Quase 2,5 bilhões de pessoas terão algum grau de perda auditiva até 2025, de acordo com o Relatório Mundial sobre Audição da OMS de 2021. No Brasil, esse número já ultrapassou 10 milhões de indivíduos, segundo levantamento de 2019 feito pelo Instituto Locomotiva e a Semana da Acessibilidade Surda
O aplicativo Timbrasom pretende ajudar essa população a consumir músicas e reconhecer o som ambiente a partir da tradução das ondas sonoras em vibrações no celular. O projeto foi desenvolvido por Rafael Zinni Lopes, doutorando do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP (Universidade de São Paulo), em parceria com o programador Victor Dias.
As funcionalidades do aplicativo
O Timbrasom funciona nos celulares com sistema operacional para Android desde agosto. Os desenvolvedores estão tentando viabilizar o aplicativo para o iPhone, mas ainda não há previsão de lançamento no iOS.
O aplicativo conta com duas funções envolvendo a transformação das ondas sonoras em vibrações. A primeira faz uso do microfone do celular para reconhecer os sons ambientes e começa a vibrar no ritmo e no volume identificado do exterior.
Já a segunda funcionalidade do Timbrasom pede para ter acesso à gravação da tela e fazer a transformação do áudio de aplicativos do celular em vibrações. O Nexo testou a função e ela foi bem sucedida em vídeos do YouTube e do Tik Tok, além de produções do Netflix. No Spotify, no entanto, não houve interação.
Em entrevista à Agência Fapesp em 11 de dezembro, Rafael Zinni Lopes afirmou que há a intenção de ampliar a experiência sensorial de pessoas com deficiência auditiva com a música. O doutorando citou o ensino de instrumentos musicais e em aulas de dança como possíveis beneficiados ao traduzir o ritmo em vibrações.
O desenvolvimento do Timbrasom
Uma das inspirações para o aplicativo surgiu quando Lopes era estagiário no Laboratório Bioma da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP. Ele aprendeu sobre parâmetros sonoros – ou seja, as características que fazem as pessoas distinguirem sons, como altura, intensidade e timbre – ao ter que diferenciar os trotes dos cavalos tratados na instituição.
Lopes participou de um hackathon – evento de programação em que desenvolvedores se reúnem por horas para criar projetos – em 2020, de onde surgiu o protótipo inicial do Timbrasom. A ideia ficou na terceira colocação do evento.
O doutorando e o programador Victor Dias se inscreveram na Escola de Inovadores do Centro Paula Souza, em fevereiro de 2021, para criar o Timbrasom. O projeto fornece material de empreendedorismo para o desenvolvimento de ideias e startups.
Além das funções para pessoas com deficiência auditiva, o projeto inicial também apresenta que o aplicativo seria capaz de aumentar a imersão em filmes e jogos, ajudar DJs a criar batidas e influenciadores a criarem vídeos para as redes sociais com vibrações.
Em julho de 2021, os desenvolvedores lançaram o protótipo Feel The Music (“Sinta a música”, em tradução livre). O aplicativo conta com uma das funcionalidades semelhantes a do Timbrasom: escutar o som ambiente e transformá-lo em vibrações. Em relação a transformação dos sons internos do celular, o aplicativo contava apenas com duas músicas para fazer a tradução.