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Novo vírus transmitido pelo mosquito borrachudo ameaça chegar às grandes cidades

Publicado em 21 julho 2017

Um novo vírus que causa febre alta e, em alguns casos, meningite e inflamação do encéfalo e das meninges (meningocefalite), ameaça chegar às grandes cidades brasileiras. Encontrado em amplas regiões das Américas do Sul e Central e no Caribe, o oropouche — um arbovírus (vírus transmitido por um mosquito, como o zika e o da febre amarela), se adaptou ao meio urbano e tem se aproximado cada vez mais próximo dos grandes centros.

De acordo com a Agência Fapesp, o alerta foi feito pelo professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) Luiz Tadeu Moraes Figueiredo, durante palestra sobre vírus emergentes na 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Com o tema “Inovação – Diversidade – Transformações”, o evento, que acontece neste sábado (22) no campus Pampulha da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), reúne pesquisadores do Brasil e do exterior, além de gestores do sistema nacional de ciência e tecnologia.

“O oropouche é um vírus que potencialmente pode emergir a qualquer momento e causar um sério problema de saúde pública no Brasil”, disse Figueiredo, durante o evento. De acordo com o pesquisador, que coordena um projeto apoiado pela Fapesp, há mais de 500 mil casos relatados no país nas últimas décadas de febre do oropouche, como é conhecida a doença causada pelo vírus.

Esse número, alerta o pesquisador, tende a subir, uma vez que o vírus, transmitido pelo mosquito Culicoides paraenses — conhecido popularmente como maruim ou borrachudo —, antes restrito aos pequenos vilarejos da Amazônia, tem se alastrado e chegado às grandes cidades do país. “O oropouche é um vírus que tem um grande potencial de emergência, porque o mosquito Culicoides paraensis está distribuído por todo o continente americano. O vírus pode sair da região amazônica e do planalto central e chegar às regiões mais povoadas do Brasil”, disse Figueiredo à Agência Fapesp.

Fonte: Extra