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Novo site do Proin facilita pesquisa nos arquivos do DEOPS

Publicado em 19 janeiro 2009

No sábado, 24, entrará no ar o novo site do Projeto Integrado Arquivo Público do Estado e Universidade de São Paulo (PROIN), que estará disponível por meio do endereço http://www.usp.br/proin/. A iniciativa vai facilitar as atividades de pesquisa do público na documentação do Departamento Estadual de Ordem Política e Social do Estado de São Paulo (DEOPS), datadas do período entre 1924 a 1983.

A coordenação do projeto é da professora Maria Luiza Tucci Carneiro, do Departamento de História (DH) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. O setor de iconografia é coordenado pelo professor Boris Kossoy, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, e responsável pela elaboração de um banco de imagens que, em breve, também poderá ser consultado.

“Antes do trabalho realizado pelo PROIN, para localizar algum prontuário, era necessário pesquisar diretamente nas fichas microfilmadas. Quando a ficha era encontrada, era preciso anotar o número do prontuário e passar para o pessoal do arquivo encontrar o material. Agora, basta digitar o nome de uma pessoa ou de uma instituição para ter acesso à ficha policial e ao número do prontuário”, conta Luciana Cammarota, uma das pesquisadoras envolvidas no projeto e que trabalha com prontuários de imigrantes italianos. Além dos prontuários (cerca de 150 mil), o arquivo conta com aproximadamente 1,5 milhão de fichas policiais que remetem a cerca de 9 mil dossiês.

O site é composto por cinco categorias de pesquisa. Uma delas é "Fichas Policiais": “Nessas fichas foi mantida a grafia original do documento policial”, aponta Adriana Ferreira, graduada em História que pesquisa os imigrantes, sobretudo os do Leste Europeu. A partir dessas fichas, o pesquisador terá acesso ao número do prontuário ou ao seu conteúdo sintetizado, disponível na categoria “Cadastro Proin”. Dos 150 mil prontuários, aproximadamente 3 mil já foram inventariados.

Outra categoria de busca será “Impressos” – base de dados que permite conhecer os impressos revolucionários (jornais, panfletos e livros) confiscados pelo Deops. Este inventário deu origem ao catálogo "Jornais confiscados pelo DEOPS, 1924-1954", organizado por Kossoy e Tucci Carneiro, cujo segundo número está previsto para sair neste ano. Haverá ainda um link especial, dedicado aos “Estrangeiros expulsos”, e que foi idealizado pela historiadora Mariana Cardoso Ribeiro que desenvolveu suas pesquisas de mestrado e doutorado em História Social na FFLCH.

Iconografia

Outro acesso possível será “Iconografia”. As imagens são acompanhadas de uma ficha técnica idealizada pelo professor Kossoy e que vem sendo preenchida com base nas informações pesquisadas junto aos prontuários e dossiês policiais. De acordo com a pesquisadora Michele Celestino, o objetivo do banco iconográfico é mostrar, através de imagens, a história da repressão no Brasil. “Nos prontuários, encontramos uma diversificada tipologia de imagens como as fotos confiscadas de álbuns particulares, por exemplo. Além de ser necessário analisar o prontuário para entender o contexto histórico em que uma imagem foi produzida, é necessário também “ler” as imagens sob o ponto de vista iconológico, de acordo com as propostas teóricas do professor Kossoy”, comenta. A idéia, segundo ela, é digitalizar todas as imagens que sejam representativas dos fundos DEOPS/SP e do Departamento de Imprensa e Propaganda (DEIP). Atualmente, este Banco de Dados possui cerca de 300 imagens já digitalizadas.

Inúmeras exposições iconográficas já foram realizadas com base no material do arquivo. A mais recente, "Círculo Fechado: os japoneses sob a mira do DEOPS", de curadoria de Kossoy com pesquisa de Márcia Yumi Takeuchi, será aberta no próximo dia 24 por ocasião da inauguração do Memorial da Resistência de São Paulo, no antigo prédio do DEOPS.

Além de Adriana Ferreira, Michele Celestino e Luciana Cammarota, também participam do PROIN os pesquisadores graduados Luciana Marta, que pesquisa os intelectuais vigiados; Milena Issler, responsável pelo design do site; e Olivia Pavani, que trabalha com as pautas de serviço do DEIP. Integram ainda a equipe os graduandos em História Mônica Torres e Rodrigo Vazquez que trabalham, respectivamente, com os impressos confiscados (panfletos, livros, jornais e revistas) e a iconografia.

O projeto conta ainda com a participação dos professores da UNINOVE Antonio de Pádua Fernandes Bueno, Regina Célia Pedroso, Carlos Boucault, além dos professores da USP Elizabeth Cancelli (DH/FFLCH), Federico Croci (Departamento de Letras Modernas / FFLCH), e também de Pedro Ortiz (TV USP e Cásper Líbero), e de Priscila F. Perazzo (Universidade Municipal de São Caetano do Sul/USCS).

Outra vertente de pesquisa do PROIN é realizada por Olívia Pavani, que pesquisa as Pautas de Serviço produzidas pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DEIP), instituição fundada em 1941. As Pautas de Serviço estão organizadas em 78 volumes, produzidas entre os anos de 1943 e 1946. “Elas trazem informações oficiais produzidas pelo governo para divulgação na imprensa.

A documentação produzida pelo DEIP de São Paulo agrupa inclusive informações sobre o que os DEIPS de outros Estados estavam noticiando. “Entre as reportagens produzidas por esta instituição, podemos destacar a cobertura da visita do Interventor Fernando Costa pelo interior do Estado de São Paulo em outubro de 1943”, explica. Encontra-se em processo de elaboração um banco de dados on-line que também facilitará o acesso a essa documentação.

O projeto

O PROIN foi criado em 1995. Em 2007, o Projeto conseguiu aprovar junto a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) o segundo projeto temático "Arquivos da Repressão e da Resistência: mapeamento e digitalização dos Fundos DEOPS e DEIP", desta vez envolvendo nove professores doutores. Estes recursos permitiram a revitalização do Laboratório de Informática PROIN com novos equipamentos, além de renovar a equipe de monitores com 6 graduados e 2 graduandos.

Desde o início de suas atividades, a sala do PROIN tem sido utilizada pelos professores envolvidos com o projeto como uma oficina de história. Nesse espaço, os alunos de graduação da USP e de outras universidades entram em contato com a documentação. “A partir disso, vários alunos têm a oportunidade de iniciar projetos de iniciação científica e, posteriormente, pesquisas de mestrado e de doutorado”, destaca Luciana.

Da Agência USP de Notícias