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Jornal da Unesp online

Novo processo para eliminar corantes

Publicado em 01 outubro 2008

Por Renato Coelho

Recurso usa eletrodo coberto com nanotubos para destruir pigmentos em rejeitos industriais

Pesquisadores do câmpus de Araraquara desenvolveram um novo método fotoeletroquímico para tratamento de água e eliminação de corantes químicos usados em papéis e couros pela indústria têxtil. O objetivo é destruir os pigmentos dos corantes e evitar a contaminação da água nas estações de tratamento e reservatórios.

“Este método combina as vantagens de duas técnicas de degradação completa dos corantes, a fotocatálise e a eletrocatálise, transformando-os em água e gás carbônico”, explica a criadora dessa solução, a docente Maria Valnice Boldrin Zanoni, do Instituto de Química (IQ).

A nova técnica, chamada de fotoeletrocatálise, consiste no uso de um eletrodo – um terminal elétrico com a superfície de titânio recoberta com nanotubos, ou seja, tubos de tamanho microscópico feitos de dióxido de titânio gerado por anodização. O processo de anodização produz um filme de óxido sobre certos metais, que são imersos em um banho eletrolítico no qual o metal a ser anodizado é ligado ao pólo positivo de uma fonte de eletricidade. “O eletrodo é ativado por irradiação ultravioleta e aplicação de uma corrente elétrica equivalente a uma voltagem”, diz a pesquisadora.

Ambiente – Por causa da baixa eficiência de fixação do corante à fibra, esse produto é lançado em grande quantidade nos efluentes das indústrias têxteis. Esses rejeitos, se não tratados, podem chegar às estações de tratamento de água e ser ingeridos por seres humanos.

“A complexidade da carga orgânica e a toxicidade dos efluentes causam muitas conseqüências ambientais, tais como a interferência na biota aquática, alterando a oferta de oxigênio, além de conterem propriedades cancerígenas”, revela a docente do IQ.

Apoiada pela Fapesp, a pesquisa é realizada em parceria com dois pesquisadores norte-americanos: Marc Anderson, da University of Wisconsin, Madison, e Krishnan Rajeshwar, da University of Arlington, Texas, além de Danielle Oliveira, da USP, Gisela Umbuzeiro, da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), e mestrandos e doutorandos do IQ.