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MCTIC - Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações

Novo reator biológico remove até 99% dos sulfatos industriais

Publicado em 20 agosto 2009

Os íons de sulfatos e outros compostos de enxofre podem causar grandes prejuízos ambientais, como a poluição de rios, lagos e lençóis freáticos. Assim, é fundamental que estes produtos sejam tratados para evitar a degradação da natureza. Estudo realizado na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), da Universidade de São Paulo (USP), desenvolveu reator biológico que consegue remover até 99% dos sulfatos descartados pelas indústrias que utilizam ácido sulfúrico como matéria prima.

O reator foi idealizado pelo Engenheiro químico, Arnaldo Sarti, durante sua pesquisa de pós-doutorado, com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq/MCT) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A invenção já está patenteada e instalada no Laboratório de Processos Biológicos (LPB) da EESC.

Segundo Arnaldo, o processo remove os íons de sulfato por meio da ação de bactérias anaeróbias - que promovem reações biológicas na ausência de oxigênio - dispostas dentro de um reator preenchido com carvão. O invento foi testado para tratar os resíduos químicos, resultante da produção de vernizes para o acabamento de couro, no interior de São Paulo.

"A idéia surgiu a partir do problema real de uma indústria de São Carlos que gerava resíduos com alta concentração de sulfato: cerca de 120 gramas por litro. Não buscamos desenvolver o reator apenas para a empresa, mas fomos atraídos pela possibilidade de lidar com este efluente para aplicação da unidade de tratamento. O LPB já havia produzido outros reatores, mas sempre para efluentes sintéticos em pequena escala", disse Sarti.

Os resultados foram muito expressivos e permitiram concluir que a aplicação do tratamento biológico em efluente industrial contendo sulfato, com uso do reator anaeróbio, poderá ser utilizado em larga escala, até mesmo para o tratamento de outras águas residuárias ricas em sulfato. Mas o trabalho ainda não acabou. De acordo com o engenheiro químico, agora será preciso trabalhar no desenvolvimento de um método de pós-tratamento para o sulfeto gerado.

Uma das preocupações é tratar o forte odor produzido pelo processo. "A idéia agora é transformar os sulfetos em enxofre elementar, isso tornará o processo mais sustentável do ponto de vista ambiental e econômico", acrescentou. O enxofre tem grande aplicação na agricultura e nas indústrias químicas. Hoje o Brasil importa aproximadamente dois milhões de toneladas de compostos "in natura", gastando cerca de US$ 108 milhões por ano.