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Informe MS

Novos chips em 2011

Publicado em 20 outubro 2008

A primeira indústria de semicondutores ferroelétricos na América Latina será instalada no estado de São Paulo, no Parque Ecotecnológico de São Carlos, no interior paulista. O anúncio foi feito no começo deste mês, no gabinete do reitor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em São Paulo, pelos representantes das duas companhias responsáveis pelos investimentos no projeto, a norte-americana Symetrix Corporation e o Grupo Encalso-Damha, sediado em São Carlos.

Os chips com memórias ferroelétricas são diferentes dos processadores de computador, que são ferromagnéticos. Uma importante aplicação está nos cartões bancários ou de crédito. As memórias ferroelétricas podem ser lidas e escritas cerca de 100 trilhões de vezes, enquanto a memória magnética de um cartão comum suporta apenas algumas dezenas de milhares de leituras.

Para que o produto seja desenvolvido no Brasil serão investidos até US$ 1 bilhão na nova fábrica. “A estimativa é que as construções tenham início no segundo semestre de 2009 e a operação comece no final de 2011”, disse Ricardo Castelo Branco, diretor comercial da joint-venture entre os dois grupos empresariais, à Agência Fapesp.

“A fábrica deve faturar cerca de R$ 100 milhões nos primeiros anos de funcionamento. O mercado mundial de chip de memória gira em torno de US$ 53 bilhões e o Brasil tem entre 1% e 2% desse mercado. O objetivo do empreendimento é faturar com a substituição das importações desses dispositivos. Inicialmente, queremos suprir o mercado brasileiro, mas a idéia é exportar também”, disse Castelo Branco.

Estima-se que a fábrica gere pelo menos 700 empregos diretos na região de São Carlos, mão-de-obra altamente qualificada que deverá ser formada por mestres e doutores de áreas como química, física, engenharia, matemática e design de circuitos integrados.

Os chips de memória produzidos na fábrica serão usados, entre outras aplicações, nos chamados "cartões inteligentes" (smart cards), que têm aplicações que vão desde movimentações bancárias de entidades financeiras e bilhetes para o transporte público até documentos, telefonia celular e TV digital. Esses chips deverão ser usados ainda na produção de sensores de infravermelho voltados à indústria automobilística

A instalação da indústria se beneficiará de um decreto presidencial relacionado ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Ciência e Tecnologia, que isenta de todos os impostos federais as empresas do setor de semicondutores, uma das quatro prioridades da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (Pitce) do governo federal.