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Correio Popular

O avanço da ciência genética

Publicado em 23 março 2009

Por Davi Zaia

A decisão do presidente dos EUA, Barak Obama, de derrubar o veto de seu antecessor, que há oito anos impedia a aplicação de recursos federais em pesquisas de células-tronco embrionárias, é plena de significado. Ela abre perspectivas para solução de doenças consideradas incuráveis, como câncer, Parkinson e Alzheimer, diabetes, acidentes vasculares e traumas na medula espinhal.

Como justificou Obama, a ciência não é incompatível com os valores morais de caráter político e religioso. Quando se trata de beneficiar as pessoas, os cientistas devem se concentrar no que os resultados de suas pesquisas possam trazer de positivo para a humanidade.

O Brasil tem registrado resultados que o colocam na vanguarda das pesquisas da área genética na América Latina. É importante citar o papel da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) nesse desenvolvimento.

Com um orçamento anual superior a R$ 400 milhões nos últimos anos três anos, a Fapesp vem apoiando a pesquisa no Estado com programas de bolsas a jovens pesquisadores, melhoria do ensino público, infra-estrutura e, em parceria com institutos de pesquisa nacionais e internacionais, vem conseguindo resultados surpreendentes.

Em maio de 1997, a Fapesp organizou a Rede Onsa (do inglês Organização para o Sequenciamento e Análise de Nucleotídeos), instituto virtual formado inicialmente por 30 laboratórios ligados a institutos de pesquisa do Estado de São Paulo. Os trabalhos resultaram na decifração da seqüência do DNA e na descoberta de informações novas para o banco de dados do Projeto do Genoma Humano.

Outras conquistas foram se acumulando como o fato de termos sido o primeiro País do Hemisfério Sul a sequenciar integralmente um ser vivo, a bactéria Xyella Fastidiosa, que é o único organismo causador de uma praga agrícola, conhecida como Amarelinho, já sequenciado no mundo.

No folclore político, o Amarelinho foi protagonista de um debate eleitoral entre o governador Mario Covas e seu rival Paulo Maluf, na disputa eleitoral para o governo do Estado, em 1998. Covas pediu a Maluf que discorresse sobre o Amarelinho. Maluf ficou sem saber o que responder. No dia seguinte ao debate, a imprensa deu detalhes sobre os avanços da pesquisas financiadas pela Fapesp. Os resultados foram tão significativos que Estados Unidos e Austrália solicitaram a ajuda brasileira para sequenciar bactérias semelhantes.

Outros programas de sequenciamento foram desenvolvidos, entre eles, o Projeto Genoma Câncer, em parceria com o Instituto Ludwig. Em menos de um ano, um milhão de sequências de genes dos tumores mais freqüentes no Brasil foram decifrados.

A Fapesp escolheu a área de genética como uma de suas prioridades e tem contribuído com a proliferação de vários laboratórios de sequenciamento genético, entre eles, o Centro de Estudos do Genoma Humano (CEGH), considerado o maior centro de pesquisas da América Latina, no qual foram investidos R$ 1,2 milhão, em conjunto com o Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq). Sua atuação é exemplo do que o apoio à ciência pode trazer em termos de incontáveis benefícios para a humanidade.

 

Davi Zaia é deputado estadual pela Assembleia Legislativa de São Paulo.