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Novo sensor mapeia olho com maior precisão

Publicado em 17 agosto 2005

Agência Estado

As cirurgias para corrigir problemas de visão, como astigmatismo, miopia e hipermetropia, são uma prática corriqueira nos consultórios oftalmológicos brasileiros. Essas intervenções são feitas hoje com a ajuda de medidas personalizadas de cada olho do paciente, baseadas em informações obtidas nos exames pré-operatórios por meio de aparelhos chamados de wavefront - ou frente de onda - que analisam a luz que atinge o globo ocular.

Atualmente, todos os aparelhos desse tipo usados no Brasil são importados. Mas em pouco tempo isso pode mudar, porque a Eyetec Equipamentos Oftálmicos, uma empresa de São Carlos (SP), prepara-se para disputar esse mercado com um novo aparelho, também baseado na tecnologia wavefront, mas com um sensor que utiliza um princípio diferente dos outros.

"Em vez de várias pequenas lentes quadradinhas, simétricas, uma ao lado da outra, foi criada uma lente circular, com foco contínuo que aponta a deformação do olho ponto a ponto", diz o oftalmologista Paulo Schor, chefe do Setor de Bioengenharia Ocular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

"O mapeamento feito pelo novo sensor, em cada ponto do olho, possibilita fazer diagnósticos mais detalhados, o que aumenta a precisão e a flexibilidade nas cirurgias."

Schor e o também oftalmologista Wallace Chamon levaram a proposta de desenvolver o equipamento no Brasil ao professor Jarbas Caiado de Castro Neto, do Grupo de Óptica do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos e um dos sócios da Eyetec.

A empresa recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) na modalidade Programa Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (Pipe), projeto que tem Castro Neto como coordenador. O novo aparelho foi patenteado no Brasil e no exterior e recebeu informalmente o nome de sensor Castro, em homenagem ao professor da USP responsável pela solução tecnológica inovadora.