Notícia

Jornal de Jundiaí

Núcleos coloniais "preservados" em livros

Publicado em 21 dezembro 2006

O arquiteto Eduardo Carlos Pereira, jundiaiense de 54 anos, reedita livro acadêmico e traça um perfil de 19 núcleos no Estado de São Paulo, apresentando como ponto central o Núcleo Colonial "Barão de Jundiaí". A obra resgata a história e valoriza os descendentes de imigrantes italianos em toda a região

Um estudo que iniciou há quase 30 anos, na universidade,  resultou em uma complexa pesquisa - pouco vista no Brasil - e patrocinada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Trata-se do trabalho do arquiteto jundiaiense Eduardo Carlos Pereira, de 55 anos, que transferiu para as páginas do livro 'Núcleos Coloniais e Construções Rurais' toda a pesquisa documentada sobre o assunto na região.

Lançada recentemente, a obra é uma reedição do livro 'Cem anos - Imigração Italiana em Jundiaí', de 1987, com edição esgotada, e apresenta informações de 19 núcleos coloniais, tendo como protagonistas os italianos. "A proposta do livro é valorizar as construções rurais que foram esquecidas e, muitas delas, demolidas", completa o autor. Pereira ressalta que a pesquisa teve orientação de Pietro Maria Bardi (1900 - 1999) - jornalista, historiador, expositor e negociador de obras de arte que ajudou a criar o Museu de Arte de São Paulo (Masp).  Bardi teria incentivado a pesquisa do arquiteto não apenas em Jundiaí, mas em outros núcleos coloniais do Estado de São Paulo, como consta no livro reeditado.

O estudo do Núcleo Colonial Barão de Jundiaí - localizado no bairro da Colônia e quase extinto devido à falta de política de preservação atual - é um dos pontos centrais do livro de Pereira. "O estudo do local deflagrou a abertura de um novo panorama para a compreensão da origem das técnicas construtivas, das cidades, das indústrias, das economias, das culturas, do desenvolvimento do Estado de São Paulo", relata Pereira, na introdução da obra. Segundo o estudioso, o núcleo foi criado em 1887, recebendo 22 famílias. Em pouco tempo não havia mais lotes dado o crescimento da região. Pereira recuperou a história dos núcleos baseando-se em documentos antigos, mapas e conversas com familiares. O livro traz, portanto, fotografias e documentos históricos do século passado, além de apresentar um mapa da Província de São Paulo no ano de 1886, quando constituiu-se a Sociedade Promotora de Immigração de São Paulo, mandando organizar a cartografia da província.

Nessa época, as ferrovias já somavam 2.150 quilômetros, enquanto a navegação fluvial (a vapor) totalizava 905 quilômetros. A Companhia Paulista de Vias Férreas e Fluviais, portanto, teria facilitado a implantação estratégica de núcleos coloniais.

Obra - Dividido em dois capítulos, o livro apresenta no primeiro momento os dados dos Núcleos Coloniais em São Paulo. Entre os tópicos estão o 'Planejamento em Rede', 'Colônias nas Fazendas', 'Núcleos Coloniais e a Construção das Casas'. Já no segundo capítulo, o estudo traça um perfil do Núcleo Colonial "Barão de Jundiaí", além de informações sobre o povoamento, a construção das casas, suas localizações, plantas e fotos, entre outros dados.  O livro está à venda nas livrarias da cidade e custa, em média, R$ 50. Conta com o patrocínio da Eletrobrás e foi editado por Ricardo Ohtake.