Notícia

Jornal do Brasil

Número de provedores encolhe 12%

Publicado em 21 novembro 1999

Por ROSANE SERRO
O Comitê Gestor Internet-órgão criado em 1995 para fomentar o desenvolvimento de serviços, padrões e procedimentos técnicos da Rede no Brasil - deve discutir, em breve, a criação de uma política que evite a canibalização e a mortalidade dos provedores locais independentes. A proposta é do novo representante das entidades operadoras no comitê, Antonio Tavares, também presidente da Associação Brasileira dos Provedores de Acesso, Serviços e Informações da Rede Internet (Abranet). O objetivo do novo integrante é impedir que os mega provedores internacionais pratiquem dumping e acabem asfixiando as empresas menores, que vêm construindo o mercado há quatro anos e mapearam cada beco e cada usuário do ciberespaço brasileiro. Guerra de preços - Não se deve controlar o mercado mas precisamos ter parâmetros para crescer. A tendência hoje é a criação de uma guerra de preços, em que os provedores estão tentando se diferenciar pela quantidade de produtos oferecidos e não pela qualidade, observa Antonio Tavares. Na sua opinião, a elaboração de políticas saudáveis para regular a operação local pode manter a capilaridade gerada pela operação persistente dos pequenos. O mercado está virgem. Nossa função é gerar novos usuários e não tirar dos outros os que já existem, afirma. O presidente da Abranet também pensa em propor uma aproximação maior com bancos de investimento - como o BNDES, por exemplo - para que os provedores nacionais ganhem estrutura financeira para manter um crescimento contínuo. Atualmente, a entidade tem cadastrados 280 provedores nacionais, sendo que, em 1998, este total foi de 321. Essa retração de 12,8% no número de empresas ocorreu à medida que surgem novas tecnologias e, com elas, a necessidade de mais capital. Os provedores de pequeno porte se desenvolveram com recursos próprios e nunca tiveram facilidade de crédito. Eles tiram a correia do próprio couro. O problema é que a demanda de investimentos é cada vez maior e eles não têm fôlego para sustentar isso, explica Antonio Tavares. No entender do presidente da Abranet, só há duas alternativas para os operadores independentes: formar cooperativas para buscar recursos em conjunto e explorar a especialização ou se unir a um investidor estrangeiro. Por sinal, a última opção foi escolhida pelo próprio Tavares, que vendeu sua empresa, Dialdata, para a irlandesa Via NetWorks. Corrida expansionista - O mercado americano amadureceu e os provedores trataram de correr para a América Latina, cuja previsão de crescimento do uso da Internet nos próximos anos os atrai como o canto da sereia. Essa é a visão de Caio Andrade, diretor de vendas e marketing da americana PSINet, uma das estrangeiras que mais está investindo no país. A melhor maneira de vir é comprar alguém. Além de ter um faturamento garantido, se absorve um time preparado que conhece bem o mercado, elabora. Palavra de explorador. PREÇOS CAEM; QUALIDADE, TAMBÉM MARCELO KISCHINHEVSKY Com o aumento da concorrência, os preços das assinaturas mensais dos provedores despencaram. Esta semana, a America Online entrou em campo, distribuindo, por intermédio de jornais, kits de acesso que dão direito a 250 horas de navegação gratuita. Em resposta, o Universo Online e a PSINet baixaram suas mensalidades para acesso ilimitado, respectivamente para R$ 19,95 e R$ 17,50. Para a engenheira Regina Vinhais Gutierrez, da Gerência Setorial do Complexo Eletrônico do BNDES, a concorrência se acirrar! beneficiando o consumidor. Os preços, que já eram relativamente baixos em relação aos dos demais países latino-americanos, continuarão caindo, acredita. Hoje, não há fidelidade nenhuma. O pequeno provedor tem que prestar um bom serviço. Se cai a qualidade, o usuário simplesmente troca de provedor. Mas manter a qualidade não é uma tarefa que pese sobre os ombros apenas dos nativos. Nos últimos meses, assinantes de provedores adquiridos por conglomerados estrangeiros viram os serviços piorarem da noite para o dia. Eu sempre detestei os provedores grandes demais, mas agora estou seriamente propenso a testar a AOL, se irrita o comerciante Sérgio Martins, 31 anos, micreiro desde os tempos dos BBS e há mais de um ano no Domain. Segundo Sérgio, desde que o Domain foi adquirido pela PSINet, a conexão e a navegação se tomaram irritantementc lentas, Achei que fosse algum problema de configuração. Procurei o suporte técnico, que foi super atencioso, mas não resolveu o problema. Outro dia, levei cinco minutos para visualizar a página inicial, depois de me conectar, conta o comerciante, que reclama da ausência de informações. A PSINet põe a culpa nas Unhas telefônicas. Nós entramos em operação exatamente na época do incêndio no prédio da Telemar na Barra da Tijuca, o que prejudicou o roteamento dos nossos serviços, justifica Caio Andrade, diretor de vendas e marketing da empresa. Como uma empresa que faz provimento para a Nasa não vai se preocupar com a qualidade?, ironiza, PIRATARIA DE DOMÍNIOS GABNELAMAFORT Na tentativa de cadastrar na Internet a marca Intelig, a empresa-espelho da Embratel teve uma surpresa: os endereços Intelig.com e Intelig.net haviam sido registrados dois dias antes. O susto pegou, nos últimos meses, outras 15 companhias, que estão na Justiça brigando pelo direito de registrar seus nomes na Rede. A Internet é um prato cheio para os piratas, que modernizaram a velha prática de registrar marcas conhecidas no Instituto Nacional de Patentes Industriais (INPI) para depois vendê-las aos donos de direito. O que acontece hoje com as empresas na Internet é um verdadeiro seqüestro. Para reaver os nomes, elas têm que pagar um resgate aos piratas. Outra saída é ir para a Justiça e esperar de dois a quatro anos. Já imaginou o que significa esse tempo em milhões de negócios na Internet?, pergunta Luiz Henrique do Amaral, advogado do escritório Dannemann & Siemsen, especializado em propriedade intelectual. O coordenador do registro (.br) do Comitê Gestor da Internet na Fapesp, Hartmut Richard Glaser, conta que o comitê discute a criação de uma espécie de junta de conciliação, paralela à Justiça, para resolver os casos de pirataria. A AOL é uma das gigantes afetadas pelo problema. A empresa está brigando na Justiça para garantir o domínio aol.com.br, hoje pertencente a um provedor de Curitiba.