é frágil e falta concretude. Dentre as opções, são os que menos apresentam conhecimento de temas essenciais para os estudantes. No caso da permanência estudantil, se eleitos, eles pretendem inserir o mérito acadêmico nos critérios para as bolsas SAE.

A chapa Sérgio e Eliana representam a continuidade da gestão atual de Knobel, por isso em seu programa há um conhecimento mais refinado sobre a realidade da universidade. Eles representam um setor alinhado ao perfil e aos interesses políticos de Dória: combinando uma linha de defesa da democracia institucional com um forte plano de ajustes econômicos de cunho privatizantes. Sob a justificativa de “modernização”, defendem a adesão a medidas de redução de investimento. A exemplo da proposta de corte no número de docentes e servidores, via adoção de tecnologias no ensino. A chapa também defende a revisão dos critérios excludentes para as Bolsas SAE, propostas por Marcelo Knobel.

Tom Zé e Luiza. Os candidatos possuem uma ampla base de apoio. Entre eles está Rachel Meneguello, a concorrente de Marcelo Knobel na última disputa pela reitoria (2016/2017), e o ex-reitor Tadeu (2011-2015). Assim, poderia-se que esta chapa reúne o conjunto da comunidade docente de posicionamentos “mais progressistas”. Contudo, durante a gestão de Tadeu, não se avançou na melhoria das condições de trabalho dos funcionários e professores. Tampouco na infraestrutura dos institutos e na permanência estudantil. Também não houve avanço na democratização das decisões e o mesmo descumpriu com importantes compromissos de campanha. Contudo, o programa da chapa defende o investimento privado nas universidades públicas. Embora Tom Zé e Luiza tenham propostas progressistas em determinadas pautas democráticas, não apontam caminhos concretos para concretizá-las, submetendo-as à estrutura antidemocrática e conservadora da universidade.

Tendo em vista as insuficiências dos programas das chapas, qual o movimento estudantil deve escolher?

Como o processo de escolha de reitores é muito antidemocrático e os votos têm peso desproporcional, os estudantes pouco influenciam nos rumos da decisão. Frente aos programas propostos, todos três distantes dos interesses do movimento estudantil, a nossa posição deve ser firme em reafirmar o que nos é essencial e pela construção dessas conquistas através da mobilização coletiva.

Com a nova diversidade de perfis sociais dentro da universidade graças a conquista das cotas, se acelerou a necessidade de defesa do legado das cotas e lutas por permanência estudantil enquanto pautas centrais para o ME. O nível atual de precarização da permanência expõe anos de descaso, e um problema geral que devemos denunciar em conjunto, que é a falta de dinheiro público nas universidades estaduais. É urgente exigir o aumento do repasse do ICMS e outras formas de financiamento público. Por isso, defendemos medidas como a taxação das grandes fortunas e das heranças.

Por tudo que apresentamos, e nesse momento que os debates democráticos tomam a universidade por conta da eleição, o Juntos defende voto nulo acreditando que podemos organizar toda uma nova geração de estudantes e ativistas, membros de entidades e coletivos, servidores e docentes aliados, para debater os rumos da UNICAMP pela nossa perspectiva. É essencial elaborar propostas e a luta para que não negociem os nossos direitos e a universidade pública em troca do lucro dos poderosos, e organizemos a unidade necessária para derrotar Bolsonaro.

Defendemos e lutamos pela/por:

Universidade Pública, gratuita e para todes!permanência estudantil!Reforma e ampliação da moradia estudantil!Ciência, pesquisa e maiores investimentos públicos!Uma universidade para às mulheres, negros e pobres!Uma universidade sem opressão sexual e de gênero!Legado das cotas sociais e raciais!pelos empregos e contratação dos trabalhadores terceirizados!

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