Notícia

Gazeta Mercantil

Novo produto pode substituir isopor com vantagens

Publicado em 03 março 2000

Por Delcy Mac Cruz e Jorge Luiz Massarolo* - de Campinas
O uso do isopor como embalagem está com os dias contados. Até o final do ano, chega ao mercado nacional e do exterior a bioespuma, produto com as mesmas qualidades do isopor, mas capaz de decompor-se em dois anos em contato com a terra e umidade. O produto tem origem em materiais vegetais, como cana-de-açúcar, amido de milho e óleos de soja e de mamona, e foi desenvolvido pela Kehl Polímeros, de São Carlos, e pelo Escritório de Difusão e Serviços Tecnológicos (Edistec) da Unicamp, de Campinas. As pesquisas em torno da bioespuma começaram em 89, na empresa de São Carlos, e exigiram investimentos da ordem de US$ 700 mil, sendo R$ 50 mil bancados pelo Fundo de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp) e o restante pela própria Kehl. Segundo o químico e diretor da companhia de São Carlos, Eduardo Kehl, a produção em escala da bioespuma começa nos próximos meses por uma empresa nacional e outra no exterior - os nomes não são divulgados enquanto os contratos não forem oficializados. A estimativa é de uma produção de mil toneladas por ano. A opção pelo repasse da fabricação da bioespuma, conforme Kehl, é porque a empresa de São Carlos não possui estrutura para produção em escala. "Além dos dois fabricantes, estamos abertos a outros possíveis parceiros." Apesar da pouca infra-estrutura, a Kehl começará a fabricar 20 toneladas mensais de bioespuma a partir de abril. Essa produção servirá de piloto para os últimos testes antes de a novidade seguir para a rota industrial. O mercado para a bioespuma é considerado amplo, já que somente no Brasil são produzidas 50 mil toneladas por ano de isopor. Além disso, a rápida decomposição o torna uma embalagem ecologicamente correta. Pesquisadores no exterior há tempos buscam uma embalagem que não agrida o ambiente. A bioespuma consegue isso por ser composta em 70% por materiais vegetais. "Aproveitamos a cana por inteiro, transformando-a em um polímero", explica o diretor da Kehl. Para cada tonelada do novo isopor, acrescenta, são utilizados 450 quilos de cana. Dos demais integrantes do produto, apenas a mamona chega a tornar-se um empecilho. "Enquanto na Holanda uma tonelada da semente custa US$ 1.020, aqui no Brasil o quilo é vendido por R$ 3,00." 500 ANOS O isopor convencional (poliestireno expandido - EPS), por ser fabricado com derivados de petróleo, leva até 500 anos para se decompor. A reciclagem torna-se impossível diante da grande quantidade necessária de isopor para o processo. A queima exala gases tóxicos, a exemplo do plástico. "As matérias-primas de fontes renováveis utilizadas na bioespuma permitem a ação de fungos e bactérias no processo de decomposição", explica Ricardo Vicino, químico do Edistec e o principal responsável pelo projeto. O novo produto servirá como embalagem para eletrodomésticos e em aplicações no plantio de mudas e sementes. Hoje, entre 20 e 30 milhões de mudas são trabalhadas em tubos-plásticos, que exigem lavagem, esterilização e outros procedimentos, enquanto o novo produto pode ser deixado na terra até se dissolver. * da GZM Planalto Paulista