Notícia

Jornal do Brasil

Novo teste detecta cisticercose

Publicado em 09 junho 1999

Um diagnóstico rápido é fundamental para o tratamento da neuro-cisticercose, doença que pode provocar lesões cerebrais graves e até a morte. Pensando nisso, pesquisadores da USP desenvolveram um teste simples e barato para fazer o diagnóstico da doença. "Queremos ampliar a oferta do teste, facilitando o diagnóstico", disse a coordenadora do projeto, Adelaide José Vaz. Até agora, os únicos testes de diagnóstico disponíveis eram a tomografia e a punção de líquido da medula, que só eram feitos a pedido dos neurologistas, quando o paciente já estivesse apresentando sintomas. O novo teste é feito a partir de amostras de sangue, em um processo imunoenzimático, do tipo Elisa (Enzyme-linked Immuno Sorbent Essay). Por ser muito simples, ele poderá ser realizado como triagem, em postos de saúde. O teste deve estar disponível daqui a dois anos. Ele está sendo produzido em escala comercial pelo laboratório francês Biolab-Mérieux, que firmou uma parceria com os pesquisadores da USP. A pesquisa foi financiada pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), dentro do programa Inovação Tecnológica em Parceria. Segundo Adelaide Vaz, o estímulo à parceria entre universidade e empresa é fundamental para o desenvolvimento de pesquisas. "O mais importante é a troca de informações. Nós, pesquisadores, desenvolvemos o produto e aprendemos muito do processo de produção em larga escala na relação com a empresa", explicou. USP - A patente do produto, neste caso, é de domínio público. A USP vai continuar podendo produzir os testes, distribuindo-os para postos de saúde e outros órgãos da saúde pública. Os testes foram realizados em 500 amostras de sangue e mostraram ter uma eficácia de 95%. "Esta é a margem de erro de todos os testes de laboratório. O teste que nós desenvolvemos tem eficácia comprovada", explicou Adelaide. A cisticercose cerebral (ou neurocisticercose) ataca cerca de 140 mil pessoas no Brasil e é causada por um parasita, a taenia solium, também conhecido por solitária. A pessoa pode pegar a doença ingerindo água ou alimentos contaminados com os ovos da tênia. Segundo a pesquisadora, comer carne de porco não causa necessariamente a doença. Ao ingerir a carne do porco contaminada pelo cisticerco, o que a pessoa pode ter é uma infecção causada pelo parasita. Para ter a neuro-cisticercose é preciso ingerir os ovos da tênia. "A carne de porco só representa perigo de cisticercose se for de procedência duvidosa. Se o porco tiver sido criado em más condições de higiene, é possível que a contaminação pelos ovos de tênia aconteça, seja no armazenamento ou na distribuição", alertou a pesquisadora Adelaide Vaz.