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Novos Negócios: JP Morgan engrossa cerco do capital a novos empreendedores

Publicado em 11 janeiro 2001

Por Rita Tavares
O banco de investimento JP Morgan Chase & Co está disposto a investir, tornando-se sócio minoritário ou majoritário, em pequenas empresas brasileiras que tenham projetos de inovação tecnológica voltados para o mercado financeiro. Enquanto estrutura a divisão "LabMorgan" em São Paulo, que cuidará de toda a América Latina, a instituição já conversa com cientistas que estão criando tecnologia de ponta em micro ou pequenas empresas. A decisão do JP Morgan Chase consolida uma tendência: com a frustração crescente com os projetos de Internet, os investidores, se voltam para as empresas de tecnologia. E, pelo que dizem os cientistas, todos estão com pressa. Além do JP Morgan, o Garantia Participações e o Rio Bravo (do ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco), além de outras instituições não reveladas e investidores particulares, estão em busca de novas oportunidades. "Não temos dinheiro carimbado para a América Latina", disse Rogê Rosolini, responsável pela implantação do "LabMorgan" latino-americano, admitindo que a disposição para negócios é grande. Nos Estados Unidos, o JP Morgan Chase fez investimentos em 67 empresas em 2000, o primeiro ano de operações neste segmento. O banco também tem operações similares na Europa e na Ásia. A Rio Bravo patrocina a empresa "Embrion" que fez três investimentos em projetos de inovação tecnológica em 2000. "No Brasil, com uma biodiversidade tão rica, é possível que a biotecnologia tenha uma vantagem competitiva", disse Franco, sobre a possibilidade de investir neste segmento neste ano, explicando, porém, que o interesse da "Embrion" é mais diversificado. A Rio Bravo atua como sócio minoritária nas três empresas em que investiu - duas ligadas ao comércio eletrônico. Os investidores estão atrás de projetos, como o de Cícero Lívio Omegna de Souza Filho que desenvolveu uma manta radiadora de luz usada em recém-nascidos com icterícia, que dá um aspecto amarelado ao bebê. Nessa manta, há uma fibra óptica que irradia uma freqüência que inibe a substância que causa a doença. O preço de venda da manta, de R$ 3 mil a R$ 4 mil, é a metade da importada, o que mostra o potencial do produto. Já concluído, o projeto de pesquisa foi financiado, em parte, pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) que tem um programa que beneficia outros 132 empreendedores. "Queremos fazer o melhor negócio possível", disse Souza Filho que ofereceu a manta a três empresas fabricantes de produtos hospitalares. Para tocar a produção, ele admitiu, que sua empresa talvez precise de capital de risco. Ou seja, um investidor. "Já fomos procurado por vários", revelou o cientista que admitiu, no entanto, ter receio de um aporte vindo de um banco de investimento. "Talvez pelo desconhecimento, exista o medo", afirmou Souza Filho. Assim como ele, outros cientistas se sentem mais confortáveis com projetos de financiamento, como o "Inovar", lançado pela Financiadora de Estudos e Projetos da Ciência e Tecnologia (Finep), um órgão ligado ao governo federal. Trata-se de um fundo de investimento de risco para a tecnologia que pretende levantar recursos para dar viabilidade comercial para projetos acadêmicos. "Estamos buscando um capital menos predador do que os dos bancos", disse Spero Penha Morato, dono da empresa Lasertools, sediada no Centro de Incubação de Empresas Tecnológicas (Cietec-Ipen), sobre a busca de um sócio. Beneficiada pela Fapesp, a empresa desenvolveu um projeto de micro-mecânica a laser. Faz cortes e gravações de alta precisão para a indústria médico-odontológica e automobilística.