Notícia

Água, Vida & Cia – Fernando José de Sousa

“Novo vírus transmitido pelo borrachudo preocupa especialistas”

Publicado em 22 julho 2017

Uma notícia preocupante, veiculada ao longo da última semana, nos dá ciência da transmissão de um novo vírus – o Oropouche, através de um mosquito bastante conhecido em todo o Brasil – o mosquito borrachudo. Além de todas as outras espécies de mosquitos que já rondam as nossas casas – o “multi-transmissor” Aedes Aegypti (transmissor da Dengue e das febres Zika, Chikungunya, amarela urbana e Mayaro, além da Síndrome de Guillain-Barré) e sobre o qual já tratamos em post anterior, o Anopheles (transmissor da malária), Aedes albopictus (transmissor da febre amarela silvestre), o mosquito palha (transmissor da Leishmaniose), o mosquito Culex (transmissor da filariose ou elefantíase), entre outros.

O mosquito borrachudo, dono de uma picada das mais doloridas, é normalmente encontrado em áreas de matas (no Estado de São Paulo, é muito comum nas regiões de domínio da Mata Atlântica). Com o avanço do desmatamento e a destruição dos seus habitats naturais, o mosquito pode migrar para regiões periféricas das grandes cidades e, assim, expor as populações ao vírus oropouche. Leiam a matéria:

“Em breve, um novo vírus, que causa febre aguda e, em alguns casos, meningite e meningocefalite, transmitido pelo mosquito borrachudo, pode chegar às grandes cidades brasileiras. Segundo informações da Agência Fapesp, o alerta foi feito durante palestra sobre vírus emergentes na 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontece até sábado na Universidade Federal de Minas Gerais.

Risco

‘O oropouche é um vírus que potencialmente pode emergir a qualquer momento e causar um sério problema de saúde pública no Brasil’, disse Luiz Tadeu Moraes Figueiredo, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), durante o evento.

‘O Culicoides paraensis [borrachudo] está distribuído por todo o continente americano. O vírus pode sair da região amazônica e do planalto central e chegar às regiões mais povoadas do Brasil’, apontou.

O arbovírus oropouche – vírus transmitido por um mosquito, como o Zika e a febre amarela, mais comum nas Américas do Sul (principalmente na Amazônia) e Central e no Caribe, se adaptou ao meio urbano e tem estado cada vez mais próximo das grandes cidades brasileiras.

Aumento de casos

Além do Brasil, casos de febre oropouche, como a doença é chamada, foram relatados no Peru e em países do Caribe. Aqui, o vírus foi isolado em aves no Rio Grande do Sul e em macacos em Minas Gerais, onde foi detectada a presença de anticorpos neutralizantes – que ativa o sistema imunológico para combatê-lo – em um deles, e em Goiás.

Em seres humanos, em 2002, pesquisadores do Departamento de Biologia Celular, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, diagnosticaram 128 casos de pessoas infectadas em Manaus.

Sintomas semelhantes à dengue

Os pacientes apresentavam os sintomas típicos da infecção, como febre aguda, dores articulares, de cabeça e atrás dos olhos. Três deles desenvolveram infecção no sistema nervoso central.

A princípio, todos os pacientes identificados com a doença receberam o diagnóstico de dengue, uma vez que os sintomas são parecidos. Por esse motivo, os pesquisadores têm alertado sobre a incidência da febre oropouche em casos de suspeita de dengue.

Imunodepressão

O que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi a associação do vírus em pessoas imunodeprimidas. Um paciente, por exemplo, tinha neurocisticercose – infecção do sistema nervoso central pela larva da tênia (Taenia solium) – e outro, aids.

‘Isso mostra que algumas doenças de base ou imunodepressão podem facilitar que o vírus chegue ao sistema nervoso central’. É algo que quase ninguém pensa ao tratar de uma arbovirose e é preciso considerar essa possibilidade. ”, explicou Figueiredo.”

Publicado em 20 julho 2017 – Redação Revista Veja