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Novo surto de febre amarela virá em cinco anos, diz pesquisador de Oxford

Publicado em 01 julho 2019

Por Flavia Martin | Revista Época

Epidemiologista português vinculado à universidade europeia, Nuno Faria vem ao Brasil participar de programa para mapear vírus transmitidos por insetos

Depois de participar do Zibra, projeto que mapeou a geografia da disseminação do vírus do zika pelo Brasil, em um esforço conjunto com cientistas brasileiros e estrangeiros, o epidemiologista português Nuno Faria, especialista em doenças tropicais na Universidade de Oxford, volta ao país em julho para dar início aos trabalhos do CADDE, novo centro de pesquisas de arbovírus, que são os vírus transmitidos por insetos, como zika, dengue, febre amarela e chicungunha .

A iniciativa vai reunir pesquisadores do Brasil e do Reino Unido, coordenados por Ester Sabino, do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, da USP, e financiados pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

“São projetos-irmãos que têm como objetivo melhorar a detecção e a vigilância de arboviroses”, explica Nuno, que detalha abaixo os pontos mais críticos nas epidemias dos arbovírus no Brasil.

RECORDE EM CASOS DE DENGUE EM 2019

Nas Américas, a OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde, da OMS) contabilizou 741 mil casos de dengue neste ano, 79% deles no Brasil, dos quais 45% em São Paulo. Ainda precisamos de um trabalho coordenado para descobrir exatamente o porquê, mas já há duas potenciais explicações. Dados preliminares já confirmam que houve uma nova linhagem da dengue do tipo 2, vinda do Caribe. Outra explicação alternativa é uma suspeita de que pacientes que manifestaram zika há um tempo tenham desenvolvido uma pré-disposição para desenvolver uma dengue mais severa.

SURTOS DE FEBRE AMARELA

Dados epidemiológicos e genômicos indicam que, de 7-14 anos, surge uma nova linhagem de vírus de febre amarela cujo foco começa na Amazônia e depois se espalha pelo país inteiro até chegar ao Sudeste, que é onde concentram as maiorias dos casos. No último surto que vivemos, de 2016-2017, o Brasil registrou quase 800 casos. Foi o maior surto desde a década de 1920, chegando a lugares onde não chegava havia décadas, como a cidade de São Paulo. No Estado de São Paulo, porém, há registros de surtos de oito em oito anos. Logo, em 2024, espera-se um novo episódio. Temos cinco anos para identificar as causas e vacinar a população que está em risco.

VACINAÇÃO

Existem (vacinas contra a dengue) várias em andamento, mas três são as mais faladas. Uma já existente, a Dengvaxia, da Sanofi, há algumas restrições para uso. Há outras duas promissoras, uma japonesa e outra desenvolvida pelo Butantã, esta em estágio avançado de desenvolvimento. Mas o mais importante na vacina é garantir que ela chegue às pessoas. Isso porque, no caso da febre amarela, mesmo tendo uma vacina com eficácia alta, como temos desde 1937, muita gente não é imunizada, como provou o último surto. Isso mostra como é importante antecipar a transmissão das pessoas que estão em risco. No caso da febre amarela, prevenir a morte.

NOVO VÍRUS: MAYARO

É um vírus que conhecemos muito pouco, mas sabemos que é endêmico em localidades com florestas úmidas e tropicais da América do Sul. Podemos dizer que é um “primo” da chicungunha. Sabemos também muito pouco sobre o número de pessoas que foram previamente expostas a ele, pois não temos ainda protocolos nem métodos disponíveis para fazer o rastreio. Muito provavelmente, o número é muito maior do que o das notificações (pesquisadores da UFRJ detectaram recentemente três casos em Niterói, no Rio) . Mas sabemos que muitos casos que deram negativo para chicungunha e dengue podem ser relacionados ao mayaro. Uma volta a esses casos seria uma linha de pesquisa interessante. Existem sugestões de que ele poderia ser o próximo surto.

 

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