Notícia

A Cidade (Ribeirão Preto)

Novo tratamento para próteses resulta em menor desgaste

Publicado em 26 novembro 2005

Por Dinorah Ereno

Todos os anos são feitas no Brasil cerca de 14 mil cirurgias para colocação de próteses de joelho e quadril pelo sistema público de saúde. Afinal, elas são fundamentais para recuperar movimentos perdidos em decorrência de acidentes, doenças degenerativas como artrose e artrite ou tumores ósseos.
A busca por articulações artificiais cada vez mais parecidas com asoriginais levou pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) a aplicar um novo processo de tratamento em uma liga de titânio, usada em aplicações ortopédicas, que resultou em um revestimento biocompatível com alta resistência ao desgaste.
"É o revestimento com o mais baixo atrito já obtido para esse tipo de aplicação", diz a pesquisadora Emília Tieko Uzumaki, responsável pelo estudo, apresentado e premiado em dois congressos internacionais realizados em setembro, um no Congresso da Sociedade Européia de Biomateriais na Itália e outro no Congresso de Superfícies, Revestimentos e Materiais Nanoestruturados em Portugal.
Na pesquisa, realizada durante a sua tese de doutorado na Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp orientada pela professora Cecília Zavaglia, a liga de titânio foi recoberta com carbono tipo diamante,também conhecido como DLC, do inglês Diamond-Like Carbon, material biocompatível que possuipropriedades como alta dureza, baixo atrito, resistência ao desgaste e à corrosão.
"A liga de titânio é a melhor liga biocompatível", diz Emília. No entanto, para ser utilizada em articulações, ela tem de passar por um tratamento de superfície, para resistir ao desgaste.
Para aplicar o DLC foi utilizado um processo de imersão em plasma desenvolvido pelo pesquisador Carlos Salles Lambert, do Instituto de Física da Unicamp, que está em fase de patenteamento.
Essa técnica de deposição utiliza um plasma de um hidrocarboneto — gás como o metano ou o acetileno — para envolver, por inteiro, as peças e revesti-las com o carbono tipo diamante.
Isso possibilita o revestimento uniforme de grandes áreas — até 1 metro quadrado ou mais, dependendo do tamanho do equipamento utilizado —, com baixo custo em comparação com outras técnicas de deposição a plasma.

Agência Fapesp