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Jornal do Brasil

NOVO SUPERCOMPUTADOR AMPLIA ESTUDOS NA USP

Publicado em 13 setembro 1995

Por FABRÍCIO MARQUES
SÃO PAULO - Diz-se que a pesquisa acadêmica no Brasil está sucateada, mas em pelo menos um ponto ela recupera terreno perdido. Primeiro foi a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que no começo do ano adquiriu seu primeiro supercomputador para ajudar nas pesquisas de pós-graduação em Engenharia. Agora é a USP que ganha o seu, fabricado pela gigante americana da informática Cray. Um supercomputador consegue fazer bilhões de cálculos por segundo e é capaz de simular rapidamente situações que nenhuma outra máquina consegue produzir. Com a aquisição, USP e UFRJ recuperam, em nova velocidade, a elementar capacidade de fazer contas, que universidades dos países civilizados há muito tempo já haviam conquistado. "Com o supercomputador, pudemos fazer com maior rapidez cálculos sobre o comportamento de plataformas de petróleo e também dos reservatórios", exemplifica o físico Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe/UFRJ. "O computador foi comprado para atender a essas necessidades, mas estamos abrindo o acesso da máquina a outras áreas", diz. Na USP, o supercomputador terá aplicações mais variadas. Professores do Departamento de Química já se cadastraram para simular a configuração e o comportamento de moléculas, na pesquisa de novas drogas. O Instituto Astronômico e Geofísico deve usar o equipamento para estudo do clima. A Companhia de Tecnologia Ambiental, Cetesb, já encomendou à USP um estudo sobre a poluição na capital paulista. Serão feitas simulações em que os efeitos das ações antipoluição serão avaliados. Há duas semanas, foi testado um rodízio de carros nas ruas de São Paulo para diminuir a poluição, mas, apesar da adesão de quase 40% dos paulistanos, a fumaça não diminuiu. Computadores da Cray fizeram simulações desse tipo em Los Angeles e mostraram que a estratégia de mudar o horário do rush não dava resultados. Isso porque os ventos devolviam a poluição à cidade durante à noite. "O supercomputador consegue prever isso", diz Sérgio Souza, gerente-geral da Cray Research do Brasil. FLÚOR AJUDA A TRATAR OSTEOPOROSE A associação de cálcio e flúor pode ser o tratamento mais seguro e eficaz para o combate da osteoporose - perda de massa óssea que expõe as pessoas a um maior risco de fraturas. Três testes clínicos feitos com 296 pessoas pelo pesquisador Charles Pak, da Universidade do Sudoeste do Texas, de Dallas, mostraram que o tratamento com pílulas de liberação lenta de fluoreto de sódio tornam os ossos mais fortes, prevenindo fraturas na coluna vertebral. O medicamento está sendo avaliado pela FDA, agência americana que controla drogas e alimentos, e deverá ser aprovado no início de 1996. HUMANO RECEBERÁ CORAÇÃO DE PORCO Um laboratório britânico de pesquisa anunciou um grande avanço no transplante de órgãos de animais para seres humanos e espera iniciar os testes clínicos, com pessoas que vão receber corações de porcos, dentro de um ano. A Imutran, de Cambridge, que em 1992 produziu o primeiro porco transgênico, que tinha um coração com um gene humano, disse que seu avanço pode transformar a carência de órgãos para transplante em um problema do passado. "Conseguimos superar os problemas de rejeição", afirmou o diretor executivo da Imutran, Christopher Samler. A empresa produziu uma vara de porcos, cujos corações foram alterados com um gene humano. Suas experiências com macacos mostraram que os primatas aceitam bem os órgãos dos porcos sem rejeição. Os testes mais recentes provaram que os macacos conseguem sobreviver 40 dias com os novos corações, mais tempo do que as primeiras experiências feitas nos EUA, em que não ultrapassaram 30 horas.